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Colaboração e Direitos

Colaboração e Direitos Autorais
Olá amiga(o) ,
Fui professora dos projetos "Estímulo À Leitura",
"Tempo Integral" e a favor da leitura lúdica,
afinal, quer momento mais marcante que a fantasia da vida?
Portanto, será um prazer receber sua visita em mais um blog destinado a educação.
Nele pretendo postar comentários e apreciações de materiais didáticos de Língua Portuguesa, além de outros assuntos pertinentes, experiências em sala de aula, enfocando a interdisciplinaridade e tudo que for de bom para nossos alunos.
Se você leu, experimentou, constatou a praticidade de algum material e deseja compartilhar comigo,
esteja à vontade para entrar em contato.
Terei satisfação em divulgar juntamente com seu blog, ou se você não tiver um, este espaço estará disponível dentro de seu contexto.
Naturalmente, assim estaremos contribuindo com as(os) colegas que vêm em busca de sugestões práticas.
Estarei atenta quanto aos direitos autorais e se por ventura falhar em algo, por favor me avise para que eu repare os devidos créditos.
Caso queira levar alguma publicação para seu blog, não se
esqueça de citar o "Linguagem" como fonte.
Você, blogueira sabe tanto quanto eu, que é uma satisfação ver o "nosso cantinho" sendo útil e nada mais marcante que
receber um elogio...
Venha conferir,
seja bem-vinda(o)
e que Deus nos abençoe.
Krika.
30/06/2009

Linguagem social...

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JUNHO 2019
17 ANOS DE LITERATURA INFANTIL
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quarta-feira, fevereiro 29, 2012

Poesias > Helena Kolody> Biografia>Notícias>




A esperança engana.
Mente o sonho.
Eu sei.

Que mentiras lindas
eu mesma inventei
e contei pra mim ...
O Dom de Sonhar
Helena Kolody


Sonhar

Sonhar é transportar-se em asas de ouro e aço
Aos páramos azuis da luz e da harmonia;
É ambicionar o céu; é dominar o espaço,
Num vôo poderoso e audaz da fantasia.

Fugir ao mundo vil, tão vil que, sem cansaço,
Engana, e menospreza, e zomba, e calunia;
Encastelar-se, enfim, no deslumbrante paço
De um sonho puro e bom, de paz e de alegria.
É ver no lago um mar, nas nuvens um castelo,
Na luz de um pirilampo um sol pequeno e belo;

É alçar, constantemente, o olhar ao céu profundo.
Sonhar é ter um grande ideal na inglória lida:
Tão grande que não cabe inteiro nesta vida,
Tão puro que não vive em plagas deste mundo.






Trouxe do blog




Poesia mínima



“Pintou estrelas no muro
e teve o céu
ao alcance das mãos.”


 
 
 
Jornal:
Notícia de sua morte:
Brasil perde Helena Kolody
18/02/04
por Diogo Dreyer

Morreu em Curitiba, no dia 14 de fevereiro, a poetisa Helena Kolody. A autora, que completaria 92 anos em outubro, publicou mais de 25 livros e era considerada uma das mais influentes escritoras paranaenses.
O Brasil perdeu Helena Kolody, considerada uma das vozes mais importantes da história da literatura do estado do Paraná. A poetisa morreu no Hospital de Caridade de Curitiba (antiga Santa Casa de Misericórdia) em conseqüência de uma arritmia cardíaca.
Muitas pessoas estiveram presentes no enterro, desde familiares e amigos até ex-alunas da época em que Helena lecionava na então Escola Normal de Curitiba, hoje Instituto de Educação, instituição à qual dedicou 23 anos de sua vida. Também não faltaram integrantes da Academia Paranaense de Letras, onde, desde 1991, a autora ocupava a cadeira de número 28.
Dedicada à arte de escrever de forma sucinta e singela sobre sentimentos ao mesmo tempo preciosos e corriqueiros da vida, Helena deixa como legado vários livros de poemas. Hábil com as palavras, ela tinha uma desenvoltura natural para haicais e tankas — que são pequenos poemas de origem japonesa —, de versos simples, mas profundo significado.
Além de sua obra, a escritora paranaense, que nasceu na cidade de Cruz Machado, no sul do estado do Paraná, deixa como lembrança sua personalidade doce, seu bom humor e sua disposição para ajudar quem mais necessitava.

http://www.educacional.com.br/noticiacomentada/040218_not01.asp

“Palavras são pássaros,
Voaram!
Não nos pertencem mais.”

