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Olá amiga(o) ,
Fui professora dos projetos "Estímulo À Leitura",
"Tempo Integral" e a favor da leitura lúdica,
afinal, quer momento mais marcante que a fantasia da vida?
Portanto, será um prazer receber sua visita em mais um blog destinado a educação.
Nele pretendo postar comentários e apreciações de materiais didáticos de Língua Portuguesa, além de outros assuntos pertinentes, experiências em sala de aula, enfocando a interdisciplinaridade e tudo que for de bom para nossos alunos.
Se você leu, experimentou, constatou a praticidade de algum material e deseja compartilhar comigo,
esteja à vontade para entrar em contato.
Terei satisfação em divulgar juntamente com seu blog, ou se você não tiver um, este espaço estará disponível dentro de seu contexto.
Naturalmente, assim estaremos contribuindo com as(os) colegas que vêm em busca de sugestões práticas.
Estarei atenta quanto aos direitos autorais e se por ventura falhar em algo, por favor me avise para que eu repare os devidos créditos.
Caso queira levar alguma publicação para seu blog, não se
esqueça de citar o "Linguagem" como fonte.
Você, blogueira sabe tanto quanto eu, que é uma satisfação ver o "nosso cantinho" sendo útil e nada mais marcante que
receber um elogio...
Venha conferir,
seja bem-vinda(o)
e que Deus nos abençoe.
Krika.
30/06/2009

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sexta-feira, setembro 23, 2011

A rainha da cocada preta> Ditos populares> Expressões>De ponta cabeça ou de pernas para o ar? 26/09/11

O gênero ditados populares:Provérbios
senso comum e cultura popular

Autor: Tiago M.França
Co-autor: Aparecida Clemilda Porto
Dados da Aula
O que o aluno poderá aprender com esta aula
■conhecer o gênero ditado popular;
■interpretar ditados populares;
■compreender o funcionamento discursivo de um ditado popular;
■produzir uma dissertação sobre o gênero ditado popular.
Duração das atividades
4 aulas de 50 minutos
Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno
O aluno deverá conhecer as características de um texto dissertativo.
Estratégias e recursos da aula
ATIVIDADE 01
Conhecendo os ditados populares
Professor, para iniciar a atividade, é relevante que você estimule o conhecimento de mundo dos alunos sobre o que eles conhecem sobre ditados populares.
Você poderá, por exemplo, exibir uma apresentação de data show com alguns ditados.
Assim, os alunos tentarão construir uma explicação para o seu significado.
Utilize alguns ditados mais famosos como:
■"de grão em grão a galinha enche o papo";
■"o seguro morreu de velho";
■"cavalo dado não se olha os dentes";
■"cada macaco no seu galho";
■"quem desdenha quer comprar".
Posteriormente, demonstre as principais características de um ditado popular:
■gênero discursivo de caráter popular;
■composto por um texto mínimo;
■autor anônimo;
■possui um sentido pedagógico/moral (é muito importante que esse ponto fique claro para todos os alunos);
■baseia-se no senso comum de um dado meio cultural.
ATIVIDADE 02
Interpretando ditados
Os alunos, aqui, apresentarão interpretações acerca de alguns ditados.
 A presente atividade poderá se efetivar de duas formas:
1.permitir que os alunos escolham, aleatoriamente, alguns textos do tal gênero;
2.elencar alguns ditados para cada aluno.
Organizados em trios, os alunos deverão preparar uma apresentação sobre os ditados escolhidos.
 Dê alguns dias para que se preparem.
Cada grupo será responsável por seis ditados populares (cada membro apresentará dois).
Essa apresentação deverá enfocar a construção da significação que emergem do ditado.
Os grupos deverão:
■interpretar os ditados escolhidos;
■pesquisar com pais e familiares situações de vida que se aplicam aos ditados, ou seja, cada um dos ditados apresentados deverá possuir uma exemplificação positiva no cotidiano.
Caso o aluno não consiga um exemplo que realmente aconteceu, poderá criar um que se adeque.
Exemplos ditados populares que podem ser utilizados pelos alunos:
1.Há remédio para tudo menos para a morte.
2.Há sempre um chinelo velho para um pé doente.
3.Gato escaldado tem medo de água fria.
4.Falar é fácil, fazer é que é difícil.
5.Faz mais quem quer do que quem pode.
6.Em time que está ganhando, não se mexe.
7.Em terra de cego, quem tem um olho é rei.
8.Em lagoa com piranha, jacaré nada de costas.
9.Diz-me com quem tu andas que eu te direi quem tu és.
10.Cão que late não morde.
11.Cada um puxa a brasa para a sua sardinha.
12.Após a tempestade vem a bonança.
13.Aqui se faz, aqui se ganha.
14.A necessidade faz o sapo pular.
15.A meia verdade é uma grande mentira.
16.A melhor espiga é para o pior porco.
17.Quando a barriga está cheia, toda goiaba tem bicho.
18.Quando a esmola é demais, o santo desconfia.
19.Quem com ferro fere, com ferro será ferido.
20.Quem com os cães se deita, com pulgas se levanta.
21.Quem não tem cão, caça como gato.
O link a seguir traz vários outros ditados populares:
Cada grupo deverá empreender sua apresentação em cerca de 15 minutos, evidenciando os sentidos dos ditados, juntamente com possíveis exemplificações cotidianas.
ATIVIDADE 03
Subertendo ditados
Desenvolva essa atividade em um local que possua um aparelho de som.
Você deverá reproduzir a música "Bom conselho", de Chico Buarque.
Faça cópias da letra para os alunos.
Organize-os em grupos.
Link para a música:

Link para a letra:

