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Colaboração e Direitos Autorais
Olá amiga(o) ,
Fui professora dos projetos "Estímulo À Leitura",
"Tempo Integral" e a favor da leitura lúdica,
afinal, quer momento mais marcante que a fantasia da vida?
Portanto, será um prazer receber sua visita em mais um blog destinado a educação.
Nele pretendo postar comentários e apreciações de materiais didáticos de Língua Portuguesa, além de outros assuntos pertinentes, experiências em sala de aula, enfocando a interdisciplinaridade e tudo que for de bom para nossos alunos.
Se você leu, experimentou, constatou a praticidade de algum material e deseja compartilhar comigo,
esteja à vontade para entrar em contato.
Terei satisfação em divulgar juntamente com seu blog, ou se você não tiver um, este espaço estará disponível dentro de seu contexto.
Naturalmente, assim estaremos contribuindo com as(os) colegas que vêm em busca de sugestões práticas.
Estarei atenta quanto aos direitos autorais e se por ventura falhar em algo, por favor me avise para que eu repare os devidos créditos.
Caso queira levar alguma publicação para seu blog, não se
esqueça de citar o "Linguagem" como fonte.
Você, blogueira sabe tanto quanto eu, que é uma satisfação ver o "nosso cantinho" sendo útil e nada mais marcante que
receber um elogio...
Venha conferir,
seja bem-vinda(o)
e que Deus nos abençoe.
Krika.
30/06/2009

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JUNHO 2019
17 ANOS DE LITERATURA INFANTIL
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terça-feira, julho 18, 2023

Tão-balalão, tão- balalim> Estímulos folclóricos>Badalando sinos> Embalando sons>18/07/2023

 

Autora: Neuza Lozano Peres
Ilustrações de Victor Tavares
Este livro, baseado no folclore português, tem em seu texto a sonoridade do badalar de um sino. 
Apresenta quadrinhas rimadas que tem a ver com antigas parlendas e acalantos usados para fazerem as crianças bem pequenas dormirem ou serem balançadas no colo dos adultos. 
Um dos exemplos mais conhecidos no folclore brasileiro é “Bambalalão, senhor capitão...”, pesquisado até mesmo por Heitor Villa-Lobos.


Os versos funcionam também para jogos corporais em que o movimento e o ritmo possam acompanhar as sílabas, recitadas de forma cantante.
Elementos da imaginação infantil também fazem parte desse universo, como o tambor e a dança, o burro e o cão, o macaco e a bruxa, o flautim e a menina.  Sowilo Editora

"Tão-balalão,
Soldado ladrão,
Menina bonita
Não tem coração."

Esta parlenda muito antiga era cantada durante uma brincadeira, em que uma criança era segurada pelos braços de outras mais velhas e "balançando" como um sino ou um badalo- um pequeno sino que se punha ao pescoço dos animais. Vejam  a letra : AQUI

"Tão-balalão,
Tão-balalim
Toca o tambor
E dança assim."

Sugestões motivadoras

Apresente o livro chamando a atenção para a capa, mostre o título, o nome da autora, do ilustrador e da editora. 
Explore a ilustração da capa. Abra o livro com eles, pedindo que apreciem as ilustrações e aproveitem para dizer os nomes dos elementos do cenário que aparecem na história.
Nesta história, cada página as estimula a imaginar e a transcender o que as ilustrações propõem.
É uma fase rica na qual a criança é fortemente motivada às descobertas e curiosidades do mundo natural e social. 
Esta obra apresenta quadrinhas rimadas inspiradas na cantiga popular Bambalalão, de curta extensão e com um projeto gráfico que reserva pouco texto por página, valorizando também a imagem.
A cantiga-brincadeira aciona facilmente a imaginação das crianças nessa etapa, o que favorece as práticas escolares.

Pergunte se conhecem a canção Bambalalão. Se sabem, cante com elas. Se não, ensine a elas e cantem juntos. Assim estarão comunicando suas ideias e sentimentos. (EI03CG01): Leia e releia as quadrinhas, sempre variando a forma: narrando-as convencionalmente, dramatizando-as e assumindo um personagem. Compare as versões portuguesa e brasileira com as rimas da autora, interligando-as, criando situações imaginárias, criativas .

O jogo da representação, protagonizado pela criança ao brincar, bem como o jogo da leitura, na qual ela mergulha despertam desejos e novos significados, sensações e emoções. O trabalho com rimas é importante, pois de forma lúdica promove uma percepção mais intensa dos sons da língua. Ao memorizar versos, cantigas, poemas, a criança pode realizar atividades de identificação no texto escrito daquelas palavras conhecidas oralmente.