Prece
Concede-me, Senhor, a graça de ser boa,
De ser o coração singelo que perdoa,
A solícita mão que espalha, sem medidas,
Estrelas pela noite escura de outras vidas
E tira d’alma alheia o espinho que magoa.

Arco-íris no céu.
Está sorrindo o menino
que há pouco chorou
 
Vida
Semente oculta na polpa do fruto,

A morte habita o âmago da vida.
Demora em nós a eternidade
E espera que se cumpra
O tempo da sazão.
Tombaremos no solo escuro.
Do alto ramo oscilante,
Procuraremos ignorá-lo.
Semente oculta na pola do fruto.
A vida brota do âmago da morte,
Imperecível


Maquinomem
O homem esposou a máquina

e gerou um híbrido estranho:
um cronômetro no peito
e um dínamo no crânio.
As hemácias de seu sangue
são redondos algarismos.
Crescem cactos estatísticos
em seus abstratos jardins.
Exato planejamento,
a vida do maquinomem.
Trepidam as engrenagens
no esforço das realizações.
Em seu íntimo ignorado,
há uma estranha prisioneira,
cujos gritos estremecem
a metálica estrutura;
há reflexos flamejantes
de uma luz imponderável
que perturbam a frieza
do blindado maquinomem



Retorno

Voltando em busca de mim

encontrei-me diferente
quase desconhecida
(Porém a luz recolhida,
era a minha alma de sempre.)


Apelidos

Eram Jucas e Chiquinhos,

Ninas, Lolas, Mariquitas.
Apelidos que o amor
seleva nas criaturas.
Hoje são números.
(Computadores não programam ternura)


(para uma criança da favela)
Canção de ninar


Criança, és fio d'água
Triste desde a fonte.
Humilde plantinha
Nascido em monturo:
Quanta ausência mora
Nesse olhar escuro!
Recosta a cabeça
Na minha cantiga
Deixa que te envolva,
Que te beije e embale


Retrato antigo

1988

Quem é essa
que me olha
de tão longe,
com olhos que foram meus?





Olhos de antes

Em vão percorro a cidade
com meus olhos de antes.
As ruas não são as mesmas...
E são outros os passantes





Bailarina

Dança a labareda branca
num lampejo de beleza.
Em silenciosa eloqüência
sua expressão corporal
delineia o pensamento.
Leve, o gesto devaneia,
transfigura em movimento
o motivo musical



Infância

Aquelas tardes de Três Barras
Plenas de sol e de cigarras!
Quando eu ficava horas perdidas
Olhando a faina das formigas
Que iam e vinham pelos carreiros,
No áspero tronco dos pessegueiros.
A chuva-de-ouro
Era um tesouro,
Quando floria.
De áureas abelhas
Toda zumbia.
Alfombra flava
O chão cobria...
O cão travesso, de nome eslavo,
era um amigo, quase um escravo.
Merenda agreste:
Leite ciroulo,
Pão feito em casa,
Com mel dourado,
Cheirando a favo.
Ao lusco-fusco, quanta alegria!
A meninada toda acorria
Para cantar, no imenso terreiro:
"Mais bom dia, Vossa Senhoria"...
"Bom barqueiro! Bom barqueiro..."
Soava a canção pelo povoado inteiro
E a própria lua cirandava e ria.
Se a tarde de domingo era tranqüila,
Saía-se a flanar, em pleno sol,
No campo, recendente a camomila.
Alegria de correr até cair,
Rolar na relva como potro novo
E quase sufocar, de tanto rir!
No riacho claro, às segundas-feiras,
Batiam roupas as lavadeiras
Também a gente lavava trapos
Nas pedras lisas, nas corredeiras;
Catava limo, topava sapos
(Ai, ai, que susto! Virgem Maria!)
Do tempo, só se sabia
Que no ano sempre existia
O bom tempo das laranjas
E o doce tempo dos figos...
Longínqua infância... Três Barras
Plena de sol e cigarras!