Como todos terão a letra em mãos, organize a turma em uma roda e desenvolva uma discussão oral sobre o texto.
Faça com que os alunos percebam os ditados populares "subvertidos" na canção.
Pergunte a eles sobre cada um dos versos. Por exemplo:
1.quem espera nunca alcança" x "quem espera sempre alcança";
2."aja duas vezes antes de pensar" x "pense duas vezes antes de agir";
3."faça como eu digo, faça como eu faço" x "faça como eu digo, não faça como eu faço";
4."devagar é que não se vai longe" e "devagar é que se vai ao longe";
O objetivo é que eles percebam a inversão de sentidos construída pelo autor.
Questione-os quanto à seguinte questão:
■por que o autor considera ser um bom conselho a inversão dos ditados populares?
Tomado como uma primeira compreensão do mundo resultante das experiências e da herança cultural de um grupo social, o senso comum descreve as crenças e proposições tomadas como normais, sem depender de uma comprovação científica.
Ao dizer "ouça um bom conselho" e subverter conhecidos ditados populares, o autor pretende demonstrar que o conhecimento baseado no senso comum é falho, uma vez que, por exemplo, "está provado, quem espera nunca alcança".
Faça com que os alunos compreendam tal subversão, de modo a tomarem o senso comum que permeia os ditados populares como um saber cultural, mas sem comprovação científica.
ATIVIDADE 04
Exposição de ditados populares
Após a produção da atividade anterior, organize, juntamente com os alunos, uma exposição de ditados populares.
A partir dos ditados trabalhados, procure viabilizar uma atividade em que alunos de outra classe, familiares e/ou professores possam assistir às mesmas.
Os trios deverão, em forma de cartazes:
■explicar o que são ditados populares;
■qual sua função social (ensinamento);
■seu caráter de patrimônio cultural/oral (cultura oral);
■a interpretação dos ditados escolhidos (opinião e interpretação dos alunos).
Possibilite que o público faça questionamentos e perguntas aos apresentadores.
ATIVIDADE 05
Produção de texto
A partir do estudo dos ditados populares empreendidos nas atividades anteriores, peça que os alunos, individualmente, produzam um texto dissertativo.
O mesmo deverá:
■demonstrar a importância cultural, social e pedagógica desse gênero (ensinamento baseado no senso comum);
■enfatizar os debates e diálogos empreendidos na sala acerca do tema (subversão e valor cultural dos ditados);
■possuir a opinião do aluno sobre os ditados, baseada em sua impressão e relevância dos mesmos.
A produção poderá ser empreendida tanto em classe quanto em casa.
Após a produção das mesmas, promova uma rodada de leitura.
Ao final, encerre a aula realçando a relevância dos ditados populares para a construção de um saber não-científico, baseado em impressões e experiência que passam de geração para geração.
Avaliação
Os alunos deverão ser avaliados nos seguintes aspectos:
■compreensão e interpretação do gênero ditado popular;
■produção de uma dissertação sobre o gênero ditado popular.


Aprendendo com os ditos populares


Autores: Elis Batista P.Brito e outros
  O que o aluno poderá aprender com esta aula
■Conhecer alguns ditos populares;
■Compreender o significado dos ditos populares;
■Interpretar um dito popular através de mímicas.
Duração das atividades
3 horas-aula
 Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno
Conhecimento básico dos tipos de linguagem (verbal e não-verbal).
Estratégias e recursos da aula
AMBIENTE 1/ ATIVIDADE 1: Laboratório de Informática Educativa – LIE/ Sala de vídeo
PREPARAÇÃO DO AMBIENTE
Nesta aula serão utilizados os seguintes recursos didáticos:
■O vídeo “Ditos populares [Sua língua]”;
■Caderno, lápis ou caneta.
ORIENTAÇÕES QUANTO AO USO DO VÍDEO
Esse vídeo explica o significado de ditos populares e o seu uso.
O vídeo tem uma duração de 6 min e 4 s.
Ditos populares [Sua língua]
PARA INSTALAÇÃO DO VÍDEO
1. Fazer o download do vídeo “Ditos populares [Sua língua]” através do site BIOE:

Observação: O plugin Windows Media Player é necessário para a utilização do vídeo proposto. Caso o computador não tenha, é possível fazer o download no link disponibilizado no item 1.
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE
Recomenda-se que o professor questione os alunos sobre “O que é um dito popular?”.
 O docente deverá convidar os alunos a assistirem o vídeo “Ditos populares [Sua língua]”, informando-os da importância de registrarem as informações em seus cadernos.
Sugere-se que essa atividade seja realizada em duplas.
MOMENTO DO ALUNO
Nesse momento os alunos estarão assistindo ao vídeo e fazendo as anotações em duplas sobre suas observações.
Sugere-se que o professor deixe os alunos assistirem ao vídeo e, em seguida, conceda um tempo para os alunos fazerem suas anotações, analisarem e conversarem sobre o vídeo.
DISCUSSÃO
Nesse momento as duplas estarão apresentando para a turma suas conclusões sobre ditos populares, a partir das informações do vídeo.
Propõe-se que o professor convide as duplas para exporem suas anotações e depois promova um debate.
SISTEMATIZAÇÃO
Durante a sistematização propõe-se ao professor apresentar que ditos populares também são conhecidos por ditados populares ou provérbios são expressões populares que transmitem algum ensinamento.
AMBIENTE 1/ ATIVIDADE 2: Sala de aula
PREPARAÇÃO DO AMBIENTE
Nesta aula serão utilizados os seguintes recursos didáticos:
■Ditos populares impressos para cada grupo.
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE
Recomenda-se que o professor inicie apresentando o dito popular “O mar não está para peixe”, questionando os alunos sobre o significado dessa frase e anotando na lousa as respostas dos alunos.
Terminada esta etapa, o docente deve explicar que a turma será dividida em seis grupos, onde terão que analisar o significado de alguns provérbios e em que situações podem ser utilizados.
Sugere-se alguns ditos populares para os grupos estarem analisando:
1º grupo:
Amigos amigos, negócios à parte
Antes só que mal acompanhado
Quem te avisa teu amigo é
Quem não chora não mama!
Quem diz o que quer, ouve o que não quer
O que é vivo sempre aparece

2º grupo:
Uma (só) andorinha não faz o verão
A cavalo dado não se olha o dente
Cada macaco no seu galho
Cão que ladra não morde
Pela boca morre o peixe
Quem não tem cão, caça com gato

