Sete patinhos na lagoa, escrito por Caio Riter e ilustrado por Laurent Cardon, retoma a estrutura versificada com enumeração decrescente da brincadeira tradicional do tangolomango para contar a história de sete patinhos que, um a um, desaparecem na bocarra do jacaré Barnabé, de bafo pestilento e dentes pontudos.
O primeiro patinho a sumir é o menorzinho:
ESTAVA LÁ, TODO ALEGRE E FACEIRO,
DO SUSTO JÁ ESQUECIDO,
QUANDO VIU NO MEIO DA ÁGUA,
UM RABO BEM VERDE E COMPRIDO.
QUIS CORRER, QUIS GRITAR,
NÃO TEVE TEMPO, ERA TARDE,
POIS O JACARÉ BARNABÉ, DE UM PULO,
ENGOLIU O PEQUENO SEM ALARDE.
As quadrinhas contam como cada patinho desaparece na pança do jacaré, até que o último deles provoca uma reviravolta na história e… os leitores que chegarem ao final do livro vão descobrir o que acontece.
As ilustrações expressivas de página inteira e páginas duplas apresentam os patinhos e o enorme jacaré em diferentes situações, imprimindo um tom bem humorado à história e enriquecendo a leitura do texto ao reforçar os significados dos versos e acrescentar outros.
Por suas qualidades, o livro permite diferentes aproximações: poderá ser lido pelo adulto para os que ainda não foram alfabetizados ou por crianças que já lêem sozinhas (a impressão em letra bastão, com certeza, auxilia a leitura dos pequenos). Poderá também ser explorado / brincado em leituras em voz alta, quando os pequenos leitores poderão experimentar os sobressaltos, rimas, ritmos, sentidos e duplos sentidos do sumiço progressivo dos patinhos na lagoa.
Vale o mergulho…
Atividade sugerida
Na capa do livro, em dois planos, temos: na parte superior, sobre a
superfície das águas de um lago ou rio, sete patinhos, e, no plano inferior,
debaixo d’água, um grande jacaré.
O que se destaca para a exploração da
imagem é o campo de visão dos personagens. Os patinhos, com expressão
apreensiva, parecem procurar algo; o jacaré, sem ser visto, está à espreita,
de olho nos patinhos.
A partir da cena que anuncia o perigo, perguntas
podem ser feitas para instigar a curiosidade das crianças:
“Quem são
os bichos dessa história?”, “O que eles fazem?”, “Os patinhos podem
ver o jacaré?”, “O jacaré vê os patinhos?”.
Como a história se estrutura
como um conto de repetição, para o qual é relevante o conhecimento
de números, outro aspecto a ser explorado nas questões diz respeito à
noção de quantidade:
“Quantos patinhos aparecem na capa do livro?”,
“Quantos jacarés aparecem?”. Depois da conversa sobre os componentes das imagens da capa, passa-se ao título, através
do qual se tem a confirmação de que se trata
de uma lagoa e de que os patinhos são mesmo
sete.
O fato de o nome do jacaré não aparecer
no título já indica uma direção de
afinidades que propõe uma identificação entre a criança e
os patinhos da história.
Sob a forma de versos e
com alguma rima, um pequeno texto explicativo na contracapa acentua a situação de perigo
– sob a constante ameaça do “terrível jacaré”
– dos patinhos, apenas sinalizada na ilustração
da primeira capa.
Com certeza, a exploração da
capa contará com muitos conhecimentos que
as crianças trazem sobre esses bichos.
2.2 - Explorando a linguagem poética
Do ponto de vista temático, outras histórias
infantis trazem esse tipo de conflito, que se manifesta
entre um personagem forte e personagens
aparentemente fracos, mas que encontram
maneiras de vencer o perigo (Os três porquinhos
e Os sete cabritinhos são dois bons exemplos para
este caso).
Essas relações intertextuais podem ser
exploradas, por meio de comentários e perguntas
adequadas aos repertórios das crianças, tudo feito
na hora certa durante as interações mediadas.
Na
oralização do texto, a forma como a história é
narrada, em estrofes e versos rimados, propicia
uma leitura dramatizada, para a qual contam as
ênfases, as modulações, o reforço às expectativas
geradas pelas situações de perigo que estruturam
a narrativa de suspense, dosando pausas ou
aceleração da leitura, nos momentos oportunos.
A identificação dos numerais que estruturam a
narrativa deve também ser focalizada pelo mediador,
de forma lúdica, durante a leitura, com apoio
nas ilustrações que favorecem a contagem pelas
próprias crianças.
Elas vão, assim, percebendo, em
contagem regressiva, a diminuição do número de
patinhos, a cada nova investida do jacaré Barnabé.
Por ser uma história extensa, quando comparada
a outras endereçadas a crianças pequenas, desta
mesma faixa etária, é preciso criar estratégias
para despertar e manter a atenção das crianças.
Uma destas estratégias consiste em não perder o foco no eixo principal da narrativa que tem
como estrutura básica:
1) a redução paulatina do
número de patinhos;
2) o perigo permanente
que os ameaça;
3) as artimanhas do jacaré para
devorar cada um deles – nestes momentos, pode se
intensificar o clima de suspense – e, por fim,
a pergunta que permanece na cabeça do leitor
durante toda a história:
4) como os patinhos vão,
afinal, se salvar?
2.3 - Explorando a linguagem visual
As ilustrações do livro se aproximam de desenhos
de animação, dadas as suas dimensões e o
efeito de movimento que produzem.
Para contar
a história às crianças, é preciso portanto estar bem
próximo delas para que as ilustrações sejam bem
visualizadas à medida que o texto verbal avança.
Elementos da composição das imagens
podem ser fatores de ampliação do suspense
em algumas passagens:
“Estava lá, todo alegre e
faceiro,/do susto já esquecido,/quando viu nomeio da água,/um rabo bem verde e comprido”; na página que traz este texto, na lagoa, vazada
na página, surge o enfático contraste entre
o patinho na sua pequenez e um grande pedaço
de rabo, o que deixa ainda maior a situação de
perigo que se apresenta ao leitor.
Detalhes como
este podem e devem ser mostrados durante a
leitura do texto verbal para as crianças.