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Colaboração e Direitos

Colaboração e Direitos Autorais
Olá amiga(o) ,
Fui professora dos projetos "Estímulo À Leitura",
"Tempo Integral" e a favor da leitura lúdica,
afinal, quer momento mais marcante que a fantasia da vida?
Portanto, será um prazer receber sua visita em mais um blog destinado a educação.
Nele pretendo postar comentários e apreciações de materiais didáticos de Língua Portuguesa, além de outros assuntos pertinentes, experiências em sala de aula, enfocando a interdisciplinaridade e tudo que for de bom para nossos alunos.
Se você leu, experimentou, constatou a praticidade de algum material e deseja compartilhar comigo,
esteja à vontade para entrar em contato.
Terei satisfação em divulgar juntamente com seu blog, ou se você não tiver um, este espaço estará disponível dentro de seu contexto.
Naturalmente, assim estaremos contribuindo com as(os) colegas que vêm em busca de sugestões práticas.
Estarei atenta quanto aos direitos autorais e se por ventura falhar em algo, por favor me avise para que eu repare os devidos créditos.
Caso queira levar alguma publicação para seu blog, não se
esqueça de citar o "Linguagem" como fonte.
Você, blogueira sabe tanto quanto eu, que é uma satisfação ver o "nosso cantinho" sendo útil e nada mais marcante que
receber um elogio...
Venha conferir,
seja bem-vinda(o)
e que Deus nos abençoe.
Krika.
30/06/2009

Linguagem social...

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Comemoração

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JUNHO 2019
17 ANOS DE LITERATURA INFANTIL
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Mostrando postagens com marcador Flávio de Souza. Mostrar todas as postagens
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sábado, julho 20, 2019

Pula que pula>Adivinhas>Onde está o rabo do sapo>O sapo>Atividades sequenciadas>20/07/2019

Pula que pula
Shirley Souza
O livro "Pula que Pula!!!" conta a história de um bicho que adora pular...E esse bicho vai dar muitas pistas para você adivinhar quem ele é: como nasceu, onde vive, que cara tem...
Pronto para descobrir quem pula sem parar?
Proposta de atividades
Pula que pula!!! é uma charada proposta por um bicho que gosta mesmo é de pular. 
Como em uma adivinha, em forma de quadrinhas, o narrador dá pistas sobre sua identidade, citando características físicas, habitat, alimentação, sempre guiando o leitor de modo divertido. 
Ao final da história, o animal revela-se um sapo. 
O apêndice informativo traz diversos dados sobre os sapos e a sua importância para o meio ambiente.


Telma G.C.Andrade
Depois de conceber todas as coisas, o Criador percebe que esqueceu um detalhe: falta o rabo dos animais. Então, Ele os reúne na floresta, para que cada um escolha o seu. Será que o sapo chegará a tempo para escolher o seu? 
PDF: AQUI
Ouvindo: AQUI

Proposta de atividades sequenciadas para alfabetizar letrando
Contém: Leitura de contos modernos, clássicos,acumulativos,informativos,poesias
AQUI
Aula/Como o sapo é por dentro
AQUI
Projetos sapos
AQUI
AQUI

Abaixo links para facilitar/acrescentar sua pesquisa

O sapo
Flávio de Souza
Coleção : Qual é o bicho?
Traz classificação cientifica e atividades sobre o sapo.
Apresenta as características do habitat do sapo.



Atividade interpretativa tema sapo
Música/história o sapo sapo-Flávio de Souza
AQUI
A boca do sapo
AQUI
A princesa e o sapo
AQUI
Texto acumulativo
A história da pimenta
AQUI
Aula/Leitura acumulativa
AQUI
Maria Bonita





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segunda-feira, julho 15, 2019

Nove chapeuzinhos>Versões divertidas da Chapeuzinho e seu lobo>Reescritas>Que história é essa?>15/07/2019

"Não há história que só possa ser contada de uma única maneira. Mas, então, se de algum modo ela é alterada, continua a ser a mesma história? Reinventar histórias conhecidas aguça a percepção de que o mundo é feito de múltiplos pontos de vista."