3º grupo:
A esperança é a última a morrer
A fome é o melhor tempero
Água mole em pedra dura tanto bate até que fura
Há males que vêm por bem
O Sol quando nasce é para todos
Quem não deve não teme

4º grupo:
Cada um por si e Deus por todos
Deus ajuda a quem cedo madruga
Deus escreve direito por linhas tortas
O futuro a Deus pertence
Se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé
Nem só de pão vive o homem

5º grupo:
É melhor prevenir do que remediar
Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje
Há que dar tempo ao tempo
Quem espera sempre alcança
Quem não arrisca não petisca
O seguro morreu de velho e o desconfiado ainda está vivo

6º grupo:
Tal pai, tal filho
Entre marido e mulher não metas a colher
Quando um não quer, dois não discutem
Quem casa quer casa
Quem vê cara não vê corações
Quem sai aos seus não degenera
MOMENTO DO ALUNO
Neste momento os grupos estarão realizando a atividade proposta pelo professor.
Sugere-se que o docente esteja circulando pelos grupos para verificar a execução da atividade e também as dificuldades dos alunos.
Os alunos poderão sentir dificuldade em relação a interpretação dos provérbios, para isso propõe-se que o professor esteja explicando que os provérbios estão ligados a situações cotidianas e que fazem parte da tradição popular.
DISCUSSÃO
Neste momento os grupos estarão apresentando para a turma o resultado das suas atividades em relação aos provérbios.
Sugere-se alguns questionamentos para iniciar o debate:
“Os ditos populares sempre trazem bons ensinamentos?”, “Quais ditos populares apresentam princípios que devem ser seguidos pela sociedade e quais não?”.
SISTEMATIZAÇÃO
Nesse momento o professor deverá formalizar sobre os provérbios, explicando sobre sua utilização no dia-a-dia.
 Sugere-se que o professor digite ou escreva em tiras de papel provérbios, onde deverá recortar em palavras que deverão ser distribuídas entre os alunos.
O professor convida um aluno para colar sua palavra na lousa e depois questiona outro aluno que palavra poderá está sendo colocada para se transformar em um provérbio.
Sugestões de ditos populares para serem utilizados na sistematização:
QUEM CONTA UM CONTO AUMENTA UM PONTO
UM DIA DA CAÇA O OUTRO É DO CAÇADOR
QUEM TEM BOCA VAI A ROMA
O BARATO SAI CARO
AMBIENTE 1/ ATIVIDADE 3: Sala de aula
PREPARAÇÃO DO AMBIENTE
Nesta aula serão utilizados os seguintes recursos didáticos:
■Ditos populares impressos utilizados na aula anterior.
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE
Recomenda-se que o professor explique que os alunos em grupos interpretem através de mímica os ditos populares para os seus colegas adivinharem.
MOMENTO DO ALUNO
Neste momento os alunos estarão nos seus grupos escolhendo os ditos populares e discutindo como serão interpretados através das mímicas.
DISCUSSÃO
Neste momento os alunos estarão apresentando para a turma os seus ditos populares e os outros grupos terão que adivinhar sobre qual dito popular se trata.
Terminada as mímicas dos grupos, o professor deve iniciar um debate com os alunos para apresentarem suas dificuldades e se conseguiram compreender qual dito popular seus colegas interpretaram.
SISTEMATIZAÇÃO
Recomenda-se que o professor formalize sobre ditos populares explicando que são expressões populares que possuem um significado que é passado de geração em geração.
Sugere-se que o professor explique que em outros países também existem provérbios que retratam um ensinamento.
Avaliação
Na atividade 1, recomenda-se que o professor verifique se os alunos compreenderam sobre o que são ditos populares.
Na atividade 2, propõe-se que o professor verifique se os alunos entenderam o significado dos ditos populares.
Na atividade 3, recomenda-se que o docente analise se os alunos conseguiram interpretar através de mímica os ditos populares.


A rainha da cocada preta
Autor: Miriam Portela
Ilustrações: Jefeferson Galdino
Sowilo Editora: AQUI

Se você também está cansado de ficar “marcando touca” e com a “pulga atrás da orelha” para saber quem é essa tal “rainha da cocada preta”, prepare-se para levar um susto de “cair do cavalo”. É que esta estória, apesar de ser do “tempo da carochinha”, é contada por uma avó que de tão esperta é capaz de “dar nó em pingo d'água.
Mais uma obra pra lá de interessante de Miriam Portela, na qual as crianças têm a oportunidade de descobrir porque os adultos, às vezes, falam de maneira tão engraçada. Para matar a curiosidade de uma vez por todas, não fique mais “pensando na morte da bezerra”, abra este livro e dê boas risadas com o caso da rainha que era da cocada preta!
Assunto: cultura popular.
Interdisciplinaridade: linguagem oral e escrita, Estudos Sociais, identidade e autonomia.
Transversalidade: ética e cidadania, pluralidade cultural, meio ambiente rural e urbano.
Proposta: planejar, montar e exibir pequenas cenas para que os sentidos dos ditos populares sejam explorados pelas crianças.
Indicação: séries iniciais do Ensino Fundamental

Mais sobre a obra: AQUI
Atividade: AQUI

Leitura Informativa: Cocada
Cocada é um doce tradicional de Angola e típico no Brasil feito a base de coco. As receitas variam, mas em geral levam gemas, leite e coco ralado.
Algumas receitas utilizam leite condensado, rapadura, leite-de-coco e coco ralado queimado.
Para dar sabores variados a cocada, são usadas polpas de frutas.
Em Angola a variante mais consumida é a Cocada Amarela.
Cultura popular
Na cultura popular, quando alguém se acha muito importante, é dito que ele(a) é (ou se acha) o "rei" ou a "rainha da cocada preta".
No Candomblé e culturas afros, a cocada branca é denominada "Santo Antônio", e assim solicitada nas bancas espalhadas pelas calçadas de Salvador (Bahia).
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Cocada

