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Colaboração e Direitos

Colaboração e Direitos Autorais
Olá amiga(o) ,
Fui professora dos projetos "Estímulo À Leitura",
"Tempo Integral" e a favor da leitura lúdica,
afinal, quer momento mais marcante que a fantasia da vida?
Portanto,será um prazer receber sua visita em mais um blog destinado a educação.
Nele pretendo postar comentários e apreciações de materiais didáticos de Língua Portuguesa, além de outros assuntos pertinentes , experiências em sala de aula, enfocando a interdisciplinaridade e tudo que for de bom para nossos alunos .
Se você leu ,experimentou, constatou a praticidade de algum material e deseja compartilhar comigo,
esteja à vontade para entrar em contato.
Terei satisfação em divulgar juntamente com seu blog ,ou se você não tiver um, este espaço estará disponível dentro de seu contexto.
Naturalmente,assim estaremos contribuindo com as(os) colegas que vêm em busca de sugestões práticas.
Estarei atenta quanto aos direitos autorais e se por ventura falhar em algo,por favor me avise para que eu repare os devidos créditos.
Caso queira levar alguma publicação para seu blog,não se
esqueça de citar o "Linguagem" como fonte.
Você, blogueira sabe tanto quanto eu ,que é uma satisfação ver o "nosso cantinho" sendo útil e nada mais marcante que
receber um elogio...
Venha conferir,
seja bem- vinda(o)
e que Deus nos abençoe.
Krika.
30/06/2009

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domingo, maio 29, 2011

A volta do pássaro encantado - Rubem Alves 29/05/11

A volta do pássaro encantado
Rubem Alves
A volta do pássaro encantado
Vocês se lembram?
 Já contei a estória do Pássaro Encantado de muitas cores, que amava a menina....
Mas sempre chegava a hora em que ele dizia:
“É preciso partir, ficar longe por muito tempo, para que a saudade cresça, e dentro dela o encanto!”....
E ele voava....
A menina ficava, e chorava.
Até que não mais aguentou a dor da saudade e prendeu o Pássaro numa gaiola de prata, para que nunca mais a deixasse.
Ele ficou, mas murchou. Seus olhos entristeceram e suas cores se apagaram.
 Acabou também a saudade, e o encanto se foi.
 A menina entendeu, então, que é preferível a dor da saudade encantada à tristeza de uma presença encarcerada. E abriu a porta da gaiola.
O Pássaro voou para muito longe até que a saudade voltasse a crescer.
Um dia ele voltou. Mas estava diferente.Triste
__Você mudou_ disse a Menina!
__Eu sei, ele respondeu. __Perdi a alegria. Não mais tenho vontade de voar!
__Como foi que isto aconteceu?__perguntou a menina.
__Estou velho. Não sou como era...ele respondeu.
__Quem lhe contou isto?
__O espelho.
Com estas palavras, o Pássaro tirou de dentro de suas penas um espelho de ouro e começou a contemplar o seu rosto.
__Não me lembro deste espelho__disse a menina
__Foi presente de alguém! Deixado à minha porta__explicou o Pássaro.
“Como seu Pássaro mudara!”, a Menina pensou.
Ela nunca o havia visto se olhando num espelho.
Seus olhos estavam sempre cheios de mundos, de montanhas e campos nevados, florestas e mares...
Tão cheios de mundos, que não havia neles lugar para sua própria imagem.
Mas agora era como se os mundos não mais existissem.
Os olhos do Pássaro estavam cheios do seu próprio reflexo.
A menina percebeu que o seu Pássaro fora enfeitiçado.
Com certeza alguém, com inveja, como a madrasta da Branca de Neve.
E que instrumento mais terrível para o feitiço que um espelho?
 Mais terrível que as gaiolas.
De dentro das gaiolas todos querem sair. Mas dentro dos espelhos todos querem ficar.
A menina se entristeceu...
E jurou que tudo faria pra quebrar qualquer feitiço.
Mas de feitiços ela nada entendia.
Procurou então os conselhos de um velho mago, que lhe revelou o segredo do poder de todos os bruxedos.
__Uma pessoa fica enfeitiçada quando se torna incapaz de amar.
E, para isto, não existe nada mais forte que um espelho.
