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Olá amiga(o) ,
Fui professora dos projetos "Estímulo À Leitura",
"Tempo Integral" e a favor da leitura lúdica,
afinal, quer momento mais marcante que a fantasia da vida?
Portanto, será um prazer receber sua visita em mais um blog destinado a educação.
Nele pretendo postar comentários e apreciações de materiais didáticos de Língua Portuguesa, além de outros assuntos pertinentes, experiências em sala de aula, enfocando a interdisciplinaridade e tudo que for de bom para nossos alunos.
Se você leu, experimentou, constatou a praticidade de algum material e deseja compartilhar comigo,
esteja à vontade para entrar em contato.
Terei satisfação em divulgar juntamente com seu blog, ou se você não tiver um, este espaço estará disponível dentro de seu contexto.
Naturalmente, assim estaremos contribuindo com as(os) colegas que vêm em busca de sugestões práticas.
Estarei atenta quanto aos direitos autorais e se por ventura falhar em algo, por favor me avise para que eu repare os devidos créditos.
Caso queira levar alguma publicação para seu blog, não se
esqueça de citar o "Linguagem" como fonte.
Você, blogueira sabe tanto quanto eu, que é uma satisfação ver o "nosso cantinho" sendo útil e nada mais marcante que
receber um elogio...
Venha conferir,
seja bem-vinda(o)
e que Deus nos abençoe.
Krika.
30/06/2009

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sexta-feira, março 02, 2012

Aprendizagem lúdica> Literatura Infantil> 02/03/12



Aprendizagem lúdica
Para fundadora do Ceale - instituição de referência na questão da leitura e da escrita -

a Educação Infantil deve promover o desenvolvimento social
e cognitivo da criança, sempre enfatizando
as dimensões lúdicas desse processo.

A educadora discute a seguir as possibilidades curriculares da educação infantil.
E defende a importância do trabalho com a literatura infantil para o processo de letramento.

Eu considero importante toda a entrevista, até tentei copiar partes mais diretas para um conhecimento metodológico mais rápido. Porém, vale a pena ler tudo,  para seu conhecimento pessoal, cara colega do Ensino Infantil.
Lendo daqui e dali nós conseguimos decifrar enigmas metodológicos e partirmos para novos desafios, porque o magistério é isso,cheio de labirintos e ninguém tem fórmulas prontas.
Tudo deve ser feito na experiência, junto dos alunos. Cada um tem seu jeito.
Aquele professor que simplismente pega sua bagagem,às vezes de 25 anos dentro de uma classe,  aposenta e joga fora sua experência sem repassar nada ou deixar alguma marca para os novatos , não é um verdadeiro educador. Precisamos tirar o ranso de que ser professor é "padecer no paraíso", Claro,existem obstáculos imensos até. Mas, não custa sonhar...
Enquanto não tivermos cursos preparatórios adequados, como diz a entrevistada, podemos partilhar experiências. Eu chamo isto de Pequenas Ternuras...


Vamos a entrevista:
Como a senhora vê a questão do currículo na educação infantil, especialmente com relação ao contato com a escrita e a leitura?

Na educação infantil, devemos enfrentar uma longa tradição de algo que começou com o significativo nome de jardim da infância, com a ideia de que a criança ficaria ali para desenvolver-se espontaneamente, com pessoas que estariam ali apenas atentas ao que elas faziam. Esse é um conceito errôneo de educação infantil, o conceito de que, nessa etapa, não deve haver aprendizagem. Há, ainda hoje, quem rejeite que as instituições voltadas a essa fase sejam chamadas de escolas. Na realidade, essa fase representa o início da educação formal das crianças. O que diferencia essa educação formal da educação familiar, e também da educação que se dava em instituições, antes das novas concepções de educação infantil? É que na educação infantil se formaliza a educação da criança. E uma das maneiras de fazer isso é criando um currículo que oriente a criança em sua progressiva inserção no mundo social, no mundo da natureza, e propicie oportunidades para que ela desenvolva linguagens, por meio de sua introdução no mundo da música, da expressão corporal, das representações simbólicas e também no mundo da escrita. É uma fase em que a criança está se desenvolvendo em várias frentes, desde a motora, a do convívio social, da inserção cultural, etc. A escola propicia o processo formal de inserção da criança na sociedade e em sua cultura. E uma parte importante desse processo é a introdução à escrita, ao mundo do impresso. Então é também o momento em que a criança deve e pode ser introduzida no mundo do letramento.

Como as bibliotecas ou o livro devem estar presentes nessas escolas?

Esse é um aspecto importante da introdução no mundo da escrita, que se faz por diferentes meios. Um deles é o contato da criança com o material escrito, com a língua escrita, e um lado fundamental disso é a criação de um contexto de letramento, em que a criança conviva com material escrito em suas várias formas e gêneros. Nesse contexto de letramento, a biblioteca tem um papel fundamental, e essa é uma das barreiras que devem ser vencidas na educação infantil. Por exemplo, no programa ProInfância, em que o MEC oferece a planta para a construção de creches e escolas de educação infantil nos municípios, essa planta vem surpreendentemente sem espaço para biblioteca.

Isso não foi modificado?

Tive oportunidade de levantar essa questão, mas não tive notícia de modificação. Sei que algumas instituições que já estavam em construção, em municípios em que as pessoas têm sensibilidade para essa questão, estão destinando alguma parte da planta para biblioteca. Mas há resistências a isso. Aqui mesmo em Belo Horizonte, incluir a biblioteca num programa de construção de creches foi uma conquista bem recente, resultado da campanha que está havendo no país todo para a formação de leitores. Por outro lado, para lembrar um importante dado positivo, o Programa Nacional da Biblioteca da Escola (PNBE), que até dois ou três anos atrás não incluía a educação infantil, já está na segunda edição em que a educação infantil é contemplada. E é interessante, porque num primeiro momento, o PNBE incluiu a chamada pré-escola, crianças de 4 e 5 anos. Já agora, na edição para 2012, incluiu-se também a creche, com livros para crianças de 0 a 3 anos. Isso representa uma posição do próprio MEC de que a criança deve ter contato com o livro desde a creche, e a escola deve dispor de livros e de biblioteca para toda a faixa da educação infantil. É uma concepção bem recente, que felizmente está se difundindo, embora ainda haja grupos de resistência ao letramento e à alfabetização - o que já é outra conversa - na educação infantil.

O que caracteriza os livros que estão sendo escolhidos pelo MEC para essa etapa da educação?