De ponta cabeça ou de pernas para o ar? 
Autor: Ducarmo Paes
Ilustrações: Sergio Magno

Assunto: ditos populares encadeados em estrofes rimadas.
Interdisciplinaridade: linguagem oral e escrita, Estudos Sociais, identidade e autonomia
Transversalidade: afetividade, pluralidade cultural, ética e cidadania, meio ambiente rural, temas locais.
Proposta: listar outros ditos populares e elaborar paródias deles. O que o dito popular significa? O que a paródia alterou nele?
Indicação: Educação Infantil e séries iniciais do Ensino Fundamental

...( )" A menina a pensar...
Se tempestade em copo-dágua
te deixa na chateação,
melhor fechar a torneira
e abrir seu coração           

Se onde há fumaça tem fogo,
como será que vai ser?
O fogo irá para cima e a fumaça vai descer.( )

Se a menina chorou
sobre o leite derramado,
será que ele volta pra jarra
antes de ter azedado?

Cada macaco no seu galho
é o que o ditado diz,
mas se inverter a história
ele fica na raiz.

( )
Se a pedra no sapato
atrapalha sua dança
deixe livre seus pezinhos
e ande igual à criança.

Se devagar se vai ao longe
e demora pra chegar,
então eu ando depressa
e não preciso parar.

Se estou de ponta cabeça
 com as pernas para o ar,
eu estou de bem com a vida,
deixa essa velha gritar...


                    


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sábado, junho 11, 2011

Estudando a intertextualidade - 11/06/11

Estudando a intertextualidade:
prática de leitura e de escrita

Autor: Igor Caixeta Trindade Guimarães
Co-autor:Prof. Luiz Prazeres
Estrutura Curricular
 Língua Portuguesa:
Linguagem escrita: leitura e produção de textos
 Relações sociopragmáticas e discursivas
Dados da Aula
O que o aluno poderá aprender com esta aula:
Nesta sequência didática, o aluno poderá aprender, em relação à intertextualidade, a reconhecer aspectos evidenciadores de que textos de diferentes autores têm elementos comuns entre si.
Dentre esses aspectos, destacamos: formação ideológica e discursiva, seleção de temas, seleção de vocabulário e de estruturas linguísticas.
Duração das atividades
Aproximadamente três aulas de 50 minutos.
Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno
Nesta aula, devido à amplitude do tema, o conhecimento prévio necessário relaciona-se à experiência com leitura de textos diversos.
Assim sendo, mesmo que os textos apresentados não tenham sido trabalhados, o professor pode aproveitar a oportunidade para introduzi-los em sala, como novidade.
Por outro lado, caso os textos já tenham sido trabalhados, nesta aula, será estabelecido enfoque nas relações entre textos.
Estratégias e recursos da aula
ATIVIDADE I
Professor, para introduzir as primeiras ideias sobre a intertextualidade, sugerimos que você trabalhe com os alunos as imagens a seguir, baseadas no quadro de Leonardo da Vinci - A Monalisa.
 Pergunte aos alunos o que significa cada uma delas, quando comparadas à pintura original.
Fonte: http://pink.dornbeast.com/?cat=97
 
Fonte: http://pink.dornbeast.com/?cat=97






ATIVIDADE II
Para o desenvolvimento desta atividade, o professor apresentará aos alunos três textos, disponíveis a seguir.
O primeiro deles é a fábula A Cigarra e a Formiga, por La Fontaine.
O segundo, uma versão dessa fábula escrita por Monteiro Lobato, em 1922.
E o terceiro texto, por fim, é outra versão dessa fábula, do escritor Millôr Fernandes, escrita em 2009 e publicada pela revista Veja.
O professor deverá pedir a leitura dos textos nessa ordem em que os apresentamos.
Logo após cada texto, há perguntas a que os alunos devem responder antes de passarem para a leitura do texto seguinte.
O professor deverá discutir com os alunos as respostas dadas por eles.
Logo após cada questão, apresentamos uma chave de resposta, em que o professor deverá se basear, quando for discutir as questões com os alunos.
TEXTO I
A Cigarra e a Formiga
Tendo a cigarra cantado durante o verão,
Apavorou-se com o frio da próxima estação.
Sem mosca ou verme para se alimentar,
Com fome, foi ver a formiga, sua vizinha,
pedindo-lhe alguns grãos para aguentar
Até vir uma época mais quentinha!
- "Eu lhe pagarei", disse ela,
- "Antes do verão, palavra de animal,
Os juros e também o capital."
A formiga não gosta de emprestar,
É esse um de seus defeitos.
"O que você fazia no calor de outrora?"
Perguntou-lhe ela com certa esperteza.
- "Noite e dia, eu cantava no meu posto,
Sem querer dar-lhe desgosto."
- "Você cantava? Que beleza!
Pois, então, dance agora!"
(Fábula de Esopo, por La Fontaine)
1) O texto tem como personagens uma cigarra e uma formiga, como o próprio título sinaliza.
De acordo com o desenrolar da narrativa, é possível identificar características comportamentais de cada uma dessas personagens.
Explicite essas características:
Chave de resposta:
A formiga trabalha, pensando em seu sustento e no mau tempo do porvir.
É individualista, pois não ajuda a cigarra.
A cigarra, por sua vez, prefere cantar a trabalhar e acredita que a formiga possa ser sua amiga, ajudando-a.
2) No final do diálogo, a formiga diz à cigarra: “Você cantava?
Que beleza! Pois, então, dance agora!”
A cigarra se sentiu bem diante dessa resposta? J
ustifique.
Chave de resposta
A cigarra não pode ter se sentido bem, uma vez que a resposta da formiga foi contra suas expectativas.
3) A fábula apresentada tem a seguinte moral: “Os que não pensam no dia de amanhã pagam sempre um alto preço por sua imprevidência.”
Você concorda com essa moral?
Justifique.
Resposta pessoal, em que o aluno deve utilizar argumentos, com base no texto e/ou em suas experiências, de forma a emitir opinião em que se percebe se ele concorda ou discorda dessa moral.
TEXTO II
A Cigarra e a Formiga (A Formiga Boa - Monteiro Lobato)
Houve uma jovem cigarra que tinha o costume de chiar ao pé do formigueiro.
Só parava quando cansadinha; e seu divertimento era observar as formigas na eterna faina de abastecer as tulhas.
Mas o bom tempo afinal passou e vieram as chuvas .
Os animais todos, arrepiados, passavam o dia cochilando nas tocas.
A pobre cigarra, sem abrigo em seu galhinho seco e metida em grandes apuros, deliberou socorrer-se de alguém.
Manquitolando, com uma asa a arrastar, lá se dirigiu para o formigueiro.
Bateu – tique, tique, tique...
Aparece uma formiga friorenta, embrulhada num xalinho de paina.
- Que quer? – perguntou, examinando a triste mendiga suja de lama e a tossir.
- Venho em busca de agasalho. O mau tempo não cessa e eu...
A formiga olhou-a de alto a baixo.
- E que fez durante o bom tempo que não construiu a sua casa?
A pobre cigarra, toda tremendo, respondeu depois dum acesso de tosse.
- Eu cantava, bem sabe...
- Ah!.. . exclamou a formiga r ecordando-se.
Era você então que cantava nessa árvore enquanto nós labutávamos para encher as tulhas?
- Isso mesmo, era eu...
Pois entre, amiguinha!
 Nunca poderemos esquecer as boas horas que sua cantoria nos proporcionou.
Aquele chiado nos distraía e aliviava o trabalho.
Dizíamos sempre: que felicidade ter como vizinha tão gentil cantora!
Entre, amiga, que aqui terá cama e mesa durante todo o mau tempo.
A cigarra entrou, sarou da tosse e voltou a ser a alegre cantora dos dias de sol.