Se o brinquedo é uma forma e apropriação do mundo pela criança, o livro literário pode ser considerado o mais promissor dos brinquedos. Compreendendo, interpretando e apropriando-se do universo recriado pela ficção, a criança ressignifica a cultura dominante, vivenciando novas experiências a ponto de entender e representar o mundo enquanto constrói ludicamente sua identidade pessoal.

Fonte: De mãos dada com a leitura/Renata C. Eichenberg e internet.

Folclore português e brasileiro: 
Vamos ouvir :Tão-balalão português
Vamos ouvir: Bambalalão:Villa-Lobos

Bambalalão, senhor capitão...
Uma música simples, ritmada e tão melodiosa ganhou ilustração de Noriatsu Yoshikawa e animação de Liliana Akstein.
Muito antes disso, há quase um século, esta canção fez parte de um importante trabalho de pesquisa do compositor Heitor Villa-Lobos, o criador de “Bachianas Brasileiras”. Viajando pelo Brasil, Villa-Lobos compilou diversas músicas de nosso folclore, além de dar a elas arranjos geniais. E foram cantadas por corais de até 40 mil alunos, em estádios de futebol, num tempo em que a música passou a ser matéria obrigatória em escolas públicas brasileiras.
Neste vídeo, conferimos um destes arranjos, resgatado pela cantora Dani Mattos, regente do grupo “Poucas e Boas”. AQUI

Quintal da cultura/Bambalalão:AQUI
O som inspirador do bambalalão: AQUI 
E na flauta doce: AQUI
Que engraçadinho: AQUI

Mais cultura portuguesa no Linguagem: AQUI
Sinos no Linguagem:   AQUI

Parlenda "Bão bala lão" com áudio e legenda para treino de leitura: AQUI

"Atividades de compartilhamento das emoções provocadas pela leitura são muito importantes para desenvolver a organização dos pensamentos e sentimentos, a expressão oral individual e a expressão escrita. Acesso à orientação qualificada sobre por que ler, o que ler, como ler e quando ler. Esse é o papel do professor comprometido com o objetivo de formar leitores.  Planejando o uso do tempo e o ambiente adequado Você deve considerar que a leitura de textos lúdicos e literários é parte essencial do programa de ensino e não uma mera forma de passatempo."

Mais da autora no Linguagem e Afins: AQUI

Parlenda Rei capitão: AQUI




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sábado, março 22, 2014

Orquestra>Villa Lobos> Aula e atividades musicais> 22/03/14


Uma aula sobre 
Orquestra






Fonte: Colégio Pentágono /2009

Estímulos literários cliquem aqui:



Cliquem aqui
O pequeno Mozart







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Villa - Lobos > Crianças famosas> Estímulos literários > 22/03/14

Villa Lobos, Crianças Famosas - Nereide S. Rosa E A. Bonito
Crianças famosas
Villa- Lobos
Nereide S. Santa Rosa
Angelo Bonito
Editora Callis

Corajoso, determinado e apaixonado pela música, Villa-Lobos destacou-se por ser um dos maiores compositores brasileiros. 
O carioca, fundador da Academia Brasileira de Música, também foi educador e incentivou o ensino do canto coral nas escolas públicas do país.

Livros Villa Lobos - Nereide S. Santa Rosa, Angelo Bonito (8574163775)









Trenzinho caipira/aula/ meios de transportes
  • Conhecer os meios de transportes terrestres e diferenciá-los dos meios de transportes aquáticos e aéreos; 
  • Reconhecer o trem como sendo um meio de transporte público; 
  • Identificar cores e formas geométricas (círculo, quadrado, triângulo e retângulo); 
  • Identificar ritmos (lento e rápido); 
  • Desenvolver a imaginação e a criatividade; 
  • Desenvolver a coordenação motora; 
  • Desenvolver a socialização; 
  • Desenvolver a interpretação textual (vídeo de animação); 
  • Identificar-se e aos colegas (vídeo de filmagem de atividade); 
  • Conhecer Heitor Villa Lobos e sua música "Trenzinho Caipira" (instrumental - Fazendo parte da obra "Bachianas Brasileiras nº2"); 
  • Reconhecer a canção "Trenzinho Caipira" na versão música com letra (letra de Ferreira Gullar). 
Vejam aula completa aqui:


Viajando com Villa-Lobos
Aula sobre Crianças famosas
Villa-Lobos

Vejam mais aqui:
Biografia, plano de aula

Texto adaptado sobre a obra Crianças famosas
Villa-Lobos

Vejam aqui um roteiro para aulas musicais para os pequenos
 Compreender a música como linguagem e conhecer 
os quatro parâmetros do som: timbre, intensidade, altura e duração
Cliquem abaixo


A canoa virou

Carneirinho...