Fio d'agua

Não quero ser o grande rio caudaloso
Que figura nos mapas.
Quero ser o cristalino fio d’água
Que canta e murmura na mata silenciosa

Trouxe daqui:
http://horasaveludadas.blogspot.com/2008_08_01_archive.html


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Helena kolody> 29/02/12


A padroeira da poesia paranaense

Depoimento de krika
Os paranaenses, em especial ,estarão comemorando neste ano de 2012 o centenário de Helena Kolody.
Fui pesquisar sua vida e obra a pedido de uma colega virtual, que certamente é do Paraná...
Confesso: não conhecia Helena Kolody.
Parei pra pensar: quanta coisa não sei ainda....E o tempo urge!
Fiquei encantada com sua biografia...Daí surgiramm as fotos, que com o passar da idade registraram esta expressão emocionada aí a cima.
Daí eu fico em ebulição, .....Igual uma chaleira dágua assobiando e fervendo no fogo....
Eu fico comovida em ser apresentada a alguém. Não importa se via Google, via olho no olho, o interessante é que divago em tantos pensamentos,querendo digitar rápido pra não perder a inspiração...Que acabo não dizendo coisas concretas.
Mas juro que tento!
Bem, importante aqui é que conheci esta poeta paranaense...
Meu haicai :
Seus olhos vividos
fizeram os meus
indagarem sobre
minh"alma...
Aqui postei uma notícia do início das comemorações,ano passado:
As comemorações do centenário de nascimento da poeta paranaense Helena Kolody (1912 – 2004), que acontece de fato em outubro do ano que vem, começam hoje a partir das 18 horas no piso L1 do Shopping Palladium.
É lá que será lançada a antologia Infinita Sinfonia, com todos os livros de poemas da escritora – à exceção, portanto, da obra em prosa Memórias de Nhá Mariquinha – reunida e organizada pela também poeta Adélia Maria Woellner.
O lançamento coincide com o grande momento que vive a obra da autora – Helena receberá, por meio de sua família, no próximo mês em Recife, a Ordem do Mérito Cultural, uma das maiores homenagens da literatura brasileira.
Adélia, que conviveu durante muito tempo com a autora, conta como reuniu a antologia:
“Eu sabia também que a obra dela já estava esgotada nas livrarias, e como sabia que as escolas não teriam muito recurso para fazer a comemoração do centenário, resolvi fazer esse livro.
Mas se me perguntar o porquê, não vou saber responder, foi por impulso!”, conta, rindo.
Organizado em ordem cronológica inversa, ou seja, começando pelo último livro de haicais Reika (1993) e terminando com Paisagem Interior (1941), além de outros poemas avulsos, Infinita Sinfonia acompanha também um CD, com músicas de diversos compositores dedicadas à poeta. Além de nomes como Isso Fischer, Sérgio Justen e Beto Capeletto, as duas primeiras faixas do álbum contam com nada menos que a voz da própria Helena Kolody: cantando a música “Ramona”, na abertura do curta-metragem A Babel da Luz, do diretor Sylvio Back, e recitando o poema “Saga”, numa gravação rara cedida pela TV Educativa do Paraná.
De acordo com Adélia, tudo foi arranjado entre seus amigos.
“Não busquei qualquer recurso público para produzir a antologia.
A impressão, o pagamento de direitos autorais, o projeto gráfico, tudo foi arranjado graças a outras pessoas, que também admiravam a obra da Helena.
Quanto aos músicos, nenhum exigiu qualquer retribuição pela divulgação das composições.
Um chamou o outro e conseguimos reunir um excelente material de homenagem e registro histórico dessa grande artista paranaense”.
”Não quero ser o grande rio caudaloso
Que figura nos mapas.
Quero ser o cristalino fio d’água
Que canta e murmura na mata silenciosa.”
(in Sinfonia da Vida, Pólo Ed. do PR, 1997, p.28 e 29)
  Vida e Obra de Helena Kolody

Seus pais foram imigrantes ucranianos que se conheceram no Brasil. Helena passou parte da infância na cidade de Rio Negro, onde fez o curso primário.
Estudou piano, pintura e, aos doze anos, fez seus primeiros versos.
Seu primeiro poema publicado foi A Lágrima, aos 16 anos de idade, e a divulgação de seus trabalhos, na época, era através da revista Marinha, de Paranaguá.
Aos 20 anos, Helena iniciou a carreira de professora do Ensino Médio e inspetora de escola pública.
 Lecionou no Instituto de Educação de Curitiba por 23 anos.
 Helena Kolody, segundo o que consta em seu livro Viagem no Espelho, foi professora da Escola de Professores da cidade de Jacarezinho, onde lecionou por vários anos.
Seu primeiro livro, publicado em 1941, foi Paisagem Interior, dedicado a seu pai, Miguel Kolody, que faleceu dois meses antes da publicação.
Helena se tornou uma das poetisas mais importantes do Paraná, e praticava principalmente o haicai, que é uma forma poética de origem japonesa, cuja característica é a concisão, ou seja, a arte de dizer o máximo com o mínimo.
Foi a primeira mulher a publicar haicais no Brasil, em 1941.
Foi admirada por poetas como Carlos Drummond de Andrade e Paulo Leminski, sendo que, com esse último, teve uma grande relação de amizade pessoal e literária.
 