Do livro Fábulas, Monteiro Lobato, 1994.
4) O texto de Monteiro Lobato tem relação direta com a fábula lida anteriormente.
Que características esses dois textos possuem em comum, tendo em vista o enredo de cada um deles?
Chave de resposta:
Ambos os textos tratam de uma cigarra que canta e de uma formiga que trabalha.
No enredo de cada um deles, a cigarra recorre à formiga quando surge o mau tempo.
5) Apesar de possuir características comuns em relação à fábula, o enredo do texto de Monteiro Lobato apresenta algumas modificações.
Que modificações são essas?
Chave de resposta:
Ao contrário da fábula original, a versão de Monteiro Lobato explicita uma relação amistosa entre a formiga e a cigarra.
O chiado da cigarra soou agradável aos ouvidos da formiga, ao passo que, no texto original, a formiga foi indiferente a ela.
6) A moral da fábula aplica-se ao texto de Monteiro Lobato? Por quê?
Chave de resposta:
A moral da fabula não se aplica ao texto de Monteiro Lobato.
O texto de Monteiro Lobato traz uma perspectiva diferente sobre a relação trabalho X arte.
 A música da Cigarra foi valorizada pela Formiga, o que significa que a ideia de trabalho sofreu uma alteração, tal como se o ato de cantar pudesse ser considerado um tipo de trabalho, e, portanto, ser também reconhecido.
Na fábula original, a música da cigarra não tinha importância alguma.
 Ao contrário, significou a imprevidência da Cigarra.
TEXTO III
A CIGARRA E A FORMIGA (2009)
&n bsp; Millôr Fernandes
Cantava a Cigarra
Em dós sustenidos
Quando ouviu os gemidos
Da Formiga,
Que, bufando e suando,
Ali, num atalho,
Com gestos precisos
Empurrava o trabalho:
Folhas mortas, insetos vivos.
Ao ver a Cigarra
Assim, festiva,
A Formiga perdeu a esportiva:
"Canta, canta, salafrária,
E não cuida da espiral inflacionária!
No inverno,
Quando aumentar a recessão maldita,
Você, faminta e aflita,
Cansada, suja, humilde, morta,
Virá pechinchar à minha porta.
E, na hora em que subirem
As tarifas energéticas,
Verá que minhas palavras eram proféticas.
Aí, acabado o verão,
Lá em cima o preço do feijão,
Você apelará pra formiguinha.
Mas eu estarei na minha
E não te darei sequer
Uma tragada de fumaça!"
Ouvindo a ameaça,
A Cigarra riu, superior,
E disse com seu ar provocador:
"Você está por fora,
Ultrapassada sofredora.
Hoje eu sou em videocassete
Uma reprodutora!
Chegado o inverno,
Continuarei cantando
– sem ir lá –
No Rio,
São Paulo
Ou Ceará.
Rica!
E você continuará aqui
Comendo bolo de titica.
O que você gan ha num ano
Eu ganho num instante
Cantando a Coca,
O sabãozão gigante,
O edifício novo
E o des odorante.
E pos so viver com calma
Pois canto só pra multinacionalma".
(Fonte: Revista Veja , 08/07/2009, edição 2120)

