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Nele pretendo postar comentários e apreciações de materiais didáticos de Língua Portuguesa, além de outros assuntos pertinentes, experiências em sala de aula, enfocando a interdisciplinaridade e tudo que for de bom para nossos alunos.
Se você leu, experimentou, constatou a praticidade de algum material e deseja compartilhar comigo,
esteja à vontade para entrar em contato.
Terei satisfação em divulgar juntamente com seu blog, ou se você não tiver um, este espaço estará disponível dentro de seu contexto.
Naturalmente, assim estaremos contribuindo com as(os) colegas que vêm em busca de sugestões práticas.
Estarei atenta quanto aos direitos autorais e se por ventura falhar em algo, por favor me avise para que eu repare os devidos créditos.
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Krika.
30/06/2009

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segunda-feira, dezembro 05, 2011

Gênero literário> Suspense>Assombração>05/12/11

Quem conta um causo aprende a ler

O suspense dos contos de assombração ajudou a professora Rosany a dar continuidade à alfabetização de sua turma de 2ª série e a resgatar as histórias contadas pela comunidade
Medo, arrepios, suspense e calafrios.
Essas foram algumas das expressões usadas pelos alunos de 2ª série da Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Associação da Paz, de Paragominas (PA), para caracterizar os contos de assombração.
Essas narrativas, assustadoras e cativantes, fizeram parte das aulas de Língua Portuguesa das crianças durante o primeiro semestre do ano passado.
Disposta a dar continuidade à alfabetização da turma iniciada em 2004, a professora Rosany de Fátima Silva Guerreiro, 31 anos, escolheu os causos de arrepiar contados pelos pais e pelos familiares dos alunos como tema de seu projeto.
 A professora, que leciona há 14 anos, se inspirou em atividades que ela mesma vivenciou durante o programa de formação Escola que Vale - mantido pela Companhia Vale do Rio Doce em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de Paragominas.
Rosany propôs diversas situações para que os alunos se apropriassem da linguagem escrita e oral.
Cada aluno teve contato com pelo menos uma dezena de livros do gênero, produziu cinco reescritas, elaborou um caderno de contos e participou de sarau literário com colegas de outras turmas e de outra escola.
Passo a passo e metodologia
1. A Leitura e a escolha dos contos
Os momentos em que Rosany lia histórias de assombração para a turma eram de puro encantamento e magia.
Essa atividade marcava o início de um processo que se repetiria várias vezes durante o projeto.
Atenta aos detalhes, a garotada começou a perceber as características específicas desse tipo de narrativa (contos de assombração nunca começam com "era uma vez...", mas com "certa noite", "em um local tenebroso" ou algo tão assustador quanto).
Rosany anotou as observações e as colocou em um cartaz.
Foi enriquecedor também quando ela pediu aos estudantes para contar em quais momentos sentiram mais medo e de que forma ele se manifestou.
Como o corpo reagiu às situações assustadoras?
O coração bateu mais rápido?
Os olhos se arregalaram?
"Isso foi importante para que eles identificassem e descrevessem as emoções", analisa Rosany.
Depois de nomear e escrever na lousa todas aquelas sensações, a professora solicitou que, coletivamente, eles fizessem o reconto oral, enquanto ela transcrevia esse novo texto.
2. Correção coletiva
Quando os alunos já estavam familiarizados com as novas palavras e com a história, Rosany entregou uma cópia do conto original a cada um para que acontecesse a leitura compartilhada.
Nesse momento, a turma acompanhava no papel a leitura em voz alta da professora.
Depois, cada um fez a própria reescrita.
Desses textos individuais, a professora escolheu alguns para a revisão coletiva.
Ela copiava um na lousa e as crianças davam palpites: alguns sugeriam palavras mais adequadas às situações narradas; outros percebiam erros ortográficos ou de concordância.
Durante essa atividade, Rosany chamava a atenção para a estrutura narrativa e para a pontuação correta, ressaltando sempre a intenção do autor.
Depois, todos liam e copiavam o texto revisado.
Esse processo foi realizado com diversas histórias.
Além de servir de escriba para os pequenos em produções coletivas, Rosany também organizou a classe em duplas em vários momentos para que os já alfabetizados escrevessem o texto elaborado pelos que ainda não dominavam a linguagem escrita.
3. Produção e apresentação
Durante o projeto, os alunos fizeram contato com as demais turmas e também com outra escola para chamá-las para o sarau literário.
Escolhido o público, vez ou outra o grupo parava a atividade de reescrita e redigia um bilhete para os convidados contando como andava o projeto e o que estava sendo preparado para o evento.
 Rosany ensaiou várias vezes com os estudantes os contos que seriam apresentados.
Nessas ocasiões, ela analisou a clareza da fala e a entonação, o ritmo e a seqüência dos fatos narrados.
No dia do sarau, não faltaram fantasmas, mulas-sem-cabeça, sacis, esqueletos e muitos balões pretos na decoração do palco.
As crianças, seguras do que estavam falando, conseguiram até botar medo nos colegas que assistiram à apresentação.