Obras
Paisagem Interior (1941)
Música Submersa (1945)
A Sombra no Rio (1951)
Poesias Completas (1962)
Vida Breve (1965)
Era Espacial e Trilha Sonora (1966)
Antologia Poética (1967)
Tempo (1970)
Correnteza (1977, seleção de poemas publicados até esta data)
Infinito Presente (1980)
Poesias Escolhidas (1983, traduções de seus poemas para o ucraniano)
Sempre Palavra (1985)
Poesia Mínima (1986)
Viagem no Espelho (1988, reunião de vários livros já publicados)
Ontem, Agora (1991)
Reika (1993)
Sempre Poesia (1994, antologia poética)
Caixinha de Música (1996)
Luz Infinita (1997, edição bilíngüe).
Sinfonia da Vida (1997, antologia poética com depoimentos da poetisa)
Helena Kolody por Helena Kolody (1997, CD gravado para a coleção Poesia Falada)
Poemas do Amor Impossível (2002, antologia poética)
Memórias de Nhá Mariquinha (2002, obra em prosa)
Poemas retirados de Viagem no Espelho, de Helena Kolody.)


RESSONÂNCIA
Bate breve o gongo.
Na amplidão do templo ecoa
o som lento e longo.


FLECHA DE SOL
A flecha de sol
pinta estrelas na vidraça.
Despede-se o dia.


NOITE
Luar nos cabelos.
Constelações na memória.
Orvalho no olhar.


SAUDADES
Um sabiá cantou.
Longe, dançou o arvoredo.
Choveram saudades.


REPUXO ILUMINADO
Em líquidos caules,
irisadas flores d'água
cintilam ao sol.


DEPOIS
Será sempre agora.
Viajarei pelas galáxias
universo afora.


ALQUIMIA
Nas mãos inspiradas
nascem antigas palavras
com novo matiz.


JORNADA
Tão longa a jornada!
E a gente cai, de repente,
No abismo do nada.


SEMPRE MADRUGADA
Para quem viaja ao encontro do sol,
é sempre madrugada.


RETRATO ANTIGO (1988)
Quem é essa
que me olha
de tão longe,
com olhos que foram meus?


VOZ DA NOITE (1986)
O sol se apaga.
De mansinho,
a sombra cresce.
A voz da noite
diz, baixinho:
esquece... esquece...


A MIRAGEM NO CAMINHO (1978)
Perdeu-se em nada,
caminhou sozinho,
a perseguir um grande sonho louco.
(E a felicidade
era aquele pouco
que desprezou ao longo do caminho).


DOM
Deus dá a todos uma estrela.
Uns fazem da estrela um sol.
Outros nem conseguem vê-la.


POESIA MÍNIMA
Pintou estrelas no muro
e teve o céu
ao alcance das mãos.

Curiosidades:
No que diz respeito à forma poética de composição, o haicai, Helena Kolody assimilou muito bem essa forma de poesia.
Segundo a Autora, foi através do Jornal de Letras e da correspondência com a escritora paulista Fanny Dupré, que teve conhecimento da poesia japonesa, em especial o haicai.
A poeta é capaz de síntese perfeita, baseando-se no jogo de palavras e no seu poder de revelação, pois seu texto convida à participação do leitor, com alto grau de comunicabilidade.
Viagem no Espelho, de Helena Kolody, reúne livros publicados pela autora, de 1941 a 1986.
Nessa publicação, encontram-se vários poemas que têm como assunto a própria poesia (metapoesia).
O tempo constitui "a nota mais relevante da obra", no dizer do crítico Antonio Manoel.
É obra representativa da poesia breve, portanto, nela, predominam os poemas curtos.
Cultora do haikai, Helena Kolody tem o poder de transformar sua sabedoria de vida em poemas luminosos, ainda que seus temas possam ser densos e mesmo trágicos: o amor, a morte, o tempo, o envelhecimento, a banalização da vida, a tecnologia destrutiva e a falta de fraternidade entre os seres humanos
Muito briguei eu comigo,
tive raiva,
me insultei.
E, de incontido desgosto,
em meu próprio ombro chorei.
(Eu Comigo – Helena Kolody)