Isso introduz um novo componente na nossa conversa, que são as editoras. As editoras têm tido dificuldade em identificar o que é adequado para a educação infantil, exatamente por falta de tradição nessa área. O PNBE tem tido alguma dificuldade de constituir acervos para essa faixa etária. Assim, enquanto as editoras inscrevem um número enorme de livros para os ensinos médio e fundamental, a educação infantil, como também a Educação de Jovens e Adultos, recebe um número bem menor de inscrições de títulos. Isso mostra a pouca produção para essas faixas e o conhecimento precário de editoras e autores sobre o tipo de livro que é mais adequado para crianças que ainda não leem, que ainda não estão alfabetizadas, mas que devem ser inseridas no mundo do livro, da escrita, da literatura.

É curioso isso, pois temos uma tradição de literatura infantojuvenil, inclusive com muitos livros apenas de imagens. Isso ainda não está dialogando bem com o processo de seleção?

O PNBE, como também o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), têm tido uma influência muito positiva. Pelos critérios de seleção, as editoras vão compreendendo o processo. Já percebo uma diferença do primeiro PNBE destinado à educação infantil para este segundo. Há uma aproximação maior do tipo de livro adequado para crianças nessa faixa etária.

Que papéis a literatura infantil pode desempenhar nesse primeiro contato das crianças com as letras?

São muitos. Primeiro, o próprio conhecimento do objeto livro, a familiaridade com ele, o saber que objeto é esse, a possibilidade de manipulá-lo. Essa é uma das questões que dificulta a produção para a educação infantil, pois o livro deve ter algumas características materiais adequadas à criança. Por exemplo, o ideal seria que as páginas fossem cartonadas, para que o livro fosse resistente e crianças que ainda não têm suficiente coordenação motora pudessem manipulá-lo. Livros-brinquedo, livros pop-up, fascinam as crianças. Para a creche, seriam importantes livros de pano. Mas essas alternativas tornam a produção do livro difícil e sobretudo cara. Uma parte significativa dos melhores livros para a educação infantil são títulos traduzidos de outros países que não enfrentam as mesmas dificuldades econômicas que as editoras daqui enfrentam. São livros muito caros, que acabam não sendo inscritos no PNBE, pois o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) compra os títulos a preços baixos. Então, não compensa para as editoras inscrever livros de custo alto, pois não teriam condições de vender esses livros para o MEC pelo preço que é proposto. Um outro aspecto importante é que esses livros são traduzidos para o português por contratos com editoras estrangeiras, a maioria da Europa e dos Estados Unidos, e normalmente não é possível fazer uma edição específica para vender ao governo. Em geral, são edições pequenas, fruto de acordos com editoras de outros países, e isso acaba dificultando a chegada desses títulos. Mas, aos poucos, estamos começando a produzir livros adequados. Por exemplo, aumentou muito a produção do livro só de imagens, sem texto, que é um tipo de livro importante para as crianças pequenas, embora também seja importante o livro com imagens e pouco texto. É importante também o livro com uma quantidade maior de texto e ilustrado, que é o livro que a professora vai ler para a criança, uma forma de leitura fundamental.

E quanto à organização da biblioteca infantil e dos espaços de leitura?

A biblioteca infantil tem especificidades, desde aspectos miúdos, como a maneira como os livros são expostos, não é uma biblioteca como qualquer outra. Não se pode colocar os livros do mesmo modo como ficam numa biblioteca para adultos ou jovens, em pé nas estantes, pois os livros infantis não costumam ter lombada, são finos. Se eles ficam em pé na estante, a criança não os identifica, pois não vê a capa, que é a grande atração para ela. Então as estantes têm de permitir a exposição das capas. Também não cabe fazer os registros de forma tradicional, com fichas. Se elas forem usadas, é preciso que sejam mais icônicas, para que a criança se habitue ao processo de tomar emprestado o livro, levá-lo para casa e devolvê-lo. Ela tem de saber que o livro fica na estante segundo uma certa classificação, mas não é a mesma classificação da biblioteca de adultos. Pode ser por etiquetas coloridas, por exemplo. Além disso, é preciso que haja também, na sala de aula, o cantinho de leitura. A criança vai à biblioteca uma ou duas vezes por semana, mas na sala de aula o contato com os livros deve ser diário. Já tivemos, no PNBE, programas específicos para a constituição dos cantinhos de leitura, para que a criança tivesse acesso aos livros dentro da sala de aula.

Isso aumenta a exposição da criança ao livro?

São fundamentais muitas atividades com os livros, muita leitura de histórias pelas professoras e muito manuseio dos livros pelas crianças. Há muitas escolas - já foram feitas pesquisas sobre isso - em que as caixas do PNBE chegam e ficam trancadas num armário, porque não querem deixar que as crianças tenham livre acesso aos livros, com medo de que sejam rasgados, rabiscados, danificados. Ora, a criança, inicialmente, faz isso mesmo. E só vai aprender a não fazer depois de ter feito uma vez e de ser orientada para não fazer, é preciso formar a criança para lidar com o livro, num processo de aprendizado. É uma questão complexa, que não está sendo contemplada na formação de professoras para a educação infantil. Aliás, o como trabalhar a literatura e como dar acesso a livros de literatura na educação infantil e nas séries iniciais do ensino fundamental ainda não é um componente importante na formação de professores para esses ciclos.

A senhora mencionou a importância da leitura e da oralidade na educação infantil. Que outras coisas podem ser trabalhadas nessa etapa?

Esse contato com o mundo da leitura e da escrita está acoplado, particularmente na educação infantil, com o desenvolvimento da linguagem oral, pois é o momento em que a criança está ampliando seu vocabulário, suas possibilidades de usos da língua, a aquisição de estruturas sintáticas mais elaboradas. Então, o desenvolvimento da linguagem oral é um dado importante para o desenvolvimento do letramento e da alfabetização. A leitura de histórias pelas professoras não deve ser apenas uma leitura seguida da pergunta se as crianças gostaram ou não. É uma oportunidade de desenvolvimento da linguagem oral. Enquanto a professora lê, vai fazendo com que as crianças façam previsões sobre os rumos da história, analisem as ações das personagens. No fim da leitura, a criança pode reconstruir o texto, de modo a trabalhar as habilidades de compreensão, de inferência e de avaliação, que serão importantes para a leitura individual, quando ela aprender a ler e a escrever. A ampliação do vocabulário é fundamental, e a literatura colabora demais para isso. A ampliação de visão que a leitura proporciona à criança, numa fase em que ela está conhecendo o mundo, também é importantíssima.

E na questão específica da alfabetização, como isso interage?

Essa leitura de livros, não só os de literatura, mas o contato com a escrita em seus diversos usos sociais em nossas sociedades letradas - afinal, a escrita chega a todo lugar, mesmo às localidades rurais mais afastadas - é fundamental, pois é uma espécie de precursor da leitura e da escrita. Veja que não falei pré-requisito, uma palavra que devemos evitar, pois acaba associando a educação infantil a um conceito inadequado, de que essa etapa prepararia a criança para o ensino fundamental. Não é isso. Essa era a visão que se tinha décadas atrás, a de que a criança precisava adquirir certas condições para então aprender a ler e escrever. Prefiro a palavra precursor, para designar certas habilidades, conhecimentos, atitudes que a criança vai desenvolvendo e que serão importantes para que aprenda a ler e a escrever, ou seja, são precursores da alfabetização.