Flávio de Souza

Em 1697, foi publicado na França Histórias ou contos de outrora, livro escrito pelo funcionário civil aposentado Charles Perrault (1627-1703), que incluía histórias hoje mais do que conhecidas nossas, como A Bela Adormecida, O Barba-Azul, O Gato de Botas, Cinderela, O Pequeno Polegar e... Chapeuzinho Vermelho.
Nessa primeira versão publicada, o Lobo Mau simplesmente devora a vovó e a Chapeuzinho Vermelho e fim. Mas muitas outras versões vieram depois dessa, com diversos desfechos - ora o Lobo Mau engole as duas, ora a Chapeuzinho se defende...

Agora é a vez de Flavio de Souza entrar nessa brincadeira.

Em Nove Chapeuzinhos ele cria divertidas versões para essa história, mudando sempre o lugar e a época em que ela se passa.
Seja no período cretáceo, entre os dinossauros; na Índia, há três mil anos; na mitológica Grécia Antiga; em Pindorama, por volta de 1500; numa floresta da Inglaterra, na Idade Média; na capital do Império do Brasil, em 1889; em Minas Gerais, algum tempo atrás; em 2001, escrita em 1901; ou em 3006, escrita em 2006, a Chapeuzinho, sua avó e o Lobo Mau fazem a festa, trocando de sotaque, roupa e penteado. Cada versão ganhou a contribuição de um ilustrador diferente.
Reescrita/Aula

Leituras intertextuais
Uma prática possível/Atividades
Estas atividades envolvem a comparação de textos em diversos gêneros, o que possibilita ao aluno desenvolver a capacidade de compreender melhor o que lê. Para tanto, as unidades estão organizadas através de textos e suas relações intertextuais, o que certamente servirá de motivação para a leitura. Sendo assim, torna-se possível perceber as ideias que se cruzam no interior de diferentes textos. Sua ação, professor, alicerçará todo o processo de desenvolvimento do aluno, sendo o incentivador e mediador no ato da leitura. Antes mesmo de iniciar o trabalho, é feito o levantamento prévio do aluno a respeito do que já conhece sobre o assunto a ser tratado para que comece a interagir com o texto e queira descobrir algo mais na leitura. Assim, ele passa a refletir e busca a construção de sentido para o texto. A importância da intertextualidade está no enriquecimento da leitura e da produção escrita do aluno. Por isso, as atividades abrangem a relação entre textos, o que é necessário para que o aluno estruture a habilidade de analisar o modo como o tema é tratado pelo autor, bem como a circunstância de produção, recepção e circulação dos textos. Com a leitura de gêneros diversificados espera-se que o aluno desenvolva a capacidade de analisar criticamente o texto e perceba a função social da linguagem, o que consequentemente, melhorará a postura crítica em relação a sua produção escrita.
Várias atividades
7º momento sobre esta obra acima,página 15
Flávio de Souza
Volume 1
Nessa homenagem aos personagens secundários dos contos de fadas, quem narra a história da Bela Adormecida é um dragão que come salsichas. A história de Chapeuzinho Vermelho é contada pelo caçador. O livro foi construído um pouco à maneira dos jogos eletrônicos: se o leitor entrar na história de Cinderela por uma porta "errada", vai olhar a mesma história pelos olhos do lagarto que se transformou em criado de libré: tudo muda, mas a essência da história permanece inalterada.

Atividades
Sequência didática
Contos de fadas






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sexta-feira, janeiro 18, 2019

Chapeuzinho adormecida no país das maravilhas>Projeto>Príncipes e princesas,sapos e lagartos>18/01/2019


Você deve estar se perguntando: “Mas que confusão é essa? 
Parece que alguém se enganou com o nome do livro!” Não precisa se espantar! 
No mundo mágico da literatura há espaço para todo tipo de imaginação.
 É o caso desse surpreendente livro.