Baixar aqui
Villa-Lobos para crianças





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quinta-feira, agosto 09, 2012

Tarsila do Amaral>Trem vem...Trem vai...> Atividades>Sugestões de apresentações/Café com pão/Manuel Bandeira> 09/08/12




Tarsila do Amaral, Estrada de Ferro Central do Brasil, 1924

Na fase pau-brasil, Tarsila pintou nosso país, nossa cultura, nossa gente.
Aqui ela retrata a realidade da cidade de São Paulo, usando traços marcantes e cores vibrantes para representar o movimenta da Estação Central do Brasil.
Como ela seria representada hoje?
Localize "os signos da modernidade" criados por Tarsila em sua composição: postes de luz elétrica, vagões de locomotivas, sinalizações de ferrovias, pontes e torres de ferro.
 Para brincar com estes signos, procure-os na composição e clique neles.
Observe como os espaços vazios que surgem são constituídos por linhas retas e formas geométricas.
As casas, telhados, janelas e portas também são representados por formas geométricas, composição esta resultante das lições que Tarsila tivera em Paris, estudando e convivendo com professores e artistas representantes do Cubismo.
 E a vegetação, que formas possuem e como a artista trabalha a cor nesses elementos ?

Obs: No site você vê as formas geométricas, clicando nas indicações.


Praça da Sé 1916  SP


Praça da Sé 1920

Agora observe nas fotos da cidade de São Paulo os elementos que constituem a modernidade: postes de luz elétrica, bondes, trilhos, ruas de paralelepípedos, muitas pessoas, etc.
Observe novamente a obra Estrada de Ferro Central do Brasil e perceba "a cidade industrial" apontada na composição de Tarsila, mas ainda de uma maneira silenciosa e estática.



Curiosidade:
As ferrovias são importantíssimas para a industrialização do país nesse momento da história. Você sabia que o Brasil hoje, praticamente, não tem mais transporte ferroviário, apesar da dimensão do país, e que 95% do nosso transporte são por rodovias?



Professor, reúna seus alunos e apresente a rede ferroviária - marco do início da industrialização - como um tema para exemplificar as linguagens expressivas dos ideais do movimento e suas estratégias de estruturação:
Análise da obra  Estrada de Ferro Central do Brasil, de Tarsila do Amaral
A música Trenzinho caipira de Villa Lobos, a pintura de Tarsila do Amaral e a poesia Trem de Ferro de Manoel Bandeira. Aqui:
http://www.mac.usp.br/mac/templates/projetos/educativo/acerto7.html


A Gare
Neste quadro “A Gare”-1925, de Tarsila do Amaral, você poderá trabalhar com seus alunos as idéias básicas da geometria, propiciando a você saber quais as formas e idéias geométricas prévias que seu aluno possui.
1ª parte: Explore o que o aluno conhece previamente sobre figuras geométricas, fazendo uma leitura da imagem, pergunte quais figuras geométricas ele conhece.



2ª parte: Explore os conceitos de planos bidimensionais e tridimensionais e proponha uma releitura da obra utilizando: embalagens de diversas formas, fios, recortes, tintas, entre outros.



Neste link acima tem sugestão de outras obras ( geometria)

Geometria com Tarsila do Amaral

Poesia
O TRENZIM DE FERRO
Maria Hilda de J. Alão



Café-cum-pão, café-cum-pão,
Chega todo dia à estação
O trenzim de ferro fumaçando,
Pessoas, umas as outras, perguntando:
Quem-qué-trem, quem-qué-trem?
Sentado esperando se sempre tem
Um menino e um cachorro
Vindos da vila ou do morro
Pra vender amendoim e paçoca,
Ou o velho vendedor de pipoca
Aguardando os passageiros
Do trenzim que corre brejeiro
No trilho que corta a cidade e a mata.
Café-cum-pão, café-cum-pão,
Pode temperar com leite sem nata
Cantam as rodas do trenzim a canção.
Piui, piuiiii. Vem apitando ao longe
Como boiadeiro que ao gado tange.
O trenzim de ferro é muito valente,
Leva e traz bicho e gente.
Café-cum-pão, café-cum-pão,
Epa! Piuiii, vejam lá a estação.
Desce o gavião e o compadre Quati
Tem festa no arraiá do sagüi.
Piuii,piuiii, dez minutos pra saída
Cheguem logo para ver a partida.
Subam todos! Vamos comadre onça
Chegar cedo é nossa esperança!
Correndo nos trilhos da fantasia,
Vai o trenzim fumançando com alegria:
Café-cum-pão, café-cum-pão,
Acelerando o coração
De quem já andou num trenzim de ferro.
Café-cum-pão, café-cum-pão,
Quem-qué-trem, quem-qué-trem.
Piui, piui! Na estação da imaginação tem.