E quais seriam especificamente esses precursores da alfabetização?

Até agora, mencionei os precursores do letramento, ligados ao desenvolvimento da familiaridade com o livro, com a literatura e com outros gêneros textuais, algo que muitas vezes começa antes de a criança chegar à educação infantil escolar, formal. É um continuum, começa quando a criança nasce num ambiente letrado. No plano da alfabetização, do aprendizado da leitura e da escrita, é necessário primeiro delimitar o que é próprio da educação infantil. Não é função da educação infantil alfabetizar a criança, se entendermos por alfabetizar levar a criança a terminar essa etapa já sabendo ler e escrever com alguma segurança. Não é isso (embora isso possa acontecer, e tem efetivamente acontecido muitas vezes). O que é próprio dessa etapa é o desenvolvimento de conhecimentos e habilidades necessários para que a criança siga uma trajetória de sucesso na aprendizagem da leitura e da escrita. Na educação infantil, a criança deve pelo menos descobrir o princípio alfabético: descobrir que, quando escrevemos, registramos o som das palavras, e não a coisa sobre a qual estamos falando. Esse é o grande salto que a educação infantil tem de ajudar a criança a dar. Aliás, é o grande salto que a humanidade deu: descobrir que podemos transformar a oralidade em algo visível, que é a escrita. A humanidade também passou por essa fase de primeiro desenhar a coisa a que você está se referindo: escrever casa já foi desenhar uma casa. A criança também passa por essa fase, você pede: "escreva casa", ela desenha uma casa. O salto é a descoberta de que quando se escreve não se representa a coisa, representa-se o som da palavra que designa essa coisa. A humanidade levou milênios para chegar a esse princípio alfabético, que a criança deve descobrir rapidamente. É mais fácil, obviamente, pois já está descoberto... Ela deve ser ajudada a identificar essa forma de tornar visível a oralidade.

Como se faz para que a criança consiga isso?

É trabalhando muito a consciência fonológica, a percepção de que a língua é som. Porque a criança não tem consciência disso. Dou um exemplo interessante e recorrente na Educação Infantil: você está, por exemplo, desenvolvendo atividades com palavras que comecem com a mesma sílaba, como panela, pato, página. A gente faz jogos com as crianças, para que encontrem palavras que comecem igual. Muitas vezes propõe-se um jogo em que um barquinho é lançado de criança para criança, carregando palavras começadas com determinada sílaba. Com MA, por exemplo, e citamos uma: maçã. E as crianças falam: "abacaxi, banana, pêra". Por quê? Porque as crianças fazem uma associação não com o som da palavra maçã, mas pensam em outras frutas. Enquanto a criança não descobrir que palavras são sons, como poderão se alfabetizar, se têm de escrever registrando os sons da palavra? Daí a importância da consciência fonológica nessa fase, entendida como consciência dos sons de palavras, de sílabas. Para isso as professoras podem brincar com parlendas, que facilitam colocar o foco no som - e aí quanto menos sentido a parlenda tenha, melhor, para forçar a criança a prestar atenção nesse aspecto. Outra boa alternativa é brincar com rimas, o que também ajuda a prestar atenção no som.

Essa dimensão lúdica é muito importante, não?

É fundamental. Falam muito que, ao trabalhar essas coisas na Educação Infantil, se esquece de que é uma etapa em que as crianças devem brincar, jogar etc. Eu não diria isso. A Educação Infantil é para que a criança se desenvolva socialmente e cognitivamente de forma lúdica. O que também é importante nas séries iniciais do ensino fundamental. Pensam que, se você trabalha com letramento e alfabetização, está tirando o tempo da brincadeira. Mas essas atividades são lúdicas! devem ser lúdicas! Os exemplos que dei anteriormente, como a ida à biblioteca, a leitura de livros, a leitura de histórias, as atividades com os sons das palavras... a criança adora tudo isso, é um brinquedo para ela, isso é lúdico. E a alfabetização é lúdica também. Esse desenvolvimento da consciência fonológica deve ser feito por meio de jogos, que ao mesmo tempo podem ser precursores da alfabetização.

Sob esse aspecto, a educação infantil comporta algum nível de sistematização dessas aprendizagens, ou elas devem ser feitas no ensino fundamental?

É difícil responder a isso, porque na verdade trata-se de um continuum, não há - ou não deveria haver - uma quebra da educação infantil para o ensino fundamental. Isso é algo em que o nosso sistema de ensino tem de insistir. Houve reação de muita gente quando se estendeu o ensino fundamental às crianças de seis anos, idade em que elas ainda estavam na educação infantil. Muitos reclamaram e ainda reclamam, por achar que é um absurdo que crianças de seis anos venham a ser alfabetizadas quando elas ainda estariam na fase da brincadeira. Essa é uma concepção inadequada, porque na verdade não há essas quebras no desenvolvimento da criança. Em todas as fases da vida, o desenvolvimento se dá numa linha de continuidade. E crianças chegam em níveis diferentes de desenvolvimento aos cinco, seis ou sete anos. É preciso haver sistematização e sequenciação, ou seja, um processo seqüente em que a criança desenvolve a consciência fonológica - e precisamos ajudá-la para isso, pois depois ela precisa desenvolver a consciência fonêmica, que depende da primeira. É preciso ir, sequencialmente, relacionando os sons da palavra, percebidos por meio de atividades de consciência fonológica, às letras do alfabeto. Ou seja, não são etapas definidas de forma externa à criança, é um continuum, no processo de desenvolvimento. Como também acontece no ensino fundamental e na educação em geral. Nesse sentido, a pesquisa da [psicolinguista] Emilia Ferreiro trouxe uma grande contribuição acerca do desenvolvimento da criança no processo de apropriação do sistema alfabético, mostrando as fases pelas quais ela passa. Começa icônica, o que corresponde à fase da humanidade em que a escrita era desenho; depois a criança começa a perceber que a escrita não é desenho, compreende que são formas específicas, as letras, e começa a escrever registrando letras, aleatoriamente; aos poucos vai descobrindo que há uma correspondência entre sons e letras, e começa a registrar com letras as sílabas, já tendo percebido que a palavra é feita de pequenos "pedaços", até que perceba que dentro de cada "pedaço" há fonemas que as letras representam. Essa última fase é a mais difícil, e vai acontecer, em geral, no início do ensino fundamental. Para ajudar a criança nesse processo, é preciso sequenciar e sistematizar atividades. Não creio em nenhuma educação que não seja sistematizada e seqüenciada.

