Autora: Cláudia Lins
Ilustradora: Denise Rochael
Às margens do Rio São Francisco, existe um lugar mágico chamado Ilha do Ferro. É lá que a meninada se reúne todo fim de tarde para ouvir os causos de Rosinha, a mais sábia rendeira do sertão nordestino. As lendas que Rosinha conta são de arrepiar e falam de seres encantados. Histórias que o Velho Chico – índio, caboclo, mestiço – soube tão bem guardar.
Temas abordados: amor, aventura, fantasia, folclore, contos de assombração.
O rio que dorme
Dizem que o Velho Chico, o famoso rio São Francisco, adormece todos os dias à meia-noite. E veja só: é nessa hora que as almas das pessoas que se afogaram em suas águas
viajam para o céu.
É também depois das 12 badaladas noturnas do relógio que a Mãe d’Água, outra habitante das profundezas do Velho Chico, vem à tona para enxugar seus longos cabelos. Sentada na pedra, ela observa em silêncio o sono do rio. Por alguns minutos, os peixes ficam paralisados; as águas, estagnadas; as cobras não dão bote, nem soltam veneno; o tempo parece não existir.
Ah, e é nesses instantes de calmaria que os pescadores, espertamente, aproveitam para encher suas redes sem muita dificuldade. Mas o encanto dura pouco. Num lampejo, o rio desperta e pode até ficar furioso! Para testar se o Velho Chico está dormindo ou acordado, é preciso jogar um pedacinho de madeira na água à meia-noite. Se o graveto ficar parado, é melhor esperar o rio acordar para puxar a rede, porque pescador que não respeita o sono do rio pode afundar o barco e nunca mais voltar.Melhor deixar o rio dormir em paz.
*O rio que dorme é uma das muitas lendas contadas pela população ribeirinha do São Francisco. Esta versão foi livremente adaptada pela CHC. Fonte
A
Lenda do Sono do Rio São Francisco conta que,
à meia-noite, o Velho Chico adormece por breves dois ou três minutos. Durante esse período, as águas silenciam, cachoeiras param de cair, os peixes aquietam-se no fundo e as cobras perdem o veneno. É o momento em que as almas dos afogados sobem para as estrelas e a Mãe D'água emerge para pentear os cabelos.
O Misticismo do "Velho Chico"
Os canoeiros e pescadores do Médio São Francisco acreditam que esse momento de calmaria exige extremo respeito. Segundo a tradição oral, o rio não deve ser perturbado enquanto dorme, sob o risco de se enfurecer e provocar tragédias, como virar embarcações e causar inundações
Para testar se o rio está acordado ou dormindo, os barqueiros jogam um pequeno pedaço de madeira ou graveto na água antes de navegar ou buscar água. Se o graveto continuar parado, significa que o rio ainda está adormecido. É uma lenda fascinante que reflete a profunda conexão e o temor que os ribeirinhos têm pelas águas. Fonte Google
Rio São Francisco
Poesia
Saudação ao velho Chico
Lendas do velho Chico: AQUI
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