Língua Portuguesa
TEMA DO TRABALHO
Leitura e escrita de contos de assombração
2ª série
Objetivos e conteúdos
A principal meta de Rosany era dar seqüência à alfabetização e à formação de leitores e escritores competentes.
Neste projeto, que teve a duração de quatro meses, os alunos conheceram um gênero da literatura pouco utilizado em sala de aula, os contos de assombração.
Eles aprenderam a ouvir e a contar histórias, a planejar a escrita e a fazer a revisão dos textos e comentários sobre os livros lidos.
Avaliação
Comparando as redações feitas no início e no final das atividades, Rosany constatou o desenvolvimento da escrita da turma, com a diminuição do número de alunos pré-silábicos e silábicos e o aumento da porcentagem de alfabéticos e silábico-alfabéticos.


Ilustração: Rogério Nunes

Recado de Fantasma

Tudo começou quando nos mudamos para aquela casa.
Era um antigo sobrado, com uma grande varanda envidraçada e um jardim.
Eu me sentia tão feliz em morar num lugar espaçoso como aquele, que nem dei atenção aos comentários dos vizinhos, com quem fui fazendo amizade.
 Eles diziam que a casa era mal-assombrada.
Alguns afirmavam ouvir alguém cantando por lá às sextas-feiras.
- Deve ser coisa de fantasma! - falavam.
- Se existe, nunca vi! - E então contava a eles que as casas antigas, como aquela, com revestimentos e assoalho de madeira, estalam por causa das mudanças de temperatura.
Isso é um fenômeno natural, conforme meu pai havia me explicado.
Mas meus amigos não se convenciam facilmente.
 Apostavam que mais dia menos dia eu levaria o maior susto.
Certa noite, três anos atrás, aconteceu algo impressionante.
Meus pais haviam saído e eu fiquei em casa com minha irmã, Beth.
Depois do jantar, fui para o quarto montar um quebra-cabeça de 500 peças, desses bem difíceis.
Faltava um quarto para a meia-noite.
 Eu andava à procura de uma peça para terminar a metade do cenário quando senti um ar gelado bem perto de mim.
As peças espalhadas pelo chão começaram a tremer.
Vi, arrepiado, cinco delas flutuarem e depois se encaixarem bem no lugar certo.
Fiquei tão assustado que nem consegui me mexer.
Só quando tive a impressão de ouvir passos se afastando é que pude gritar e sair correndo escada abaixo. Minha irmã tentou me acalmar, dizendo que tudo não passava de imaginação, mas eu insisti e implorei que ela viesse até o quarto comigo.
Uma segunda surpresa me esperava: o quebra-cabeça estava montado, formando a imagem de uma casa com um jardim bem florido.
 No entanto, meu jogo formava o cenário de uma guerra espacial, eu tinha certeza!
No dia seguinte, fui até a biblioteca pesquisar o tema.
Eu e Beth encontramos dúzias de livros que tratavam de fatos extraordinários e aparições.
 E a explicação para eventos desse tipo foi a seguinte:
*Espaço reservado para a imaginação da turminha

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Hoje minha casa tem o jardim mais bonito da rua.
Centenas de lindas margaridas brancas florescem a maior parte do ano (para total espanto da vizinhança).
O fantasma?
Nunca mais vi.
Decerto passeia feliz pelo jardim, nas noites de lua cheia.
Conto de Flavia Muniz, ilustrado por Rogério Nunes



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