Quais as habilidades e conhecimentos fundamentais o professor da Educação Infantil deve ter para ajudar seus alunos nessa fase?

Deve ter, sobre certos temas, conhecimentos tão ou até mais sólidos do que professores do ensino médio. Porque ele deve simplificar sem falsificar. Quem é capaz de fazer isso? Quem domina muito bem os conteúdos. E não só conteúdos. Por exemplo, como desenvolver o gosto da criança pela leitura e pela literatura se a própria professora não tem esse gosto? E, mais do que isso, se não sabe interpretar um texto, mesmo um texto infantil? Se não domina estratégias de leitura? Na minha experiência com a formação de professoras, tenho tido de ensinar o que é uma 4ª capa de livro, uma lombada, um sumário. Elas não se dão conta de que é preciso dizer à criança em que direção folhear um livro, que é necessário conscientizá-las de convenções que elas, professoras, já internalizaram e acham que são naturais. Isso dando um exemplo simples, sem falar da necessidade de inserir a criança nos mundos natural e social, coisas que dependem de conhecimentos básicos de sociologia, história, geografia, ciências, de matemática. Por exemplo, da mesma maneira que, em relação à alfabetização, na Educação Infantil se orienta a criança para que chegue ao conceito de princípio alfabético, deve-se orientar a criança para que chegue ao conceito de princípio numérico. As professoras não são formadas para isso. Elas teriam de ser boas leitoras, de ter boa base de teorias da leitura, de conhecer literatura infantil e suas metodologias de trabalho, de conhecer as relações entre fonemas e letras, fonemas e grafemas, de conhecer psicolingüística e psicologia cognitiva, necessárias para orientar a criança em seu processo de aprendizagem, em particular no caso da língua escrita. E os professores não estão sendo formados assim, nem para a Educação Infantil, nem mesmo para o fundamental. O problema básico da educação no Brasil é a formação dos professores. Para as séries finais do ensino fundamental, bem ou mal os professores são formados em conteúdos. Mas, para a Educação Infantil e para as séries iniciais do fundamental, a formação se dá em cursos que não incluem os conteúdos que serão desenvolvidos nessas etapas nem os fundamentos psicocognitivos da aprendizagem desses conteúdos e sua tradução em uma pedagogia adequada. Essa é a grande ausência na formação de professores. E não estou vendo essa questão ser atacada por processos eficientes.

Ou seja, é preciso reformular os currículos da graduação em pedagogia...

É claro. E é complicado, pois é preciso também uma mudança de postura dos formadores, para que formem alunos dos cursos de pedagogia com o objetivo de torná-los bons professores. Do jeito que estão, os cursos não estão formando adequadamente professores para a Educação Infantil e para as séries iniciais do ensino fundamental. Há poucos cursos de pedagogia que formam alfabetizadores. Há pouquíssimos que têm literatura infantil em suas grades curriculares,. Só por esses dois exemplos, se vê que as professoras não são preparadas adequadamente. Elas mesmas reconhecem isso. Ouço dizerem com frequência: "mas ninguém me ensinou isso". É verdade, não faz parte do currículo da formação. No caso do letramento, sem um mínimo conhecimento de literatura infantil, não há como trabalhar com literatura. É preciso saber, por exemplo, como trabalhar com um livro de imagens com crianças, ou quais as habilidades cognitivas e habilidades de leitura que um livro de imagens pode desenvolver.




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segunda-feira, fevereiro 27, 2012

Poemas prontos para voar> Relato> 27/02/12


"O livro é um passaporte, é bilhete de partida."

Bartolomeu Campos de Queirós

Trouxe  este relato de uma professora sobre sua experiência em sala de aula.

Poemas prontos para voar .

Catar feijão se limita com escrever:

joga-se os grãos na água do alguidar
e as palavras na da folha de papel;
e depois, joga-se fora o que boiar. [...]
João Cabral Melo Neto. Obra Completa.
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1999.


Rosa Maria Mendes de Lima é professora da Escola Estadual Dona Indá, de Altinópolis (MG), semifinalista da categoria Poema.


Tem que rimar?
 É obrigado fazer?
Vale ponto?”
Parece que estou ouvindo novamente essas perguntas.
Tento buscar naquelas carinhas assustadas uma ideia para iniciar este relato.
“Dúvida” e “insegurança” são as palavras certas para nomear o que estou sentindo agora.
 Provavelmente, o que sentiram os meus alunos quando propus as primeiras produções de poemas.
Talvez fosse melhor começar pela frase que fez todo o meu trabalho valer a pena:
“D. Rosinha, estão roubando nossos poemas!”.

Recordo-me de quando fui falar da Olimpíada e do material às minhas turmas.
Em uma delas, na zona rural, com vários alunos com defasagem escolar e baixa autoestima, não gostaram da proposta de trabalhar com poemas.
Quando fiz a primeira pergunta: “Quem gosta de poesia?”, apenas uma aluna levantou a mão.
Outro ainda comentou: “Eu detesto poesia!”.
Perguntei o motivo do não gostar, a maioria respondeu que era coisa de babaca.
 É, estava aí o meu primeiro desafio.
 Pensei em trabalhar só com as outras três turmas.
Seria mais confortável... Mas seria justo?
Enquanto buscava resposta, lembrei-me de um texto do qual gosto muito: “Eu e a cabana”, de Andréa Bonfim Perdigão. É a história de um menino que encontrou uma cabana e disse-lhe que achava muito chato ela ser vazia. A cabana respondeu-lhe: “Eu sou assim por sua causa. Se eu fosse cheia de coisas, não adiantaria você esperar coisa nenhuma de mim”. Quando o menino estava prestes a deixá-la, um vento soprou tão forte que um monte de flores caiu no chão da cabana, deixandoa toda colorida. A cabana disse então ao menino: “Tenha mais ideias a meu respeito. Posso ser do jeito que você quiser. Porque sou vazia”. Nesse momento, o menino compreendeu o que ela queria dizer.
A cabana era vazia para que ele pudesse colocar dentro dela todos os seus sonhos, todos os seus segredos e todas as suas ideias.

Assim, vi o meu bom senso retornar: “Se eu, que sou professora, não acreditar neles, quem vai acreditar?”.
Concluí que deveria deixá-los bem motivados, antes de iniciar as oficinas.
Decidi começar com poemas curtos.
Antes, porém, transcrevi o poema “Convite”, de José Paulo Paes1, na lousa.
Fiz várias leituras que o poema permitia.
Depois, continuei: “E aí, meninos, se estou certa, brincar é o que vocês mais sabem e gostam de fazer, não é?
Então, vamos brincar!”.
Escrevi o nome de alguns alunos na lousa e comecei a brincar com as palavras e com as sílabas.
Parece que gostaram da brincadeira, e logo quase toda a turma já fazia o mesmo com seus nomes e sobrenomes.
 As crianças lançaram mão de vários recursos poéticos, mesmo sem saber.