Helena Kolody é a poeta do cotidiano, das realidades simples e comuns, interpretadas por sua sensibilidade e lirismo contagiante e libertador.
Sua poesia, profundamente lírica, com acentos existenciais, transparentes, revela uma construção poética alicerçada a partir das coisas simples e cotidianas.
Nas primeiras obras de Helena percebe-se que a poeta vai se encaminhando cada vez mais para a poesia intimista, confessional e auto-indagadora em que predomina o subjetivismo, a introspecção e o mergulho no mundo interior, no qual o Eu vai se desdobrando em imagens, deixando transparecer uma consciência de mundo projetada na questão pessoal e social.
Todavia, em suas obras posteriores, nota-se que aos poucos seus poemas vão se tornando sintéticos, condensados.
Cumpre destacar que já em sua primeira obra, Paisagem interior, são publicados três haicais: Prisão, Arco-íris e Felicidade, e que segundo Reinoldo Atem, "são os primeiros publicados no Paraná e demonstram sua tendência permanente e contínua para a brevidade reflexiva" (ATEM, 1990: 159).
Em Música submersa (1945), obra seguinte, percebe-se alguns poemas sintéticos, entre eles o haicai Pereira em flor (Viagem no espelho), elogiado por Carlos Drummond de Andrade, que diz ter encontrado com alegria poemas como esse, "em que à expressão mais simples e discreta se alia uma fina intuição dos ‘imponderável' poéticos" (In: Rumo paranaense, 1970: 4). Leia-se o poema:


De grinalda branca,
Toda vestida de luar,
A pereira sonha (p.189).


Haicai
[...]
O haicai é uma forma de poesia japonesa, pequeno poema de três versos, com cinco, sete e cinco sílabas sucessivamente.
 Ele evoca uma singela e delicada impressão do mundo, da natureza, do homem, das plantas ou dos animais; às vezes com um refinado toque de lirismo de caráter melancólico ou nostálgico, outras, com um rasgo de ligeiro humor (HUIZINGA, 1990: 138).
[...]
Os poemas de Reika exploram basicamente uma das vertentes temáticas preferidas da poesia de Helena: o poeta diante de si mesmo e da poesia.
Ela é poeta vigorosa que concilia perfeitamente a experiência da subjetividade com a objetividade, ou seja, emoção e razão, atualizando-se pelo nítido espírito de modernidade. Sua linguagem é densa de significação.
Seus versos são repletos de significados, sugestões e imaginação, que resultam numa poesia intelectual e emotiva, marcada pela síntese e pela moderna procura de uma semântica inventiva, instauradora de múltiplos sentidos, preocupada com a estética.
 Por essas razões, a poesia kolodyana se legitima, à definição de Octavio Paz: "Operação capaz de transformar o mundo, a atividade poética é revolucionária por natureza" (1982:15).


 Fontes:




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Oficinas de Haikais> 29/02/12



UM SARAU DE HAIKAIS
Observação: Os poemas poderão ser substituídos por outros de sua preferência, por exemplo, de Helena Kolody

 
O que o aluno poderá aprender com esta aula
• Observar a configuração desses textos, reconhecer e nomear seus elementos: título, verso, estrofe.
• Observar os recursos sonoros dos textos, repetições sonoras, rimas.
• Ler e analisar oral e coletivamente esses textos, atentando para a linguagem figurada, observando que essa linguagem pode sugerir interpretações diversas.
• Apreciar e reconhecer o valor literário de textos poéticos.


Duração das atividades
Aproximadamente 2 horas ou 02 encontros.

Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno
• Gênero textual: forma composicional, estilo, função, contexto de circulação.


Estratégias e recursos da aula
As estratégias a serem utilizadas são:
- aula interativa;
- trabalho em dupla;
- texto impresso;
- recital.


Desenvolvimento
1º passo:

- O professor deverá expor nas paredes da sala diferentes haikais.
 Seria interessante que cada haikai estivesse em uma folha de papel ofício com alguma figura que represente o pequeno poema.
Observar o exemplo a seguir.