Desta vez quem conta, ou melhor, tenta contar-nos uma história é um pai, muito atrapalhado, e por isso engraçado.
Sobre o autor

Projeto


O conto “Miranda e Leo Lorival” trata da história de uma princesa e um príncipe que se apaixonam na infância. Quando ficam sabendo do casamento combinado pelos pais, pensam que perderão para sempre seu grande amor e fazem tudo para escapar do compromisso assumido. Esse conto se desenvolve em cinco capítulos, intercalados por outros pequenos contos, e o livro pode ser lido de várias maneiras. De forma muito criativa, o autor conta sobre reinos em guerra, príncipes, princesas, sapos, um lagarto metido a dragão, um dragão de verdade e muito mais...

Aula: Interpretando um conto
Atividades
Texto 3
O príncipe desencantado

O problema de Clóvis
AQUI
A princesa e o sapo do jeito que o príncipe contou



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quinta-feira, outubro 26, 2017

Coletânea de textos/Contos>Interpretação>26/10/2017


O árabe e o vizinho
Conto e atividade

Sequência didática com conto curtos
Localizar informações explícitas no texto, com ênfase no gênero conto;
Fazer a interpretação do texto e descrever objetos, situações, fenômenos, lugares etc;
Trabalhar algumas classes gramaticais.
AQUI
Textos com interpretação 1ºano/poesias/cantigas
Clique para ver ampliando

Textos com interpretação/3º ano

Textos com interpretação/4º ano

Textos com interpretação/5ºano

Contos de fadas/5º ano
Chapeuzinho vermelho
Teatro
O príncipe desencantado
Flávio de Souza

Aula
Interpretando um conto de fadas

Teatro
Comédia para crianças
Eram quatro vezes
Flávio Souza
Sobre o livro
AQUI








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terça-feira, dezembro 06, 2011

A garota do capuz vermelho> Conto>Suspense> 06/12/11


A GAROTA DO CAPUZ VERMELHO

As aparências enganam...
Vamos ler?



Descrição do texto
A aventura de uma garota que precisa levar uma encomenda para a avó através da floresta.
 Você conhece essa estória, mas não desse jeito...