Meu objetivo era aproximá-los dos poemas.
Levei-os à biblioteca para escolher livros para ler em sala de aula e em casa.
Li vários poemas para eles.
Alguns ainda resistiram, não quiseram ouvi-los.
O que fazer?
 Poemas, os alunos não queriam.
Mas eu sabia do que eles gostam: histórias em quadrinhos, estavam até lendo a revistinha do Ziraldo A Vivamática.
Aproveitei a ocasião e dividi a turma em pequenos grupos e pedi-lhes que contassem a história do Menino Maluquinho em forma de poema.
Empolgada com o resultado, lembrei-me de outro gênero textual que estudamos no início do ano e em que eles também se envolveram: o conto.
Pesquisei poemas narrativos que abordassem o mundo infantil.
Antes de lê-los, contava as histórias deles como se fossem contos.
“Porquinho da Índia”, de Manuel Bandeira; “Menino doente”, de Mário Quintana; “A boneca”, de Olavo Bilac.
Falei de prosa, estrofes e versos, rima, ritmo, repetições, e também sobre o sentido dos diminutivos. Perguntei a eles se lembravam de algum brinquedo que ganharam na infância, do qual sentiam saudade.
Pedi-lhes que contassem para o colega essa história: “Agora tente contá-la por escrito, em forma de poema”.
Para “esquentar” um pouco mais as turmas, voltei a uma questão do Caderno do Professor e propus aos alunos que percorressem a escola perguntando:
“Qual a diferença entre poema e poesia?”.
Ninguém sabia responder.
Uns buscavam dicionários, outros me procuravam para saber.
A ação movimentou a escola.
 A turma “curtiu explicar a questão para os professores”.
Na primeira oficina, quando os alunos saíram em busca dos poemas que a comunidade conhecia, expliquei a eles que poderiam – como a população da região gosta muito de música sertaneja – coletar letras de canções.
Assim, ninguém deixou de participar e o mural ficou bem diversificado.
Continuei com o estudo do recurso poético.
 Levei para a sala o poema “Bolha”, de Cecília Meireles2.
Mostrei aos alunos o jogo de sons que se alternavam e as repetições que criavam o ritmo.
Chegou a hora de produzir o primeiro texto sobre o tema da Olimpíada.
Julguei que não encontrariam tanta dificuldade, pois já haviam estudado várias características de um poema. Enganei-me.
Percebi que faltavam informações sobre a cidade.
Solução?
Biblioteca.
Encontramos uma obra riquíssima: História de Altinópolis nos séculos XVIII, XIX e XX, de José Iglair Lopes.
A leitura dos livros foi feita em sala de aula e em casa.
Muitos pais ficaram curiosos e quiseram conhecer a história de nossa cidade.
Outra etapa que exigiu muita atenção foi a reescrita dos textos.
Novamente foi preciso levantar o ânimo da criançada.
Expliquei aos alunos que até os grandes escritores reescrevem seus textos várias vezes e mostrei-lhes o rascunho de um poema de Vinicius de Moraes publicado na revista Na Ponta do Lápis, nº4, página 16.
Depois li e comentei o poema “Catar feijão”, de João Cabral de Melo Neto, em que o poeta compara o ato de catar feijão com a reescrita do texto: selecionar, eliminar as palavras que boiam, ou seja, as repetições de palavras ou expressões inadequadas.
Para aproximar ainda mais do cotidiano deles, comparei também com o café sujo espalhado no terreiro para rastelar.
 Se não tirar as impurezas, não terá bom preço no mercado.
Inicialmente, fiz a reescrita coletiva de um dos textos.
Depois, organizei os alunos em duplas para que trocassem ideias antes da reformulação do poema.
Planejei três aulas para essa etapa.
Sentei com cada dupla para ouvir os autores, auxiliá-los na correção e dar sugestões.

1. José Paulo Paes. Poemas para brincar. 2ª- ed. São Paulo: Ática, 1991.
2. Cecília Meireles. Ou isto ou aquilo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2002.

O poema reescrito revela o que o aluno aprendeu durante as oficinas de escrita.
Em “o vento veio morar” e “por se esconder entre belas serras” a cidade e o vento adquiriram características humanas – personificação.
Na primeira estrofe a escolha do verbo “esconder”, no penúltimo verso, amplia as possibilidades de interpretação: sentido próprio e figurado.
Na segunda estrofe, o aluno poeta brinca com as palavras “vento” e “Ventania”, repetindo a palavra e a consoante – aliteração –, para dar mais ritmo ao poema.
Especificou o que queria dizer e terminou com um paralelismo sintático, que se repete em outras estrofes.
Na terceira estrofe, com muita originalidade, afirma que o leite caindo na caneca é magia e a mágica de sua vaca Fada supera qualquer outra, porque é sem varinha de condão.
E, para finalizar a estrofe, lança mão da metáfora.
Observe também como mudou o pensamento dos alunos sobre poesia:


Os poemas estavam ali, prontos para voar... muitos deles ilustrados.
Organizamos um pequeno sarau.
Reservei três aulas para trabalhar a leitura.
Para acertar o ritmo e a entonação, lemos e relemos várias vezes o poema.
Providenciei cópias deles.
Uma para o sarau e outra para exposição.
Nossa escola é rodeada de árvores.
Resolvemos embelezá-las ainda mais.
Amarramos em seus galhos cordões com os poemas.
Eu estava na sala de aula com alguns pais, quando veio um aluno me chamar:
 “Dona Rosinha, estão roubando os nossos poemas!”.
Verifiquei, com prazer, que muitos deles haviam sumido.
Isso não é problema.
“Enquanto existirem pessoas dispostas a roubar poemas, estarei aqui para incentivar os pequenos a escrevê-los”, pensei.
Para completar a nossa alegria, um de nossos alunos está na semifinal.
Nós conseguimos.
A cabana está cheia de flores!







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terça-feira, janeiro 24, 2012

Aventuras no espaço> Gênero literário narrativo>24/01/12


Grandes aventuras 2
A Terra é azul!!!


Dados da Aula
O que o aluno poderá aprender com esta aula
Destacar a primeira viagem em torno da órbita terrestre, feita pelo russo Yuri Gagarin, em 1961.
Ressaltar a importância dessa viagem, uma vez que esta possibilitou grandes descobertas acerca do sistema solar.
Identificar as questões que justificaram o interesse da antiga União soviética nas viagens espaciais.
Duração das atividades
100 minutos
Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno
Essa aula é indicada para alunos e alunas a partir do 5º ano do Ensino Fundamental, em função de informações necessárias para desenvolver a atividade.
Estratégias e recursos da aula
A viagem à Lua, realizada pelos norte americanos em 1969, não foi a 1ª viagem que o homem fez ao espaço.
O Soviético Yuri Gagarin, em 1961, foi o 1º homem a ver a Terra em sua órbita.