Esta vida é uma viagem
Pena eu estar
Só de passagem

Paulo Leminski



2º passo:
- Expor em um cartaz, as principais características dos haikais (ver recursos educacionais) salientando para os alunos um pouco da origem desta forma poética (ver recursos complementares).
- Em seguida pedir que os alunos leiam os haikai afixados nas paredes da sala.
 A seguir, algumas sugestões:

A noite - enorme
Tudo dorme
Menos teu nome

Paulo Leminski



Hai Kai I
Na poça da rua
O vira-lata
Lambe a Lua.

Hai Kai II
A palmeira e sua palma
Ondulam o ideal
Da calma.

Hai Kai III
O veludo
Tem um perfume
Mudo.

Hai Kai IV
Meu dinheiro
Vem todo
Do meu tinteiro

Hai Kai V
Nos dias quotidianos
É que se passam
Os anos

(Millôr)


Abro o armário e vejo
nos sapatos meus caminhos —
Qual virá comigo?
Noitinha na várzea —
Com a lua na garupa
búfalos regressam.
Seis horas da tarde —
Sons de cigarras prolongam
os sinos do templo.
Quase desperdício —
Moscas sobre caquis podres
só o sapo as come.
Sol no girassol —
Sombra desenha outra flor
no corpo dourado.
Anibal Beça


3º passo:
- Após a leitura dos diferentes haikais, discutir as características desse gênero textual.
- Em seguida, solicitar que, em duplas, os alunos produzam haikais.
- Disponibilizar para cada dupla o primeiro verso do haikai, afim de que os alunos produzam os dois versos finais.
- Distribuir o primeiro versos em fichas para cada uma das duplas:

■Nunca tive medo
■Enfim, no meu caminho
■Coisa rara
■Quantas palavras de amor
■Sonhar com você

- Solicitar que as duplas produzam o haikai em folha de ofício com ilustrações que o representem.


4º passo:
- Pedir para que cada dupla memorize o haikai produzido em sala e um outro haikai de outro autor (para isto o professor poderá disponibilizar este haikai para os alunos ou pesquisar com os alunos na biblioteca ou no laboratório de informática). Cada dupla deverá memorizar os dois haikais para recitarem no sarau (este sarau pode acontecer no segundo encontro).


5º passo:
- Recitação de haikais pelas duplas em um sarau organizado para outras turmas da escola.


Recursos Educacionais
Características dos Haikais
• Haikai é um poema de origem japonesa. Ele possui forma fixa: uma estrofe de três versos
• Consiste em 17 sílabas japonesas, divididas em três versos de 5, 7 e 5 sílabas
• Contém alguma referência à natureza (diferente da natureza humana)
• Refere-se a um evento particular (ou seja, não é uma generalização)
• Apresenta tal evento como "acontecendo agora", e não no passado.


Recursos Complementares
Sugestões de leitura para o professor e para o aluno sobre haikais:



Avaliação
A avaliação é processual e contínua, devendo ser realizada oral e coletivamente, enfocando a dinâmica do grupo, identificando avanços e dificuldades.
O desempenho dos alunos durante a aula, a realização das tarefas propostas, as observações e intervenções do professor, a auto - avaliação do professor e do aluno serão elementos essenciais para verificar se as competências previstas para a aula foram ou não desenvolvidas pelos alunos.
A criação e depois a participação no sarau serão instrumentos para a avaliação da aprendizagem dos alunos em relação a esse gênero textual.


Areia

Da estátua de areia,
nada restará,
depois da maré cheia.

Avesso

Seu olhar profundo
olha na poça d'água
e enxerga estrelas no fundo.

Gestação

Do longo sono secreto
na entranha escura da terra,
o carbono acorda diamante.

Luz Interior

O brilho da lâmpada
no interior da morada
empalidece as estrelas.

Sem aviso

Sem aviso,
o vento vira
uma página da vida.

Vamor saborear outros haicais, sem nome específico, o que era outra tendência mais clássica.

Haicais

Deus dá a todos uma estrela.
Uns fazem da estrela um sol.
Outros nem conseguem vê-la.

xxx
Corrida no parque.
O menino inválido
aplaude os atletas.

xxx

O brilho da lâmpada,
no interior da morada,
empalidece as estrelas.

xxx

Tão longa a jornada!
e a gente cai, de repente,
no abismo do nada

xxx

A morte desgoverna a vida.
Hoje sou mais velha
que meu pai.


Mas a poeta não fez apenas haicais.
Talvez pela prática ou por seu estilo poético mesmo, seus poemas tenham mantido sempre a simplicidade, um alto grau de limpidez, a precisão característica daquelas composições.
O leitor quase que identifica, em cada estrofe, um haicai.
Os temas foram, muitas vezes, a análise do ser humano e suas eternas circunstâncias, a inexorabilidade da vida diante da morte.