7) O texto de Millôr Fernandes também trata de uma cigarra e de uma formiga.
Descreva o perfil das personagens segundo esse texto.
Chave de resposta:
No texto de Millôr Fernandes, a Formiga é uma pobre trabalhadora que enfrenta problemas de ordem econômica, como recessão e inflação.
Já a Cigarra, numa situação privilegiada, vive de cantar para comerciais (Coca, sabãozão gigante, edifício novo e desodorante), dos quais obtém um bom retorno.
Ambas as personagens trocam insultos uma com a outra.
8) Explique o que você entendeu do seguinte trecho:
“O que você ganha num ano
Eu ganho num instante
Cantando a Coca,
O sabãozão gigante,
O edifício novo
E o desodorante.
E posso viver com calma
Pois canto só pra multinacionalma".
Chave de resposta:
Esse trecho permite-nos interpretar que a Cigarra cantava como uma forma de ganhar dinheiro, fazendo comerciais para empresas multinacionais ou recebendo patrocínio delas.
9) Analisando as duas relações: da formiga com o trabalho, e da cigarra com a música, responda: que modificações o texto de Millôr Fernandes trouxe ao enredo da história, quando o comparamos aos dois textos anteriores?
Chave de resposta:
O trabalho da formiga, no texto de Millôr Fernandes, adquire um sentido de sacrifício.
 A formiga precisa se esforçar para sobreviver, o que lembra o contexto socioeconômico brasileiro de exploração do assalariado.
Já a Cigarra trabalha cantando, o que para ela é grande lucro.
Sobretudo em tempos atuais, quando fazer música e conseguir lucro não demanda nem muita técnica nem muita inspiração.
10) Discuta com seu professor o sentido de “espiral inflacionária” e “recessão”.
Chave de resposta:
“A recessão é um período em que ocorre um grande declínio na taxa de crescimento econômico de uma determinada região ou país.
Resulta na diminuição da produção e do trabalho, dos salários e dos benefícios das empresas.
Do ponto de vista dos empresários, recessão significa restringir as importações, produzir menos e aumentar a capacidade ociosa.
Para o consumidor, significa restrição de crédito, juros altos e desestímulo para compras.
Para o trabalhador, baixos salários e desemprego”.
“Em economia, inflação é a queda do valor de mercado ou poder de compra do dinheiro.
Isso é equivalente ao aumento no nível geral de preços.
Inflação é o oposto de deflação. Inflação zero, ou muito baixa, é uma situação chamada de estabilidade de preços”.
Após discutir as questões propostas com alunos, o professor fará uma conclusão que deve ser dirigida de forma que os alunos apreendam o sentido dado ao conceito de intertextualidade. Acerca disso, damos algumas diretrizes:
Você pôde observar que os três textos tratam de um mesmo tema e têm uma narrativa semelhante. Os dois últimos text os se baseiam no primeiro, a antiga fábula A Cigarra e a Formiga.
Logo, esses textos dialogam entre si, mesmo que um autor tenha uma perspectiva diferente da do outro.
A esse diálogo entre textos chamamos de intertextualidade.
Ela está presente em nossa língua a todo momento, uma vez que nem tudo o que falamos ou o que escrevemos é original.
Além disso, os textos que produzimos circulam socialmente, podendo modificar-se com o tempo, de acordo com nossas ideias, nossa visão de mundo, nossas intenções.
Nesse momento, o professor deve solicitar aos alunos que indiquem outros textos em que percebem relação de intertextualidade.
 Como exemplos, podem ser feitas referências a letras de música, a propagandas, a artigos de opinião, etc.
Recursos Complementares
Se for possível, o professor poderá mostrar aos alunos o vídeo disponível no seguinte endereço:
Trata-se de uma versão da fábula semelhante à de Millôr Fernandes.
Avaliação
Após realizar as atividades propostas, os alunos deverão ser capazes de compreender a intertextualidade e de identificar sua presença nos textos que lerão futuramente.
Com o objetivo de incentivar a prática de escrita dos alunos, apresentamos mais uma fábula, a seguir, e sugerimos, como avaliação, que os alunos escrevam individualmente uma versão diferente para ela, assim como Monteiro Lobato e Millôr Fernandes fizeram com a fábula A Cigarra e a Formiga.
É importante observar que a moral, fruto de uma ideologia particular, possa ser alterada de acordo com a visão de mundo do aluno.
TEXTO IV
A Leiteira e o Balde
Uma leiteira ia a caminho do mercado.
Na cabeça, levava um grande balde de leite.
Enquanto andava, ia pensando no dinheiro que ganharia com a venda do leite:
"Comprarei umas galinhas.
As galinhas botarão ovos todos os dias.
Venderei os ovos a bom preço.
 Com o dinheiro dos ovos, comprarei um vestido e um chapéu novo.
De que cor?...
Verde, tudo verde, que é a cor que me assenta bem.
Irei ao mercado com o vestido novo.
Os rapazes me admirarão, me dirão galanteios e eu sacudirei a cabeça... assim!..."
...E sacudiu a cabeça.
O balde caiu no chão e o leite todo espalhou-se.
A leiteira voltou com o balde vazio...
Como critérios de avaliação, o professor deverá avaliar a coerência e a originalidade nos textos produzidos.
Antes de os alunos darem início à produção de texto, sugerimos que o professor, baseando-se na fábula A Cigarra e a Formiga, mostre aos alunos como cada autor foi original ao escrever seu texto, a partir da seleção de palavras diferentes e de estruturas linguísticas específicas.
Vejamos a introdução de cada um deles:
La Fontaine:
“Tendo a cigarra cantado durante o verão, apavorou-se com o frio da próxima estação.
Sem mosca ou verme para se alimentar, com fome, foi ver a formiga, sua vizinha, pedindo-lhe alguns grãos para aguentar...”
Monteiro Lobato:
“Houve uma jovem cigarra que tinha o costume de chiar ao pé do formigueiro.
Só parava quando cansadinha; e seu divertimento era observar as formigas na eterna faina de abastecer as tulhas...”
Millôr Fernandes
“Cantava a Cigarra em dós sustenidos quando ouviu os gemidos da Formiga, que, bufando e suando, ali, num atalho, com gestos precisos empurrava o trabalho...”

 

 
 
 


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O flautista de Hamelin>Aula>Intertextos de cada dia - 11/06/11


Os intertextos nossos de cada dia ...