Que tal trazer para a aula imagens sobre as duas viagens espaciais para fomentar a discussão sobre a temática?
Você pode encontrar as imagens acima nos seguintes endereços eletrônicos:





Antes de oferecer informações sobre o assunto, pergunte às crianças o que elas sabem sobre o mesmo:
O QUE VOCÊS SABEM SOBRE A VIAGEM DO HOMEM À LUA?
VOCÊS SABIAM QUE A LUA FOI VISTA EM SUA ÓRBITA ANTES DO HOMEM PISAR EM SEU SOLO?
VOCÊ ACREDITA QUE ELA REALMENTE ACONTECEU?
VOCÊ GOSTARIA DE VIAJAR PELO ESPAÇO?
Anote as principais informações que surgirem na conversa sobre a temática em uma folha de papel 40 kg.
Peça a ajuda das crianças para realizar uma pesquisa e buscar imagens para enriquecer a discussão já iniciada sobre o assunto.
Após esse momento, leia textos com as crianças para trazer informações sobre essas viagens e a sua importância para a ampliação de novos conhecimentos sobre o nosso Sistema Solar :



Aproveite a oportunidade para ressaltar o momento histórico vivido nessa época (Guerra Fria) e as razões que levaram a antiga URSS a enfrentar o desafio das viagens espaciais, assim como a importância desse acontecimento para descobrirmos mais informações sobre o Sistema Solar e o nosso planeta.
 Não esqueça de dizer que esse período também foi o responsável pela visita humana ao solo lunar (EUA) e da complicada relação que se estabeleceu entre os dois países na época.
Após esse momento, que tal criar um quizz com perguntas e respostas sobre as informações aprendidas?
 Será uma ótima oportunidade para sistematizar as informações aprendidas.
Peça às crianças para somarem a pontuação obtida no quizz e construa com elas um gráfico de barras com os resultados alcançados.
Uma boa sugestão de atividade seria criar um bingo com palavras extraídas dos textos trabalhados. Organize uma folha de papel ofício da seguinte maneira:

1- URSS 3- Yuri Gagarin 5- Guerra Fria 7- Laika 9- Brasil 11- 20/07/1969

2- USA 4- Vostok 1 6- Sputinik 8- 12/04/1961 10-Neil Armstrong 12- Cabo Canaveral

Peça às crianças para colocarem uma palavra em cada retângulo.
Sorteie um número e leia a frase correspondente ao número sorteado.
 Antes de dizer a resposta, pergunte a opinião delas.
Para realizar a atividade será necessário refletir sobre o assunto discutido.
 Você poderá tirar as dúvidas remanescentes de uma maneira divertida e interessante.
Recursos Complementares
No site indicado abaixo, você encontra um planejamento com sugestões de trabalho pedagógico sobre o assunto.
Quem sabe você não pode adaptar algumas atividades para as suas turmas?


Lembre-se que as crianças estão apenas tendo o 1º contato sobre o assunto.
Não cabe complexificá-lo demais.
Avaliação
Há aqui, pelo menos, três momentos que precisam ser avaliados:
1° Observar o interesse das crianças pelo assunto.
2º Observar se foi possível compreender o cenário histórico responsável pela 1ª viagem espacial do homem a órbita terrestre, assim como os fatos que fomentaram a 1ª visita humana ao solo lunar.
3° Perceber, por meio de perguntas sobre a aula ministrada, como cada um compreendeu as particularidades do assunto.


 
 
Herança que veio do céu:
contribuições da astronomia no nosso cotidiano.
 
O que o aluno poderá aprender com esta aula
Compreender a aplicação das tecnologias desenvolvidas para as viagens espaciais no cotidiano.
Conhecer alguns objetos tecnológicos que usam tecnologias originárias das pesquisas espaciais.
Identificar o uso de recursos tecnológicos no nosso cotidiano, advindos das pesquisas astronômicas.
Entender e discutir as relações entre Ciência, Tecnologia e Sociedade.
Conhecer algumas contribuições da Astronomia para a melhoria da qualidade de vida das pessoas no planeta Terra.
Duração das atividades
3 aulas de 50 minutos
Estratégias e recursos da aula
Atividade 1
- Em sala de aula ou laboratório de informática ou sala de vídeo
Sugerimos que o professor copie imagens como as sugeridas a seguir e projete para os alunos utilizando data show ou retroprojetor.



Deixar que os alunos apreciem as imagens que certamente trará muitos comentários.
Questões motivadoras:
■Do que se trata? Os astronautas na Lua; Missão Apollo
■Quando isso aconteceu? Em 1969
■Quem poderia ser essa pessoa? Louis Armstrong, Aldrin...
Consideramos esse um bom momento para abordar a questão das teorias conspiratórias, com a questão problematizadora:
■A chegada do homem à Lua foi real ou uma farsa?
Veja a reportagem da Rede Globo (Fantástico - 19.07.09) disponível em:


Dentre os vários vídeos disponíveis sugerimos ao professor que apresente este do fantástico que, além de mostrar algumas imagens da época, as discute.
Lembrando que esse não é o foco da aula, a exibição do vídeo deve ser o sufuciente para introdução ao tema. Se a discussão a esse respeito se tornar acalourada, o professor deve remetê-la a um outro momento.
O vídeo poderá ser acessado diretamente da internet usando um ou vários computadores.
 Consideramos mais pertinente que nesse momento, o professor projete-o para todos ao mesmo tempo, utilizando o data show.
Fechamento da discussão
Independente dessas questões, inegavelmente importantes, o vídeo aponta alguns fatos sobre os quais não há dúvidas.
 Um deles é que a partir do desenvolvimento da Astronomia, na busca de novas tecnologias que possibilitem as viagens espaciais, o desenvolvimento dessa ciência tem trazido benefícios para a humanidade.
Costuma-se chamar de "Spinoffs" à transferência de tecnologias da NASA para uso em situações diversas no nosso cotidiano.
Vejamos o texto.
Leitura do texto de fundamentação teórica
Cabe ao professor entregar os textos para os alunos e solicitar, em um primeiro momento, que os mesmos façam uma leitura silenciosa e individual.
Caso o professor não tenha recursos para a impressão dos textos, cabe a ele preparar transparências para serem projetadas com retroprojetor para que os alunos façam a leitura.
 Em um segundo momento, cada aluno poderá fazer, a leitura de uma parte do texto, para que todos participem.
Em um terceiro momento o professor explica cada parágrafo do texto.