Manhã de sábado, a polícia vasculha a área ao redor da casa que teria sido palco de um estranho e inexplicável episódio. O interior da casa apresentava sinais evidentes de luta; marcas e rastros de sangue se espalhavam por toda a parte, no entanto não havia qualquer vestígio da proprietária ou da menina que supostamente teria se dirigido para lá na noite anterior. Mais dois jovens também eram dados como desaparecidos. Uma capa de chuva com capuz de cor vermelha encontrada no quintal teria sido a única pista que teriam.
Na noite anterior...
A menina seguia com passos firmes e decididos, sua pressa era legítima. Recebera uma missão da mãe, uma tarefa importante para ela e crucial para alguém por quem nutria um sentimento muito especial, a avó. Dentro da mochila carregava os remédios imprescindíveis para a manutenção da saúde da senhora. Era para ela ter seguido para lá mais cedo, no entanto os hormônios em ebulição, sinais típicos da fase na qual recém entrara, a detiveram além do tempo usual na companhia do namorado, agora seria necessário correr para evitar maiores problemas em casa.
A noite havia caído há algumas horas e junto dela uma chuva insistente e fria, a falta de condução para aquela parte da cidade agravava-se consideravelmente com a chegada do final de semana, nas noites de sexta-feira o subúrbio se tornava um verdadeiro deserto urbano, a agitação ficava do outro lado, na zona sul mais especificamente.
Uma longa via não pavimentada levava até a residência da senhora, uma pequena casa quase esquecida que ficava incrustada ao pé da serra, não seria prudente para ela seguir pela trilha que passava por dentro do parque da cidade apenas para ganhar tempo, pois rumores davam conta de que o local seria freqüentado por toda sorte de maus elementos: viciados em drogas, delinqüentes e assaltantes oportunistas.
A escuridão proporcionada pela ausência do poder publico colaborava e servia de abrigo para ações desse tipo. Na verdade, até mesmo atravessar a estrada àquela hora já seria um ato arriscado, ainda mais com a queda de energia elétrica naquela região, fato causado pela tempestade insistente.
Embora gostasse de exaltar sua modernidade e maturidade, e de clamar pela independência, a menina sentia-se desprotegida e receosa, de fato estava preenchida pelo medo. Olhava constantemente para o aparelho celular na esperança tola de que por algum milagre o sinal de recepção surgisse na tela, algo que nunca acontecera naquela área.
Ela tentava assobiar uma canção enquanto buscava aumentar o ritmo das passadas, nada de visualizar a casa da avó, o vento cortante acoitava-lhe o rosto, a água gelada a fazia tremer. O silêncio quase absoluto agigantava até mesmo o mais leve ruído, e isso a permitiu perceber o som característico de passos logo atrás dela.
O ritmo dos seus batimentos cardíacos aumentou em proporção semelhante à violência da cascata que era derramada pelas nuvens, suas pernas perderam as forças e começaram a bambear. Petrificada como estava, temia em virar a cabeça e encarar quem ou o que estava às suas costas, mas mesmo assim sabia que não tinha escolha, e desta forma o fez. Seus olhos mal puderam acreditar no que via:
- Você?!?
O medo da menina imediatamente fora substituído por outro sentimento, algo mais próximo à repulsa.
- Quem você esperava, queridinha? O lobo mau?
O tom debochado era uma característica inerente a personalidade de Igor.
- Seria bem melhor do que me deparar com você!
Bianca detestava o rapaz, desafeto declarado do namorado no colégio. Na realidade Igor era ignorado por quase todos, a esquisitice não era uma particularidade muito apreciada.
- Cuidado, Bia! Você não sabe o que diz. Vai que você é atendida nos seus desejos. A propósito, onde está seu namorado? Como ele te deixa andar por essas ruas debaixo dessa chuva?
- Ele, ele, ele disse que não poderia, pronto! Mas você não tem nada a ver com isso! Não é da sua conta! E me deixe que preciso seguir meu caminho, não posso perder tempo. E não me chame de Bia!
- Para onde você vai?
- Vou te responder, mas me deixe em paz. Preciso ver minha avó, ela está doente, diabetes, tem problemas com o açúcar...
- Então nada de doces na mochila para ela...
- Idiota!
- Tudo bem, Bia. Mas, cuidado, esse percurso é longo e deserto. Fique atento com o que pode estar por perto.