Que pressa o menino tem
de chegar ao fim do mundo
Da janela do trem
avista o horizonte ao fundo
imagens passam num segundo
corre ao redor rio profundo
Da janela do trem
a vida vai e vem
nos trilhos desse mundo
Úrsula Avner










Trem do senhor

Café com pão/Manuel Bandeira
Duas apresentações sugestivas

Veja mais aqui





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sexta-feira, maio 20, 2011

O trenzinho de Villa- Lobos - 20/05/11

Trenzinho do caipira: um relato sensível de experiência vivida

Autor :Joseli Rezende Thomaz
Co-autor:Maria Cristina Tavela Weitzel
Estrutura Curricular:
 Língua Portuguesa :Língua oral e escrita: prática de escuta e de leitura de textos
Dados da Aula:
O que o aluno poderá aprender com esta aula:
O objetivo desta aula é promover a emoção estética por meio da leitura de um relato de experiência do poeta e escritor Ferreira Gullar, associada à escuta de “O Trenzinho caipira” de Heitor Villa-Lobos.
Os alunos ouvirão a música orquestrada e, em seguida, cantada por Edu Lobo, que produziu um arranjo da música de Villa-Lobos com letra de Ferreira Gullar.
Duração das atividades:
4 horas/aula
Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno:
Aulas elaboradas para alunos do 8° ano do ensino fundamental, que “curtam” ouvir e conhecer a história da música brasileira em geral, popular ou erudita.
E que já possuam conhecimento sobre narrativas e relatos.
Estratégias e recursos da aula
Aulas 1 e 2
Professor: inicialmente faça uma sondagem na turma, verificando se os alunos já ouviram música erudita.
Dificilmente alguém terá esse hábito, já que é pouco difundido entre os brasileiros.
Se você tiver alguma experiência nesse sentido, conte-a para a turma.
Em seguida, pergunte se conhecem o poeta Ferreira Gullar.
Tenha algumas informações preparadas sobre ele, para você enriquecer sua aula.
Na sequência, pergunte se já descobriram qual será o tema da aula.
Motive-os, fazendo a seguinte pergunta: vocês acham que Ferreira Gullar tinha o hábito de ouvir música clássica?
Passe à leitura do texto, informando, antes, que Ferreira Gullar vai nos contar como foi a sua experiência com a música erudita.
(Nesse momento seria bastante interessante se você já começasse a imprimir um tom mais intimista à aula, pelo volume, ritmo, entonação da sua voz).
Coloque a música só orquestrada, que você encontra no site
Agora, leia, você, o texto abaixo, de Ferreira Gullar, como se fosse o próprio autor, relatando com muita sensibilidade a sua história.
Esse relato de experiência vivida, foi publicado no Jornal Folha de São Paulo, em 6 de dezembro de 2009.
Trenzinho do caipira
Durante os anos que vivi em São Luís, não me lembro de ter ouvido alguma música de Villa-Lobos.
Dos 18 aos 20 anos, fui locutor da Rádio Timbira que, senão (sic) me equivoco, raramente transmitia programas de música erudita.
Lembro-me de programas de música popular brasileira, de música latino-americana (especialmente boleros) e de música norte-americana, que nos chegava sobretudo através dos musicais da Broadway.
Foi Thereza, minha falecida companheira, quem me revelou a música de Villa-Lobos, depois que nos casamos e passei a ouvir os discos que vieram com ela para nossa casa.
Ela era apaixonada pela música dele, que cantava no coro da escola pública onde estudara.
 Carioca da Tijuca, pertenceu à geração que aprendera a cantar "O Canto do Pagé", em grandes comemorações oficiais no Campo do Vasco da Gama.
"Ó manhã de sol, Anhangá fugiu."
Sei é que, certa tarde, sozinho no apartamento (na antiga rua Montenegro, hoje Vinícius de Moraes, em Ipanema), pus na vitrola um disco com as "Bachianas" e ouvi, pela primeira vez, a do trenzinho do caipira.
Entrei em transe.
É que, quando menino, meu pai, que fazia comércio ambulante, me levava nas viagens de trem entre São Luís e Teresina.
O trem saía de madrugada e, ao amanhecer, cortava o Campo dos Perizes, um vasto pantanal, povoado de garças, marrecos, nhambus, pá ssaros de todo taman ho e cor.
Eu ficava deslumbrado, a cada viagem.
 Deslumbramento esse que voltou quando ouvi a "Tocata" da "Bachiana nº 2". Tive o ímpeto, naquele instante, de pôr letra na música, mas não consegui.
E não tentei uma vez só, não, mas várias, ao longo dos anos, sem resultado.
Pois bem, em 1975, ao escrever o "Poema Sujo", em Buenos Aires, evoco aquelas viagens que fazia com meu pai e, então, enquanto, antes, era a música de Villa-Lobos que me fazia lembrar das viagens, agora elas é que me fizeram lembrar da "Bachiana n º 2" e, assim, a letra que não conseguira escrever em 20 anos, escrevi em 20 minutos:
""Lá vai o trem com o menino
lá vai a vida a rodar
lá vai ciranda e destino
cidade e noite a girar..."