Texto - As missões Apollo à Lua renderam o desenvolvimento de várias tecnologias que são usadas no nosso dia a dia

Em 1958, o presidente americano Dwight Eisenhower (1953-1961) assinou a Lei do Espaço, criando oficialmente a Agência Espacial Americana, a Nasa.
Desde o começo, o propósito do novo grupo se estendia além das espaçonaves e das botas lunares.
A lei estipulava que suas pesquisas e avanços deveriam beneficiar toda a população, e em seus 50 anos de história, a Nasa certamente preencheu esse requisito.
Embora a maioria das pessoas nunca tenha pisado na Lua, todas provavelmente estão em contato com alguma tecnologia da Nasa que se transformou em produto de uso diário.
Em parceria com várias equipes de pesquisa e companhias, a Nasa continua a gerar uma vasta gama de novas tecnologias e produtos que melhoram o nosso cotidiano.
 Passos básicos em saúde, segurança, comunicações e até em entretenimento encontram raízes no braço do governo americano normalmente associado com espaçonaves e pessoas flutuando.
Na verdade, a Nasa registrou mais de 6.300 patentes com o governo americano [fonte: Nasa Scientific and Technical Information].
Todos os anos, desde 1976, a Nasa vem publicando uma lista de toda tecnologia e produto ligado à sua pesquisa.
O jornal "Spinoff", da Nasa, destaca esses produtos, que incluem marcapassos melhorados, máquinas de exercícios com tecnologia de ponta e rádio satélite.
 Esses produtos se tornaram possíveis graças às ideias e à inovação da Nasa.
Mas não é preciso ser um cientista de foguetes para usar muitas dessas tecnologias.
Conheça algumas dessas tecnologias que se transformaram em produtos de uso diário.


Atividade 2
- No laboratório de informática
Sugerimos que essa aula seja no laboratório de informática, onde cada grupo de alunos (no máximo 3) possam acessar a página


e navegar pelo site, que traz inicialmente a "Introdução", correspondente ao texto estudado anteriormente e, em seguida, aborda uma a uma "10 tecnologias da Nasa que você usa diariamente".
Além dessas 10 tecnologias que podem ser acessadas por links individuais, há um link no item 12 que dá acesso a mais 7 tecnologias.

Dinâmica da aula no laboratório de informática.

Recomendamos que essas instruções sejam passadas aos alunos com antecedência, para que eles saibam o que fazer e o façam oganizadamente e com autonomia durante a aula.
O professor deve propor que os alunos leiam a primeira página e registrem em seus cadernos:
■Quais são as 10 tecnologias da Nasa utilizadas pela população em geral no seu dia a dia?
■E as outras invenções da Nasa para o cotidiano?
O professor deverá, de antemão, distribuir esses 17 itens relativos ao tema para os grupos de alunos de modo que cada grupo pesquise, no mínimo dois "spinoffs" diferentes.
Sugerimos que seja destinado a cada grupo uma das 10 tecnologias que podem ser acessadas por links individuais e uma tecnologia que é apresentada no item 12 "Outras invenções da Nasa para o cotidiano".
Os alunos deverão ficar à vontade para lerem todas as informações disponíveis sobre todas as tecnologias, porém terão que registrar dados referentes a duas delas.
Para que não haja repetições e ausências, o professor deverá organizar a distribuição desses itens de pesquisa.
 Essa distribuição deverá constar nas recomendações preparadas previamente pelo professor, assim como algumas questões, como as sugeridas a seguir.
Os alunos de cada grupo deverão estudar com atenção os seus temas, discutir entre si e registrar, para cada um deles:
a) Para que foi desenvolvida a tecnologia original pela Nasa?
b) Como foi feita a transferência para produtos usados pela população em geral?
c) Quais são os benefícios desse "spinoff" para a humanidade?
Além dessas questões explicitadas nos vídeos, o professor deve chamar a atenção para uma outra referente ao acesso da população mundial a esses benefícios oriundos dos estudos da NASA.
Para que tal abordagem aconteça, o professor deverá lançar a seguinte questão problematizadora, para uma discussão nos grupos e, posteriormente, com toda a turma no momento da socialização:
Como é o acesso da população a esses "benefícios" oriundos dos estudos da NASA
1- Em nível mundial?
2- Em nível das classes socioeconômicas dessas diversas populações?
As dez tecnologias são:
Aparelhos ortodônticos invisíveis;
Lentes resistentes a arranhões;
Espuma inteligente;
 Termômetro de ouvido;
Palmilha de tênis;
Telecomunicação de longa distância;
Detector de fumaça ajustável;
Ranhuras de segurança;
Ferramentas sem fio;
Filtros de água.
Outras invenções da Nasa para o cotidiano:
Antena de TV por satélite;
Geração de imagens médicas;
 Sistema de análise de visão;
Ferramentas para projetos de automóveis;
 Botas e luvas térmicas;
Roda aerodinâmica para bicicletas ;
Controles de joystick.
Atividade 3
- Em sala de aula- Socialização das pesquisas pelos grupos de alunos e produção de painel.
O professor deverá organizar essa apresentação, administrando o tempo a fim de garantir a fala de todos os grupos e deixando um tempo final para a discussão e esclarecimento de dúvidas.
Ao final, o professor deverá reunir todas as anotações dos grupos e montar um texto coletivo que deverá, em um primeiro momento, ser distribuído a cada aluno da turma e, em um segundo momento, ser enviado para publicação no jornal da escola.
Se houver domínio da técnica de digitação entre os alunos, os mesmos poderão enviar, por e-mail, as suas pesquisas digitadas para que o professor faça essa compilação de informações.
Isso pode ser feito também por um aluno ou um grupo; mas nesse caso, requer uma correção posterior pelo professor.
Para finalizar esse estudo, propomos que os alunos montem, coletivamnte, um painel a ser exposto no mural da escola.
Cada grupo de alunos se encarrega de trazer imagens relativas ao seu tema, o que não os impede de contribuir com os demais, se houver essa possibilidade.
As frases, as palavras e os espaços no painel deverão ser negociadas entre os alunos, com a mediação do professor.
Recursos Complementares
O homem no espaço: conhecimento e incerteza: 


 Trata-se de uma reportagem com 19 documentos que proporcionarão suporte teórico ao professor para que possa desencadear uma boa discussão do tema em sala de aula.
Avaliação
A avaliação do conteúdo poderá ser realizada de maneira processual, ao longo das aulas e de cada atividade desenvolvida.
Poderão ser utilizados como instrumentos avaliativos os registros e as discussões sobre as situações apresentadas, os registros da pesquisa e o painel construído pelos alunos.