O espelho faz com que as pessoas só se vejam a si mesmas.
E quem só vê o próprio reflexo não consegue amar.
Adoece e morre.
Narciso morreu assim, enfeitiçado por sua própria beleza, refletida na água da fonte.
E foi a beleza da madrasta da Branca de Neve, refletida no espelho que a transformou de mulher linda em bruxa horrenda.
__Contra o feitiço do espelho existe um só remédio: é preciso redescobrir o amor.
Ficar de novo apaixonado.
Somente o amor tem poder suficiente para arrancar as pessoas de dentro da armadilha do espelho. Mas não há receitas...
Somente quem ama a pessoa enfeitiçada pode salvá-la....
A menina pensou que, talvez , as coisas que o Pássaro sempre amara, no passado teriam o poder para fazê-lo amar agora, no presente
E se lembrou da alegria que ele tinha nas frutas do pomar.
Trouxe-lhe então as mais queridas :caquis, pitangas, mangas romãs, jabuticabas, mexericas, aquelas que guardavam as memórias de infância escondida em sua carne.
Mas o Pássaro se recusou a comer.
Não tinha fome de frutas. Sua boca estava amortecida. Como se não existisse.
Só tinha olhos, olhos que fitavam o espelho em busca de uma beleza perdida, ausente.
A menina não se deu por vencida. Resolveu tentar a sedução dos perfumes.
Os perfumes são sutis: penetram fundo, nas profundezas da alma.
Lembrou-se de que o Pássaro amava o cheiro bom das plantas.
Foi então ao jardim e ali colheu flores de jasmim, de magnólia, de madressilva, da flor-do-imperador e as folhas de hortelã, manjericão, rosmaninho de alecrim...
”Ah!”, ela pensava, “não existe bruxedo que resista aos perfumes.
Porque eles entram na alma, aonde nem mesmo os pensamentos e os olhares enfeitiçantes conseguem chegar...”
Mas o Pássaro também se tornara incapaz de sentir os perfumes.
Ele era só olhos em busca de uma imagem perdida....
__Minha tristeza mora num lugar mais fundo que o lugar dos perfumes, ele explicou à Menina.
__Tenho...saudades de mim mesmo , daquilo que já fui. Procuro, no espelho,um rosto passado, um tempo perdido...
E a tristeza e por isto, porque sei que não é possível reencontrar!
A Menina pensou, então, que a ciência poderia ajudar.
Procurou médicos de perto e de longe, e voltou para casa carregada de pílulas e injeções(química), cheias de alegria.
Mas os milagres eram curtos e a alegria se ia tão depressa quanto chegara.
Mas a doença não é do corpo__ disse o Pássaro.
 __Ela mora na alma. Se eu não vôo,não é porque minhas asas ficaram fracas.
Elas ficaram fracas porque não desejo mais voar.
E quando o desejo se vai, vai-se também a alegria, e o corpo envelhece!
A menina, chorando, lhe pergunta:
_Mas não existe remédio algum para a tristeza?
__Sei que existe__disse o Pássaro, __ Mas num lugar muito longe (ou será num lugar muito perto?), que não sei onde é.
Mas para chegar lá, há de se saber voar.
Você já voou? __o Pássaro perguntou a menina
__Voar , eu? Sou uma menina, não tenho asas...
__Mas você já tem asas __ ele afirmou. __E nem se quer percebeu...
É que as asas das meninas, diferente das asas das borboletas e dos pássaros, não são vistas com os olhos. São invisíveis...Só podem ser vistas com os olhos da imaginação!
A menina nunca havia pensado nisto, que um dia ela teria asas.
Parecia tão absurdo! E, de repente, se lembrou...
... Um presente muitos anos atrás, que seu Pássaro lhe trouxera de uma de suas viagens: um pôster colorido, uma menina, com asas de borboleta, que leve voava sobre a superfície de um lago.
E ela lhe perguntara, espantada:
-- Uma menina com asas?
E o Pássaro respondera:
-- Mas você nunca percebeu as asinhas que já começam a crescer em suas costas?
E os dois riram de felicidade.
Pois é: chegara o momento em que teria que começar a voar.