Não escrevi essa letra pensando que ela um dia seria gravada; escrevia-a porque aquela reversão da lembrança foi um fator a mais de emoção, um choque mágico, que se incorporava ao poema.
 Por isso, pus ali uma indicação meio irônica: "Para ser cantada com a "Bachiana nº 2", "Tocata'".
Mas surgiu alguém que levou a sério a indicação.
O poema foi publicado em 1976, pela editora Civilização Brasileira, de Ênio Silveira, e lançado numa noite de autógrafo sem o autor.
Um ano depois, volto para o Brasil e sou procurado por Edu Lobo, que queria gravar o "Trenzinho do Caipira", com minha letra. Encontramo-nos na Leiteria Mineira, que era ali na rua São José, no centro do Rio, perto da sucursal do "Estadão", onde eu trabalhava.
 Ele fez o arranjo e gravou o "Trenzinho", que passou a tocar muito no rádio e, verdade seja dita, contribuiu para popularizar a "Bachiana nº 2", talvez a que mais se ouve atualmente.
É que a letra facilita a comunicação com as pessoas pouco habituadas a ouvir música instrumental.
O mérito não é meu, claro, mas dessa obra-prima que ele compôs, acrescida, então, da interpretação de Edu.
Mas, na hora de obter a autorização para gravar a música com minha letra, Edu se deparou com um problema: a viúva do maestro alegou que adotara como norma não dividir o direito autoral com quem pusesse letra em música de Villa-Lobos.
 O que me pareceu razoável, já que muita gente poderia valer-se da fama do compositor para pôr qualquer letra em suas músicas e ganhar dinheiro com isso.
Não foi o meu caso, como narrei aqui.
De qualquer modo, isso não impediu que Edu gravasse a música.
Aliás, para que eu não ficasse sem nada ganhar, ele generosamente me fez parceiro de uma das músicas, que era de sua exclusiva autoria.
Aquela restrição valeu para o disco apenas, porque toda vez que o"Trenzinho" toca no rádio ou é cantado num show, recebo direito autoral.
E, por ironia do destino, já aconteceu me pagarem quando tocaram a "Bachiana", sem a letra. Como se vê, a confusão é geral.
Por falar em confusão, aproveito a oportunidade para desfazer um equívoco, que se tornou frequente, com respeito a essa letra.
Em vez de "correndo pelas serras do luar", como escrevi, põem "correndo pelas serras ao luar".
É o lugar-comum desbancando a poesia.
Num site do Villa-Lobos, insistem no erro. Isso lembra um poema meu em que escrevi: "cantando, o galo é sem morte".
Um tradutor pôs: "cantando el gallo és imortal".
Pensei: é que deve ter entrado para a Academia.
Professor: elabore algumas questões para aferir a compreensão dos alunos.
Sugestões:
1) Afinal, Ferreira Gullar tinha o hábito de ouvir música erudita? Que tipo de música ele ouvia?
2) Vocês perceberam que ele diz ter ouvido as “Bachianas” “na vitrola”. A julgar pelo uso da expressão vitrola, podemos concluir que a história aconteceu há muito tempo. Assim:
- quem influenciou Ferreira Gullar?
- quando e onde essa pessoa ouvia esse tipo de música?
3) Ferreira Gullar relata que quando ouviu as “Bachianas” (a do trenzinho caipira) entrou em transe. Por quê?
(Resposta: ouvindo a música ele se lembrou das viagens que fazia com seu pai, quando era menino, de trem, no Maranhão. Ne ssas viagens, ele fi cava deslumbrado com os campos, os pantanais, as aves coloridas, etc. Ouvindo a música ele sentia o mesmo deslumbramento.)
4) Qual foi o desejo de Ferreira Gullar naquele momento? Ele o realizou?
5) Quanto tempo se passou até ele finalmente conseguir escrever um poema para a música de Villa-Lobos?
6) Segundo o poeta, no momento em que escrevia a letra ele sentira uma reversão da lembrança, que se tornou um fator a mais de emoção. A que reversão ele se refere?
(Resposta: antes, a música o fez se lembrar das viagens com o pai; passado o tempo, são as viagens que trazem a lembrança da música).
7) Ao fazer a letra, Ferreira Gullar pensou em ganhar dinheiro?
8) Qual é a relação de Edu Lobo com o poema de Gullar e a música de Villa-Lobos?
9) Vocês conhecem Edu Lobo?
(Professor: tenha também em mãos algumas informações sobre Edu Lobo)
10) Por que Edu Lobo deu uma parceria de suas músicas a Ferreira Gullar, mesmo ele não tendo participado da tal composição musical?
11) Qual foi a restrição feita pela viúva de Villa-Lobos na hora de gravar a música com letra de Ferreira Gullar?
12) Em que circunstâncias Ferreira Gullar ganha direitos autorais com a música? A restrição feita pela viúva de Villa-Lobos vale pra qualquer situação?
Terminado esse diálogo, passe o vídeo de Edu Lobo cantando a música Trenzinho do caipira.
Os alunos terão a oportunidade também de ver imagens de Villa-Lobos e Ferreira Gullar.
Atenção: há uma introdução apenas com imagens de Villa-Lobos, Ferreira Gullar e informações sobre ambos, antes de a música ser cantada por Edu Lobo.
Divulgue também a letra.