Antes
Antes que desça a noite,
imprimir na retina
os rostos amados,

o sol
as cores,
o céu de outono
e os jardins da primavera.

Inundar de sons
de vozes
e de música eterna
os ouvidos
antes que os atinja
a maré do silêncio.

Conquistar
os pontos culminantes
da vida,
antes que se esgote
o prazo de permanência
em seu território sagrado.

Pânico
Não há mais lugar no mundo.
Não há mais lugar.
Aranhas do medo
fiam ciladas no escuro
Nos longes, pesam tormentas.
Rolam soturnos ribombos.

Súbito,
precipita-se nos desfiladeiros
a vida em pânico.

Limiar
I
Da soturna jornada
Pelas brumosas sendas
Da anestesia,
Não guardei memória.
Sou um pêndulo que oscila
Dos limites da vida
Aos limites da morte.
Rubros lobos me espreitam silentes,
Numa densa garoa vermelha
Que lateja no ritmo da febre.
Venho à tona, por segundos,
E volto ao limo do sono.
Da sede, brota em meu sonho uma fonte:
Água fria em chão de pedra.
No fundo, uma alga se espreguiça
E essa alga sou eu.

Exilados
Ensimesmados,
olham a vida
como exilados
fitando o mar.
Não estão no mundo
como quem o habita.
Estão de visita
num planeta estranho.

Oscilação
A cada oscilar do pêndulo
algo se apaga
ou para nós termina.
De segundo em segundo,
algo germina
ou para nós floresce.
Jovem
Suporta o peso do mundo.
E resiste.
Protesta na praça.
Contesta.
Explode em aplausos.
Escreve recados
nos muros do tempo.
E assina.
Compete
no jogo incerto da vida.
Existe.
Tempo
Cai a areia da vida
Na ampulheta da morte.

Grafite
Meu nome,
desenho a giz
no muro de tempo.
Choveu,
sumiu.

A poeta também escreveu largamente sobre as viagens que o homem empreendeu ao espaço.
Mas, longe de ser uma apologia à tecnologia, Helena reconheceu no fato a mesmice humana, a repetição de sua condição de ser problemático, sendo a adoção da máquina e a descoberta do espaço um desdobramento das relações que estabelece em seu planeta.
Tais poemas, enfim, quase sempre, foram uma reflexão social e filosófica sobre ele.

Astronave
Soberbo monumento da astronáutica
num pedestal de cifras.
Bezerro de ouro,
cosmonave!
Milhares de famintos
baixaram ao vale da morte,
para que pudesse subir.

Selenita
O homem irá viver na Lua,
em cavernas.
Como se alegrará o troglodita,
soterrado em sólidas camadas
de civilização...

Obras
Poemas
Paisagem interior (1941- publica aqui os primeiros haicais);
Música submersa (1945);
A sombra no rio (1951);
Poesias completas (1962);
Vida breve (1965);
Era espacial e Trilha sonora (1966);
Antologia poética (1967);
Tempo (1970);
Correnteza (1977);
Infinito presente (1980);
Poesias escolhidas (1983, poemas traduzidos para o ucraniano);
Sempre palavra (1985);
Poesia mínima (1986);
Viagem no espelho (1988, reunião de livros anteriores) ;
Ontem, agora (1991);
 Reika (1993);
Sempre poesia (1994 – antologia);
Caixinha de música (1996);
Luz infinita (1997, edição bilíngue);
Sinfonia da vida (1997, antologia e depoimentos da poetisa);
Helena Kolody por Helena Kolody (1997, CD especial para a coleção Poesia Falada);
Poemas do amor impossível (2002, antologia).

Em prosa: Memórias de Nhá Mariquinha (2002).

Meu desejo, com este artigo, é ajudar a difundir a obra de Helena Kolody, que não teve um reconhecimento nacional à altura de seu talento (a foto acima é do Google).

Haicai
O estilo oriental de literatura pode
 abrir caminhos para o gosto pela poesia

Já se foi o tempo em que o haicai era uma tradição apenas dos primeiros imigrantes japoneses que chegaram por aqui no porto de Santos, no início do século XX. Helena Kolody, Mario Quintana, Alice Ruiz, Paulo Leminski, Guilherme de Almeida, Millor Fernandes e Thiago de Mello são alguns exemplos de autores bastante conhecidos por outros estilos literários, mas que também caíram nas graças dos haicais.