Textos referentes para enriquecimento:







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sexta-feira, dezembro 02, 2011

Natal> Guia do professor> Nova Escola> 02/12/11


Natal

Especial de Natal



Nesta coletânea de textos, veja como tratar as dúvidas que os alunos têm sobre o tema, conheça contos relacionados à data e entenda por que não se deve dispender o valioso tempo didático com a organização de festividades:
Como encaminhar as dúvidas da turma. Na dúvida?
"Professora, Papai Noel existe?" Saiba como responder


A Estrela de Natal
http://revistaescola.abril.com.br/fundamental-1/estrela-natal-646955.shtml

Missa do Galo
http://revistaescola.abril.com.br/fundamental-2/missa-galo-634362.shtml

Plano de aula
Filme: O estranho mundo de Jack
http://revistaescola.abril.com.br/fundamental-1/estranho-mundo-jack-como-criar-storyboard-639786.shtml

Nas bancas: Guia do professor iniciante
 
Os dilemas do começo da carreira e seus horizontes, a formação profissional e pessoal, a chegada à escola, o dia a dia de trabalho, os relacionamentos.

 


Parabéns a Revista Nova Escola.
Se eu tivesse lido esta revista a 30 anos atrás.....


Como toda profissão, ao se iniciar o jovem fica meio que perdido mesmo...
Ainda mais tratando-se do magistério.
Para começar a polêmica do salário...
Depois vem a indisciplina  na sala de aula, falta de vontade de estudar dos alunos,etc...
Tirando estes senões (e não são poucos) gostaria de registrar minha experiência...

Primeiro a inexistência na minha época de orientação vocacional.
Não sabia se queria ser professora...Depois disso, o curso de magistério.
Gostei dele,embora falasse aos quatro cantos que não daria aulas.
Fiz Pedagogia aos trancos e barrancos, pois já havia prestado concurso no estado e desde então o governo já( a sua moda) incentivava-nos a concluir cursos superiores para futuros acessos na carreira. Segui piamente estes passos, já que pelo visto  estava mais que suposto que esta seria minha profisão.
Sentia-me incompetente para ser regente de turmas e com jeitinho fui parar no serviço administrativo, na Superintendência Regional de Ensino.
 Lá fiquei muitos anos, negando-me a atuar na área pedagógica.
Por alguma razão lá na frente fiz algumas especializações como de supervisor pedagógico, orientador educacional e até pós- graduação em didática.
Tudo isto trabalhando na área administrativa, insatisfeita, reclamando de tudo...

Chegando o ano dois mil, muita coisa mudando e eu também.
Concurso público para cargos administrativos...
Minha opção era permanecer no cargo de magistério. Havia estudado  tanto....
Parece que eu estava contra a maré. Por que fui eu me especializar na área pedagógica?
Para mim, ser professora regente de classe seria impossível,pois me considerava despreparada e o pior: era muito tímida, como falar em público? Tinha medo,medão....
Porém decidi não passar no concurso....Fiz por exigência legal,na época.
Daí então fui para uma escola de ensino fundamental...
Fiquei na secretaria uns dias...Veio a proibição de professor fora de sala de aula...
Havia um incentivo a docência que chamamos de pó -de -giz e outro chamado biênio.
Claro que eu não usufruia destes benefícios. Mas eu assumia minha incompetência diante de uma classe,então ficava na minha, ganhando menos....

Tudo isto  porque eu não tive um incentivo profissional.Ninguém veio me incentivar ....
Finalmente o governo me enfiou a faca no peito: sala de aula já!
E aí? Não tinha vaga para todas nós.
Outra avalanche  educacional aconteceu em Minas chamada municipalização de escolas...
Com isto muitas professoras do ensino fundamental 1 ficaram sem sala de aula. Aquelas que cursaram Licenciatura foram encaixadas nas turmas de 6º ao 9ºano. Quem não tinha Licenciatura  ou mesmo com Pedagogia,que era meu caso, deveria ir para uma escola de 1ºao 5ºano. E havia escola estadual para todas?? Não!
Muitas foram para escola municipais e assim aconteceram mais histórias....

Voltando a meu caso: Fiquei na escola, fora da sala de aula,mas com uma ponta de faca nas costas....O cerco apertando ....
Veio então um incentivo : crie um projeto, execute-o, se for aprovado você recebe pó-de-giz....
Eu já estava com quase 22 anos de trabalho, sendo professora fora de sala de aula, que dureza!

Comecei do zero, elaborei o Projeto Estímulo à Leitura, tive apoio da direção da escola e de algumas colegas e deu certo. Comecei  tomando leituras dos alunos nas portas das salas de minhas colegas de Língua Portuguesa. Tudo virou uma oficina de leitura...
(Vejam detalhes nas postagens do projeto)
Vieram outros projetos, fui convidada para atuar no Projeto de Tempo Integral da escola com minhas aulas de linguagem.

Poxa! Se eu tivesse tido esta "ponta de faca" no início de minha jornada....
Se eu tivesse a internet para pesquisas desde 1979 quando comecei....
Se as colegas experientes não destilassem desânimo e sorrissem pra  gente iniciante...
Acho importante que professoras experientes recebam bem as novatas.
Não tive esta experiência...Não vivenciei isto.
Eu caí de paraquedas nos cursos de especializações. Na verdade fui "levada" por colegas do curso de Pedagogia. E fui indo....Só habilitando.....

Minha opinião sobre ser professora ou supervisora?
VOCAÇÃO
A realidade da escola pública estadual é a seguinte: o supervisor ou o orientador é considerado especialista. Assim sendo o diretor pode delegar tarefas administrativas a seu bel prazer.
Conclusão: O professor não tem apoio pedagógico algum.
Espero que na rede privada seja diferente...
Sempre gostei de pesquisar...Indicar bibliografias....Criar atividades....
Daí surgiu o blog...Daí surgiu tudo....
Sou professora e pedagoga graças aos meus estudos, pesquisas solitárias e alguns  empurrões administrativos.
Portanto, revistas como esta da Nova Escola são bem-vindas.
Oxalá iniciantes leiam minha recomendação.
Uma de minhas lembranças boas da escola era de oferecer material didático às colegas.
Eu parecia uma supervisora!
Entristeço-me muito quando vejo jovens professoras chegando na escola aos trancos e barrancos sem assessoria pedagógica.Esta é uma realidade pública. Poucos cargos,muito trabalho, e muitas vezes nenhuma vocação.Somando com a clientela rebelde de hoje que não respeita o professor não sei onde vamos parar.
Outro detalhe crucial é a formação acadêmica destes futuros professores.Os cursos estão a desejar não?
Quando eu ouço uma professora falar : " para mim estudar" meu ouvido estremece....
Que venham mais revistas e orientações pertinentes aos futuros profisionais da educação.



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