Trenzinho do caipira
Lá vai o trem com o menino
Lá vai a vida a rodar
Lá vai ciranda e destino
Cidade e noite a girar
Lá vai o trem sem destino
Pro dia novo encontrar
Correndo vai pela terra...
Vai pela serra...
Vai pelo mar...
Cantando pela serra o luar
Correndo entre as estrelas a voar
No ar, no ar...
Aulas 3 e 4:
Professor: passe as atividades abaixo, para serem feitas por escrito, com correção em aula.
1) Terminada a apresentação do vídeo, compare a letra com a observação que Ferreira Gullar fez no final do seu relato.
2) Você acha que o poema de Ferreira Gullar é fiel às lembranças de sua infância?
3) Na sua opinião, a escola deveria promover uma educação musical? Por quê?
4) Pesquise no laboratório de informática alguns dados sobre a vida de Heitor Villa-Lobos, de Ferreira Gullar e de Edu Lobo, seguindo o roteiro:
a) quando nasceram, onde.
b) quem são ou foram os pais, o que eles faziam, onde estudaram;
c) qual a sua trajetória de vida: se estudaram, se moraram no exterior, se casaram, etc;
d) como ou por que se tornaram artistas e qual é a especialidade de cada um;
e) quais são algumas de suas obras.
5) Como você definiria um relato de experiência?
Professor: Durante a correção da última questão, verifique a percepção dos alunos quanto às características desse gênero. Acrescente, se necessário, algumas informações.
Avaliação:
Produza um relato de alguma experiência que você tenha vivido.
 
Quem foi Villa-Lobos?
Villa Lobos nasceu no Rio de Janeiro no dia 5 de maio do ano de 1887.
Era maestro e compositor, recebeu uma boa orientação musical quando era criança.
No ano de 1915 Villa Lobos começou sua vida profissional como instrumentista, contava já com 19 anos quando fez suas primeiras composiçoes.
Em 1922 participou da semana de arte realizada em São Paulo; no ano de 1923 Villa Lobos viajou para a Europa e só voltou ao Brasil no ano de 1929.
Muitas orquestras foram dirigidas por ele.
Escrevendo várias composições, organizou coral de 12.000 vozes em São Paulo no ano de 1931 - o acontecimento foi de grande importância na América do Sul; fez várias viagens pelo mundo dirigindo com entusiasmo suas composições como compositor, fundou o folclore no Brasil, recebeu grande incentivo de Bach Debussh e Stravinski; Villa Lobos viajou várias vezes pelo Brasil fazendo suas pesquisas e anotando no seu diário as muitas modalidades musicais do folclore brasileiro, para depois analisar e formar suas composições.
São muitas as peças que compôs: as que mais se destacaram foram os choros em número de 16; esses choros foram compostos no período de 1920 a 1929, são mais de 1.000 composições conhecidas, além das que desapareceram.
Durante sua vida recebeu 24 títulos do Instituto da França, Membro da Academia de Belas Artes em Nova lorque e Comendador da Ordem de Mérito do Brasil.
Seu falecimento se deu no dia 17 de novembro do ano de 1959, seu nome completo é: Heitor Villa Lobos.