Autor: Walleska Bernardino Silva
Co-autor:Eliana Dias
Estrutura Curricular
 Língua Portuguesa:
 Análise linguística: modos de organização dos discursos
Língua oral e escrita: prática de produção de textos orais e escritos
Relações sociopragmáticas e discursivas
Língua oral e escrita: historicidade da linguagem e da língua
Linguagem escrita: leitura e produção de textos
 Produção, leitura, análise e reflexão sobre linguagens
Dados da Aula
O que o aluno poderá aprender com esta aula:
■Compreender textos relacionando-os a outros textos (noção de intertextualidade);
■identificar a relação entre texto e imagem;
■reconhecer a importância do diálogo entre textos para a produção de sentidos;
■identificar os tipos de intertextualidade: epígrafe, citação, paráfrase, paródia, pastiche, tradução,referência e alusão.
Duração das atividades: 2 aulas de 50 minutos
Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno
■Noção de linguagem, língua e texto.
■Relações intertextuais.
■Conhecimento do gênero propaganda.
Estratégias e recursos da aula
Estratégias:
■atividades em duplas;
■discussão coletiva;
■dinâmica de correlação entre nome e exemplar intertextual.
Recursos:
■data show;
■quadro;
■xerocópias de textos.
Aula 1
Atividade 1
O professor iniciará a aula mostrando aos alunos, por meio do data show, a tirinha do Snoop:
Em seguida, questionará apenas oralmente:
■Vocês conseguiram compreender a tirinha?
■Por que vocês acreditam que isso aconteceu?
O professor fará com que os alunos reflitam que o conhecimento da expressão “Flautista de Hamelin” é crucial para o entendimento da tirinha.
Para comprovar essa afirmação, o professor lerá em voz alta a história “O flautista de Hamelin”:
 

O flautista de Hamelin
Irmãos Grimm

Ninguém conseguia imaginar a causa de tal invasão e, o que era pior, ninguém sabia o que fazer para acabar com tão inquietante praga.
Por mais que tentassem exterminá-los, ou ao menos afugentá-los, parecia ao contrário que mais e mais ratos apareciam na cidade.
Tal era a quantidade de ratos que, dia após dia, começaram a esvaziar as ruas e as casas, e até mesmo os gatos fugiram assustados.
Ante a gravidade da situação, os homens importantes da cidade, vendo perigar suas riquezas pela voracidade dos ratos, convocaram o conselho e disseram: Daremos cem moedas de ouro a quem nos livrar dos ratos.
Pouco depois se apresentou a eles um flautista taciturno, alto e desengonçado, a quem ninguém havia visto antes, e lhes disse: "A recompensa será minha. Esta noite não haverá um só rato em Hamelin".
Dito isso, começou a andar pelas ruas e, enquanto passeava, tocava com sua flauta uma melodia maravilhosa, que encantava aos ratos, que iam saindo de seus esconderijos e seguiam hipnotizados os passos do flautista que tocava incessantemente.
E assim ia caminhando e tocando, levou-os a um lugar muito distante, tanto que nem sequer se poderia ver as muralhas da cidade.
Por aquele lugar passava um caudaloso rio onde, ao tentar cruzar para seguir o flautista, todos os ratos morreram afogados.
Os hamelineses, ao se verem livres das vorazes tropas de ratos, respiraram aliviados.
E, tranquilos e satisfeitos, voltaram aos seus prósperos negócios e tão contente estavam que organizaram uma grande festa para celebrar o final feliz, comendo excelentes manjares e dançando até altas horas da noite.
Na manhã seguinte, o flautista se apresentou ante o Conselho e reclamou aos importantes da cidade as cem moedas de ouro prometidas como recompensa.
Porém esses, liberados de seu problema e cegos por sua avareza, reclamaram: “Saia de nossa cidade!
Ou acaso acreditas que te pagaremos tanto ouro por tão pouca coisa como tocar a flauta?".
 E, dito isso, os honrados homens do Conselho de Hamelin deram-lhe as costas dando grandes gargalhadas.
Furioso pela avareza e ingratidão dos hamelineses, o flautista, da mesma forma que fizera no dia anterior, tocou uma doce melodia uma e outra vez, insistentemente.
Porém esta vez não eram os ratos que o seguiam, e sim as crianças da cidade que, arrebatadas por aquele som maravilhoso, iam atrás dos passos do estranho músico.
De mãos dadas e sorridentes, formavam uma grande fileira, surda aos pedidos e gritos de seus pais que, em vão, entre soluços de desespero, tentavam impedir que seguissem o flautista.
Nada conseguiram e o flautista os levou longe, muito longe, tão longe que ninguém poderia supor onde, e as crianças, como os ratos, nunca mais voltaram.
E na cidade só ficaram seus opulentos habitantes e seus bem repletos celeiros e bem cheias despensas, protegidas por suas sólidas muralhas e um imenso manto de silêncio e tristeza.
E foi isso que se sucedeu há muitos, muitos anos, na deserta e vazia cidade de Hamelin, onde, por mais que se procure, nunca se encontra nem um rato, nem uma criança.
Sugestão :






Depois que os alunos leram a história silenciosamente, o professor deverá perguntar:
■E, agora, a compreensão de vocês com relação à tirinha mudou?
■O que lhes possibilitou isso?
O professor, a partir dessas perguntas, discutirá ainda oralmente com os alunos sobre a necessidade do conhecimento de outros textos ou a relação que devemos empreender entre os textos para a compreensão de uma dada produção.
Atividade 2
O professor agora mostrará à turma, no data show, textos diversos que necessitam para sua compreensão do conhecimento de outros textos que já circulam ou circularam socialmente.
 A cada apresentação, pedirá um aluno para explicar oralmente a qual texto a imagem ou produção se relaciona.
a)

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjg0-N1SCsIlKaM2j5zq5dQstIPRRvmvkUOEPrueKKr6XwtYSTIMGV4Orzu4Ud8VxAZrqFcl7YLysDOEeuqRxwDltruHmBa7Tu9Vh93cU-EwvA6oV1dUDiQg-VNJtDuv2UvI4Co3cU06nM/s1600-h/Chico.jpg  

b)

c)
d) Propaganda televisiva

                                            http://www.youtube.com/watch?v=SpZOQ0aZsXk
e)Filme Shereck

Ao final das discussões, o professor formalizará, no quadro, com os alunos, o conceito de intertextualidade: “Relação ou diálogo entre textos”.