-- A quem devo procurar? – ela perguntou.
-- Procure aqueles que sabem voar: os poetas.
Eles têm asas mágicas, feitas com palavras e se chamam poemas !...
E a Menina partiu em busca do remédio que faz retornar a alegria à alma, a fim de dar leveza ao corpo...
Encontrou um poeta e fez seu pedido.
O poeta a olhou com um olhar de bondade e lhe disse:
-- Não posso atender seu pedido. Também eu estou procurando.
Sabe por que sou poeta?
Porque sinto em tudo só uma pitada de alegria.
Mas ela se vai tão depressa, misturada à tristeza.
Passa depressa como o Vento... Até um poeta já disse:
Leve, muito leve,
Um Vento passa ,
E vai-se sempre muito leve!...
Assim é a alegria....
Nós a cantamos, quando ela aparece.
Bem que gostaríamos de sermos mágicos para chamá-la e distribuí-las pelo mundo...
Mas não podemos ajudá-la!
Quem sabe os monges...
Eles têm asas de luz...
Consta que descobriram o segredo da alegria!...
A Menina amou o poeta e até quis ficar com ele mais tempo.
 Mas lembrou-se de seu Pássaro... E continuou.
Voou alto, muito alto, para o cume de uma montanha deserta e nevada, onde monges se dedicavam à busca de Deus.
-- Si, Menina, Deus é a suprema alegria.
Por vezes a sentimos. Mas passa rápido, muito rápido.
Como o sol que se pões.
E nada há que possa detê-la.
Passa rápido como a beleza do crepúsculo.
 Sabe porque fizemos o nosso mosteiro tão alto?
Para que a alegria do pôr-do-sol demore um pouco mais.
Queremos a beleza da luz que se vai, onde mora Deus, onde mora a alegria. Venha comigo!...
E tomando a menina pela mão levou-a até um templo, lugar sagrado...
 E a luz do crepúsculo filtrava-se pelos vitrais de muitas cores...
-- Veja como entra pelos vitrais. Como é suave esta alegria.
Mas logo se vai e a noite chega. Com a noite vem a tristeza e o medo...
Felizmente, com o nascer do sol, ela volta.
O choro dura uma noite toda, mas a alegria vem pela manhã...
 Vivemos assim, entre a tristeza que vem e a alegria que foge...
Não, Menina, não conseguimos prender a alegria.
Só conseguimos aprender a cantar quando ela vem...
Quem sabe os revolucionários, que desejam construir o paraíso sobre a terra.
Eles têm asas de fogo!...
A Menina amou aqueles homens e achou lindo o que estavam fazendo, celebrando a luz que vem e que vai... Quis ficar.
Mas havia um Pássaro triste, lá embaixo, que esperava por ela.
Abriu suas asas e se foi, em busca dos revolucionários.
 Encontrou-os nas montanhas. Moravam nas alturas, não porque quisessem subir para as estrelas como os monges, mas porque queriam descer para os vales.
Amavam a terra e por ela dariam suas vidas.
-- Como gostaria de ter a resposta para sua pergunta, Menina – disse um deles, de rosto enigmático, estranha combinação de dureza e ternura. – Sei o que tira a alegria.
Os corpos famintos, perseguidos, sofridos, dos pobres e fracos – ah!, como é difícil que se alegrem! A fome, a dor, a doença, as injustiças são todas inimigas da alegria.
E para ela queremos preparar o caminho: quebrar as espadas, queimar as botas, abrir as prisões, distribuir as terras, perdoar as dívidas... Isto nós sabemos fazer.
Mas alegria é coisa mágica que vem de dentro, não de fora.
O que fazemos é preparar a terra para que ela possa vir das funduras de onde mora.
Ela mora no lugar dos sonhos, aonde os nossos não podem ir!
Para ter alegria é preciso sonhar. Mas este segredo nós não sabemos.
Talvez os intérpretes de sonhos... Eles têm asas de luar!...
A Menina amou o rosto duro e terno daquele homem, admirou sua coragem, mas sentiu uma discreta tristeza em sua fala.
Também ele não havia encontrado a alegria. Abriu suas asas...
Já estava ficando cansada. E partiu em busca dos intérpretes dos sonhos.