A garota se virou sem nem ao menos ouvir o comentário, muito menos perceber o sorriso do rapaz no canto da boca, nem o leve aceno de cabeça, em sinal de negativa.
Bianca seguia furiosa, porém um pouco menos tensa, o bastante para se encher de confiança e atravessar a trilha pelo meio do bosque. Uma vez lá dentro, se sentia uma tola por não ter tomado essa decisão anteriormente. Nada havia ali, talvez os meliantes tão destacados nas recomendações da mãe tivessem fugido da tempestade.
A fúria da água tornava a capa da garota, supostamente impermeável, um mero adereço, sobretudo o capuz que lhe ocultava a cabeça e que mesmo assim não evitava que seus cabelos, de cor tão escarlate quanto o acessório, ficassem totalmente ensopados.
A monotonia fora quebrada por uma incômoda sensação, era claro, perceptível, quase palpável que estava sendo acompanhada de perto. Praguejou pela existência do irritante rapaz, ele não havia desistido de segui-la, assim pensou. No entanto, um grito aterrador seguido por um urro, um uivo que se assemelhava às trombetas do inferno invadiu-lhe os tímpanos, de modo que todos os temores que havia sentido até então naquela noite se tornassem insignificantes.
Então correu, correu como pôde, tentava se concentrar única e exclusivamente na missão de vencer os domínios daquele mar de trevas, precisava chegar à casa da avó. Conforme se aproximava, ficava mais nervosa e então fora acometida por uma constatação terrível e desesperadora, o som que ouvia não se originava do complexo de árvores e arbustos, ele se espalhava pelo local a sua frente, na direção de onde seguia.
Chegando ao descampado nos arredores da pequena residência, sentiu-se vulnerável e solitária, ficou estagnada. A essa altura a chuva deixava de cair e as nuvens carregadas abriam-se lentamente permitindo que os contornos de uma lua redonda e tímida fossem visíveis.
Ainda que a área estivesse mergulhada nas trevas, Bianca, com os olhos lavados pelas lágrimas, conseguiu distinguir no gramado as manchas escuras e o rastro de um líquido pegajoso que seguia para os fundos da casa.
Ela não precisava ver a cor viva e rubra do líquido, sabia muito bem o que era, e essa certeza a fez perder o chão, desabou completamente as suas estruturas. A jovem estava ciente de que não haveria escapatória, e por isso decidiu entrar na casa e enfrentar o que lá estivesse. Seguiu lentamente, com passos calculados, até a pequena varanda cujo assoalho era revestido por pedras polidas e envernizadas, mesmo com toda a cautela, se descuidou e seu equilíbrio foi traído pela armadilha úmida do piso.
Com a queda feriu os joelhos e gritou de dor, o sangue derramado deixou ainda mais ativo aquele que a aguardava. A porta da sala estava destrancada, algumas velas acesas davam um tom mórbido ao lugar.
- Vovó? - Chamou a menina com a voz cortada por soluços e choramingos. Não encontrou resposta, como o seu coração previra.
Continuou em direção aos aposentos da idosa, não tinha esperança em encontrá-la viva, mas precisava conferir com os próprios olhos e encarar o algoz. Dobrou o corredor, e então visualizou uma sombra que começava a se projetar na parede alimentada pela luminosidade tênue das velas. Conforme a sombra se aproximava, mais a angústia se apoderava dela. Fechou os olhos e apertou os punhos contra o peito, iniciou uma oração com um tom de voz inaudível, ela sentia a presença maligna mais perto, já não conseguia mais rezar, desabou num choro incontido, então, sentiu um toque gelado no seu braço, soltou um grito.
- Bianca!
Ela abriu os olhos e chorou ainda mais, desta vez de alegria.
- Marcelo! Ah, Marcelo! Que bom que você está aqui...
A menina saltou sobre ele enlaçando-o num abraço apertado, a felicidade era tamanha que demorou a perceber algo que não se encaixava: o que o namorado fazia na casa da avó?
Como se pudesse antecipar-se ao questionamento, Marcelo começou a falar baixinho, bem próximo do ouvido da jovem.
- Sabe, Bia, eu poderia falar para você que estou aqui porque me senti mal por deixá-la sair sozinha a essa hora, que fiquei preocupado e tudo mais...
Nesse momento Bianca caiu em si e tentou virar o rosto para fitar o namorado, mas fora contida pela força do abraço, cada vez mais potente, impossível de se libertar.