Fonte: http://www.netsaber.com.br/biografias/ver_biografia_c_1465.html



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Músicas e Afins - 20/05/11


Você já ouviu falar do Beethoven?

Ludwig van Beethoven foi um compositor alemão muito especial e importante, que nasceu em 1770 na cidade de Bonn.
Seu talento era tão grande que, em 1787, ele foi para Viena, na Áustria, ter aulas com um reconhecido compositor: Wolfgang Amadeus Mozart.
Não ficou muito tempo por aquelas bandas, porque sua mãe morreu dois meses depois e ele resolveu voltar.
Em 1792 voltou de vez à Viena para ter aulas, desta vez, com o compositor Joseph Haydn.
Toda vez que Beethoven se apresentava, os vienenses ficavam de queixo caído com sua música e também com o seu gênio forte.
Só que a vida desse compositor "arretado" não foi para sempre um mar de rosas...
Gênio surdo
A partir de 1802, Beethoven começou a ficar surdo: iniciava-se uma fase superdifícil na vida do compositor...
Afinal, imagine o que deve ser para um músico não poder escutar o seu próprio som?
Em 1813 a surdez piorou de vez e, tristíssimo, Beethoven decide largar a carreira de pianista para se dedicar mais à composicão.
Sortudos foram aqueles que estavam presentes na última apresentação de Beethoven e seu piano: isso aconteceu em 1814.
Solitário por nunca ter se casado, esse era um dos temas de suas músicas...
Mas como todo bom gênio, Beethoven expressava outros sentimentos em suas composições: era um defensor da liberdade e do direito de expressão de cada ser humano!
Após uma carreira brilhante e turbulenta, Beethoven morreu em 1827.
Curiosidades
- O que você acha que um músico precisa para criar suas composições?
Inspiração?
No caso de Beethoven, essa inspiração vinha com uma bela despejada de água gelada sobre a cabeça!
Ele achava que assim iria estimular seu cérebro!
- Uma das composições mais famosas e bonitas desse gênio chama-se Nona Sinfonia.
O mais interessante é que Beethoven já estava totalmente surdo quando a compôs!
- O CD foi criado para gravar, em média, 74 minutos de música.
"Mas por que 74 minutos e não 60 ou 100 minutos?"
Porque 74 minutos era a duração da Nona Sinfonia de Ludwig van Beethoven!
Conheça a Academia Brasileira de Música
Muita gente já deve ter ouvido falar da Academia Brasileira de Letras, fundada no Rio de Janeiro em 1896, mas o que poucos sabem é que temos também uma Academia Brasileira de Música!
Pois é, idealizada pelo compositor carioca Heitor Villa-Lobos no dia 14 de julho de 1945, a Academia Brasileira de Música é uma instituição cultural formada por quarenta acadêmicos: entre eles estão personalidades do meio musical brasileiro em áreas de composição musical, interpretação e musicologia.
Agradou tanto que foi reconhecida como Utilidade Pública logo no ano seguinte: em um Decreto Federal de 7 de novembro de 1946.
Influências...
Você já parou para pensar que, muitas vezes, uma boa idéia que a gente tem veio de uma idéia semelhante de outra pessoa?
Foi mais ou menos isso o que aconteceu com Villa-Lobos, primeiro presidente e fundador da Academia Brasileira de Música: ele buscou inspiração na Academia Francesa, fundada pelo cardeal Richelieu em 1635!
Mas a Academia Francesa também foi influenciada por outras instituições que surgiram bem antes...
Como as Academias Européias que deram o ar da graça no século 16.
A Academia do Palácio (criada em 1570 na França) e a Academia de Florença (criada em 1582) são dois exemplos dessas associações que reuniam diversos homens interessados em literatura, artes e ciências.
No Brasil, a mais antiga dessas instituições foi a Academia Brasílica dos Esquecidos, fundada na Bahia em 1772.
E hoje?
Voltando à Academia Brasileira de Música, projetos não faltam em sua agenda...
Um dos mais importantes é a elaboração da Bibliografia Musical Brasileira: um imenso banco de dados com informações sobre trabalhos feitos por músicos brasileiros.
Outra idéia superlegal é um projeto de Educação Musical idealizado pelo Museu Villa-Lobos: voltado para as pessoas carentes, os instrutores são selecionados entre o próprio grupo comunitário onde se desenvolve o projeto!
Não entendeu?
Oras, todo mundo sabe que uma comunidade possui muita gente interessada em música e que, às vezes, desenvolve até um estilo próprio!
Nada melhor do que a gente aprender com aquilo que faz parte do nosso dia-a-dia, não é mesmo?