A forma poética apresentada em 17 sons divididos em três versos, sendo o primeiro de cinco sílabas, o segundo de sete e o terceiro de cinco; originalmente, não necessita pontuação, rima ou títulos, mas geralmente possui temáticas envolvendo questões da natureza.
Para alguns, além da brevidade e concisão exige até mesmo um certo estado de espírito.


Pintou estrelas no muro
e teve o céu ao
alcance das mãos
Helena Kolody


O haicai pode ser um grande motivador para iniciar o gosto pela poesia, que geralmente é deixada de lado, pela dificuldade de entendimento ou por falta de orientação de como ler esta forma textual.
Segundo Julio Rocker Neto, diretor editorial da Aymará, o haicai contém muito do que é preciso para aprender poesia: contato com a sintaxe poética (métrica, ritmo, algumas figuras de linguagem, etc.), percepção e observação e o cuidado com a linguagem.

Por ser poesia reduzida à expressão mais simples, uma emoção concentrada, uma síntese poética em três versos, possibilita uma percepção que talvez poemas mais longos ou de outras épocas não evoquem.

Há muitas formas de explorar este estilo literário em sala de aula.
Uma delas é levar o aluno a perceber a natureza, que é a temática mais característica dos haicais, pelos olhos do poeta e assim admirá-la, explorá-la e perceber a essência de um momento de reflexão e produção do poeta.
Outra é trabalhar observando as inflexões, as pausas para quebras de linhas, o desenho que é formado com as palavras e as emoções que elas provocam.

“Apesar de o haicai ter características próprias, é importante mostrar que, mesmo originalmente tendo uma forma fixa, essas regras são mais flexíveis na contemporaneidade e também não é necessário limitar o assunto somente à natureza”, avalia Rocker.

Uma prova de valorização deste estilo principalmente para o público infantil e juvenil foi a escolha do livro As quatro estações e outros haicais, de Massau Simizo, como finalista do prêmio “O Melhor para a Criança”, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil – FNLJ, recebendo o selo “altamente recomendável” pela fundação.
O autor, já falecido, é natural de Cerqueira César, SP, e formou-se nas primeiras turmas de medicina da USP, mas sua grande paixão, além de medicina, era a literatura, especialmente a poesia.
Sempre que tinha algum tempo vago, Massau escrevia haicais em qualquer pedaço de papel disponível.
Ganhou muitos prêmios, mas como era tímido, era com o nome da esposa, Lituka Simizo, que se inscrevia em concursos.
E por isso, quem tinha que receber os prêmios era a esposa, enquanto o autor se divertia na plateia.
Pena ele não ter escrito nenhum haicai sobre esta história.

Ipê florido,
Anualmente se renova.
E nós?
Massau Simizo



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Conteúdo: Poema
Tema: Haicai
Objetivo:
Produzir um haicai tendo em vista uma imagem.
Material:
Quadros de pinturas de paisagem, folhas de sulfite, lápis grafite.
Conhecimento Prévio:
Conhecer alguns poemas
Atividade Motivacional:
Apresente algumas figuras aos seus alunos.
Em seguida faça com eles uma leitura sobre as imagens e anote no quadro de giz as idéias principais.
Solicite aos alunos que escolham apenas uma imagem e comente que farão um poema sobre a ela.
Questione:
Vocês já ouviram falar sobre um tipo de poema chamado haicai?
Explore o significado da palavra “haicai”
Encaminhamento Metodológico:
Solicite aos alunos que tragam de casa um quadro de pintura de paisagem de que mais gostam.
Peça, então, que observem a imagem e criem seguindo as características do haicai, um poemeto para ser exposto junto à obra.
O Haikai é um poemeto popular, por isso usa palavras quotidianas de fácil compreensão, respeita a simplicidade, evita o raciocínio e expressa fielmente a sensibilidade do autor.
Métrica: 5 sílabas no primeiro verso, 7 no segundo e 5 no terceiro; mas não há exigência rigorosa.
Organize ao final da exposição um livro de haicais da turma com ilustrações dos próprios autores.
Avaliação:
Exponha os haicais com as respectivas imagens em mural externo à sala de aula.
Deixe exposto, junto ao trabalho dos alunos, algumas orientações ao público sobre o objetivo e a estratégia utilizados nas atividades.





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