Atividade 3
Produção de texto:
Nesta atividade, o professor solicitará aos alunos, que trabalharão em duplas, a produção de uma propaganda, cujo objetivo seja vender a importância da intertextualidade para a comunicação, seja esta por meios verbais ou não.
Importante: professor, oriente seus alunos sobre a relevância da identificação de outros textos na e para a comunicação. Faça isso ao longo das discussões propostas na atividade 2.
Aula 2
Atividade
Nesta aula, o professor deverá propor uma aula lúdica, uma disputa entre grupos:
Nesta aula, os alunos conhecerão os tipos de intertextualidade: epígrafe, citação, paráfrase, paródia, pastiche, tradução, referência/alusão.
Para organizar esse conhecimento, o professor deverá levar para a sala fichas contendo os nomes dos tipos de intertextos.
 Dividirá a sala em dois grupos e para cada um entregará fichas que contenham os nomes dos 7 tipos de intertextos que serão trabalhados.
A tarefa dos alunos será a de relacionar a ficha recebida contendo nome do tipo de intertexto com o seu exemplar.
O grupo campeão será aquele que tiver o maior nº de acertos.
Importante: caso o professor deseje grupos menores na sala, basta fazer mais fichas e levar mais exemplares de textos ou xerocopiá-los em maior número.
EXEMPLOS DOS TIPOS DE INTERTEXTOS:
a) EPÍGRAFE
Constitui uma escrita introdutória de outra.
Em uma dissertação de mestrado da área de Literatura, encontra-se no início do texto a seguinte frase:
“A literatura é um assunto sério para um país; ela é, no fim de contas, o seu rosto." (Louis Aragon)
b) CITAÇÃO
É uma transcrição de texto alheio, marcada por aspas.
Barack Obama, na reunião do G20, disse para Lula: “Esse é o cara!”.
c) PARÁFRASE
Uma pessoa reproduz com suas próprias palavras o texto de outrem.
Texto Original:
PARA ONDE?
Assim dá para organizar bolsa de apostas: qual será, afinal, o destino de Fernandinho Beira-Mar? Os advogados do traficante tentam, no STJ, anular a decisão do Ministério da Justiça e garantir sua volta para Bangu 1 Mas o ministro da Justiça, embora afirme que Beira –Mar não permanecerá mais do que trinta dias preso em São Paulo, garante que ele não voltará para o Rio e nem será transferido para o Acre. (Jornal Zero Hora, março de 2003)
PARÁFRASE:
PARA ONDE?
Dessa forma é possível organizar bolão de apostas: qual deverá ser, finalmente, o destino de Fernandinho Beira-Mar?
 Os advogados do traficante buscam, no STJ, a anulação da decisão do Ministério da Justiça, o que garantiria seu retorno a Bangu 1.
Porém, o ministro da Justiça, apesar de afirmar que Beira-Mar permanecerá no máximo 30 dias preso em São Paulo, assegura que o detento não retornará para o Rio e também não será transferido para o Acre.
Textos disponíveis em:
d) PARÓDIA
Apropriação de um texto para romper com ele, criando uma imitação na maioria das vezes cômica, satírica.
“Meus oito anos
Oh! Que saudade que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais
Que amor, que sonhos, que flores
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras
Debaixo dos laranjais!”
(Casimiro de Abreu)
"Meus oito anos
Oh! Que saudade que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais
Naquele quintal de terra
Da rua São Antonio
Debaixo da bananeira
Sem nenhum laranjais!”
(Oswald de Andrade)
e) PASTICHE
Há muito, muitíssimo tempo, na próspera cidade de Hamelin, aconteceu algo muito estranho: uma manhã, quando seus gordos e satisfeitos habitantes saíram de suas casas, encontraram as ruas invadidas por milhares de ratos que iam devorando, insaciáveis, os grãos dos celeiros e a comida de suas bem providas despensas. Imitação de uma obra; pode ser plágio.
Modernamente, o pastiche pode ser visto como uma espécie de colagem ou montagem, tornando-se uma paródia em série ou colcha de retalhos de vários textos.
Os livros Amor de Capitu, de Fernando Sabino, e Capitu – Memórias Póstumas, de Domício Proença Filho, que reescreveram Dom Casmurro, de Machado de Assis.
f) TRADUÇÃO
Recriação do texto fonte em outra língua.
“Once upon a midnight dreary, while I ponde-red weak and weary (…)” (Edgar A. Poe)
“Numa meia noite agreste, quando eu lia, Lento e triste (...)” (Fernando Pessoa)
“Em certo dia, à hora, à hora Da meia-noite que apavora (...)” (Machado de Assis)
Fonte: CONSOLARO, H. Intertextualidade: um rio com discurso. In: Revista Língua Portuguesa, edição 21, Editora Escala Educacional. ISSN 1984-3682.
g) REFERÊNCIA E ALUSÃO
É a remissão a outros textos, pessoas, situações etc.
Em Dom Casmurro, Machado de Assis cita Otelo, de Shakespeare.
Depois de realizadas as relações de forma não sistematizada pelo professor, o docente corrigirá a atividade explicando oralmente cada uma das intertextualidades pedidas. O grupo vencedor será aquele que conseguir relacionar corretamente o exemplar ao tipo de intertexto correto.
Recursos Complementares
Para leitura do professor:
Blog sobre intertextualidade: http://drikamil-adriana.blogspot.com/  
MAIA, Maria Cristina de Mota. Intertextualidade. Disponível em: http://acd.ufrj.br/~pead/tema02/intertextualidade2.htm  
ZANI, Ricardo. Intertextualidade: considerações em torno do dialogismo´. In: Em Questão, Vol. 9, No 1 (2003). Disponível em: http://www.seer.ufrgs.br/index.php/EmQuestao/article/viewArticle/65  
Avaliação
Os alunos serão avaliados com base no reconhecimento dos intertextos e sua relevância propostos nas atividades da aula 1 (participação na discussão coletiva e produção de uma propaganda com o objetivo de vender a importância da intertextualidade para a construção de sentidos) e na atividade de associação da aula 2 entre tipos de intertextos e exemplares.
O foco da avaliação deve centrar-se na identificação da intertextualidade, ou seja, no reconhecimento do diálogo, da relação entre os textos.



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