Quando você tinha 6 anos, provavelmente estava aprendedo a ler, andar de bicicleta ou a dar os primeiros passinhos no balé.
Mas, com essa idade, o danado do Heitor Villa-Lobos já estava tendo aulas de... violoncelo!
- Peraí, o violoncelo não é um instrumento enorme?
 Como uma criança tão pequena conseguia tocar aquele trambolhão?
Com uma bela ajuda do papai! O Raul Villa-Lobos, que era apaixonado por música, tratou de dar uma mão para seu pimpolho e transformou uma viola, que é menorzinha, em um "minivioloncelo".
Além disso, o Raul era também o professor do Heitor!
Foi por causa desse papai animado que o Heitor Villa-Lobos começou a se interessar pela música. Todo sábado, o Raul reunia um monte de músicos famosos na sua casa e era aquela festa.
O pequenino Tuhú (era esse o apelido do Heitor) ficava lá, ouvindo tudo com a maior atenção, só pensando no que ele ia "aprontar" mais para a frente...
E como aprontou! Em seus 72 anos de vida (ele nasceu em 1887 e morreu em 1959), esse carioca de Laranjeiras compôs mais de 1.000 obras musicais, viajou para tudo que é lado levando sua música e ficou famoso no mundo todo!
Mas o que é que ele tinha de tão especial?
Pois é, acontece que o Villa-Lobos descobriu uma receita infalível para fazer música.
Sua obra mais famosa, (composta entre 1930 e 1945) um conjunto de nove peças musicais chamado de "Bachianas Brasileiras", é um belo exemplo dessa alquimia: nela, Villa-Lobos misturou um pouco de música clássica (as peças se chamam Bachianas porque são inspiradas nas composições do Johann Sebastian Bach, um super compositor clássico), uma pitada de ousadia, usando técnicas modernas de composição...e um montão de "brasilidade"!
Para você ter uma idéia, um pedacinho da segunda Bachiana se chama..."Trenzinho Caipira"!
Que tal descobrir de onde veio essa idéia tão brasileira?
Esse amor pelas coisas do Brasil começou quando o Villa-Lobos ainda era bem jovem e passou alguns anos viajando com a família pelo interior de Minas Gerais e do Rio de Janeiro.
Nessas andanças ele conheceu as modas de viola e a música caipira...e se apaixonou por elas! Depois de adulto, ele viajou pelo Brasil todo, pesquisando ritmos e tranformando-os em lindas composições.
Mas a música urbana também arrebatarou o coração do compositor: o choro, tocado nas ruas do Rio de Janeiro encantou tanto Villa-Lobos que ele compôs um ciclo de quatorze obras chamado..."Choros"!
E não era só fazendo música que ele se preocupava com o Brasil, não: quando já tinha se tornado um compositor bem famoso, depois de ter regido orquestras em todas as principais cidades da Europa, o Villa-Lobos voltou para o Brasil e resolveu cuidar da educação musical nas escolas brasileiras!
Em 1932 ele assumiu a direção da Secretaria de Educação Musical e Artística no Rio de Janeiro, e tornou obrigatório o ensino de música.
Além disso, o danado ainda organizou superapresentações de canto coral, chamadas de Concentrações Orfeônicas, com até...40 mil estudantes!
Teve um pessoal que não gostou nada dessa manisfestação de nacionalismo do Villa-Lobos: é que nessa época o Brasil viva uma ditadura governada pelo Getúlio Vargas, e muita gente achou que esse "entusiamo" do compositor era uma forma de apoio a uma governo injusto.
Mas, depois de ouvir alguma das composições do Villa-Lobos, a gente percebe que isso não tem muita importância: o que interessa de verdade é que ele deixou uma linda herança de amor pela música e pela cultura brasileira.


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