- No entanto, eu estaria mentindo se dissesse isso. Na verdade, o motivo que me traz aqui é o mesmo que escorre agora pelos seus joelhos. Sim, querida, o seu sangue. Sabe, esta manhã você se cortou no treino na escola e pela primeira vez o perfume do seu sangue invadiu a minha mente. Eu juro que não tinha intenção de fazer isso com você, afinal, eu a amo, mas não consigo tirar essa idéia da cabeça, é mais forte do que eu. Desta forma, aproveitei essa oportunidade para fazer essa visita e te encontrar aqui.
- A minha...minha avó...
- Não se preocupe com ela, Bia. Logo você a encontrará, só espero que você tenha um gosto mais saboroso do que a carne insossa daquela velha...
O rapaz empurrou a namorada sobre a cama e posicionou-se em frente a porta a fim de evitar qualquer tentativa de fuga. Arrancou as roupas e abriu os braços, imediatamente bolhas surgiram sobre toda a sua pele. Espasmos e convulsões o dominaram, seu corpo contorcia-se incontrolavelmente, ele emitia sons estranhos, uma mescla de gritos, gargalhadas, rosnados. Parecia sentir uma dor infernal, a expressão de seu rosto era a própria tradução da histeria. Seus olhos eram duas esferas incandescentes, amedrontadoras. Bianca não conseguia desviar o olhar, estava estarrecida, como alguém poderia ter os olhos tão grandes?
As orelhas que se projetavam não ficavam atrás, certamente a criatura poderia ouvir bem melhor com elas. O som de ossos sendo partidos, um ranger seco se propagando, um uivo agudo se espalhando, era uma canção do inferno.
Bianca fitava a criatura revestida por pêlos escuros e fartos, o rosto do namorado havia desaparecido, seu nariz costumava ser tão bonito, agora estava disforme, um focinho hediondo e perturbador. Para que ele precisaria de um nariz tão grande?
Possivelmente para completar-se com a mandíbula escancarada de onde escapava uma gosma esbranquiçada e fétida que espumava entre os dentes longos e afiados. A garota temia pela certeza que tinha mediante a cena que estava diante de si. A boca da fera era enorme e estava preparada para devorá-la.
O lobo saltou sobre ela, a garota jogou-se no chão conseguindo livrar o pescoço, que era o alvo da fera, mas não com eficiência suficiente para evitar que as lâminas em forma de dentes resvalassem sobre a pele de sua perna.
Bianca levantou-se ignorando a dor e tentou escapar pela porta, mas fora alcançada pelo golpe potente efetuado por uma das patas do demônio. Quatro valas foram abertas nas frágeis costas da garota. Ela sentia que não haveria jeito de fugir, desta vez não evitaria o golpe derradeiro do namorado, estava conformada com o destino.
A besta projetou novo salto, voou pelo ar, mas sua investida fora frustrada por algo que riscou o ar e a atingiu entre os olhos. O corpo gigantesco do lobo tombou no solo e lá ficou, parado ao lado da garota estava o carrasco.
O rapaz segurava um revólver calibre .38, o único artefato de prata que estava no tambor fora projetado por ele e agora estava alojado no crânio de Marcelo, encerrando, assim, os ciclos amaldiçoados da fera e também a sua vida.
- Você está bem, Bianca?
- Acho que estou, Igor e, por favor, me chame de Bia.
O garoto esboçou um sorriso e esticou a mão para ela. Dirigiram-se para a porta, lá fora a noite não dava sinais de que uma terrível tempestade havia infestado os céus instantes antes. A lua se apresentava plena e radiante, tornando mais amena a situação para Bianca. Igor falava incessantemente enquanto andava, a menina quase não o ouvia, estava entretida, fascinada por aquele brilho suave, que de alguma forma estranha deixava tudo tranqüilo.
- Então, Bia, conforme eu falava, há algum tempo eu desconfiava das atitudes estranhas do Marcelo, eu o segui várias vezes e descobri...Bia? Bia?
A menina estava imóvel, nenhuma roupa revestia seu corpo, a capa de chuva com capuz vermelho estava jogada próximo aos seus pés, ela exibia um olhar estranho e perdido. Contra todo o bom senso, Igor se aproximou, logo a menina soltou um grito, bolhas surgiram no seu corpo esguio enquanto se contorcia involuntariamente. Igor nunca mais seria visto, o corpo de Marcelo, que jazia no quarto da avó desapareceria vítima do apetite feroz que surgia, o ciclo renasceria mais voraz do que nunca e se instalaria em um outro lugar, longe dos olhos conhecidos. Nem sempre o caçador vence no final, às vezes, em alguns contos, os caldeirões são manipulados pelas fadas...
Os direitos autorais deste texto pertencem à Flávio de Souza
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