Sonhos: como são estranhos... Aparecem à noite, quando dormimos. Vêm de muito fundo, lá onde moram nossos desejos adormecidos. Eles são entidades tímidas. Só aparecem com o brilho do luar...
-- Ah! Menina, você nos pergunta sobre o segredo da alegria.
Sabemos que é nos sonhos que ela se realiza, como quando se espera a volta da pessoa amada. Antes é a saudade, o vazio.
Depois o abraço.
Alegria é isso: poder abraçar o que se ama.
Mas é preciso primeiro saber, primeiro, o nome do que se ama.
E é este nome que aparece, disfarçado, nos sonhos. Conte-nos os sonhos do seu Pássaro!
Mas o Pássaro havia parado de sonhar.
-- Então não podemos ajudá-la. Mas sabemos que os que sonham são os apaixonados.
Eles têm asas feitas de saudade. Quem sabe eles lhe dirão o segredo!...
E a Menina partiu, triste. Já estava cansada, longe, muito longe de seu amado Pássaro...
E pensou se não seria melhor estar com ele, em sua tristeza.
 E dentro dela a saudade foi crescendo, doendo, um desejo enorme de voltar...
Muito longe dali, o Pássaro se olhava no espelho e chorava os sinais do tempo gravados no seu rosto e a única coisa que via era sua própria imagem.
De repente, entretanto, algo passou bem no fundo da sua alma, como se fosse um vento leve, bem leve; ou um raio de sol crepuscular; uma pequena chama de fogueira no frio das montanhas; um sonho bonito, em meio à noite...
E ele se lembrou da Menina.
Onde estaria ela?
Deixou sobre a mesa o espelho e saiu “em busca das marcas da sua Ausência”, no perfume das flores, no gosto dos frutos, no quarto vazio...
Havia, por todos os lugares, a presença da sua Ausência.
E naquele corpo, por tanto tempo morto dentro do espelho, o Desejo cresceu, o rosto sorriu, as asas se abriram e o que era pesado voou...
Ressuscitou...
E cada um deles partiu, ignorando o que o outro fazia, em busca do reencontro...
O feitiço fora quebrado.
Estavam apaixonados.
Voavam leves, ao Vento, com as asas da saudade...
E ambos traziam, no brilho dos olhos, os sinais da juventude eterna que os anos não conseguem apagar...
Porque os que estão apaixonados, não envelhecem jamais...
 Possibilidades de práticas educativas
1. Atividade inicial
Reúna as crianças e solicite que elas imaginem como seria o pássaro encantado da história.
2. Atividade relativa ao texto
Após a escuta do texto, pergunte às crianças:
• Como era então o pássaro da história?
Da mesma forma que vocês imaginaram?
• Por que o pássaro era encantado?
O que o tornava encantado?
• O que a menina fez, que deixou o pássaro tão triste, sem encanto?
• Por que a menina engaiolou opássaro?
• O que significa a saudade?
• Vocês já sentiram saudade de alguém?
Quando? Como foi sentir saudade?
• O que é liberdade?
• O amor da menina pelo pássaro, poderia deixar o pássaro preso?
• De que os pássaros precisam?
3. Sugestões de atividades aplicativas ao texto
• Na história, o pássaro era encantado porque tinha saudade da menina e a saudade o deixava mais belo, maisencantado, para poder sempre, reencontrá-la. Se o pássaro ficasse engaiolado, não teria liberdade e nunca mais teria saudade da menina, sendo assim o amor iria embora.
O que significa então a saudade?
Peça que cada criança represente o significado da saudade, seja escrevendo um pequeno poema, ou então desenhando e/ou escrevendo apenas um verso.
O PASSARINHO ENGAIOLADO

 O Passarinho  engaiolado
Rubem Alves

Dentro de uma linda gaiola vivia um passarinho.
De sua vida o mínimo que se poderia dizer era que era segura e tranquila, como seguras e tranquilas são as vidas das pessoas bem casadas e dos funcionários públicos.
Era monótona, é verdade. Mas a monotonia é o preço que se paga pela segurança.
Não há muito o que fazer dentro dos limites de uma gaiola, seja ela feita com arames de ferro ou de deveres.
Os sonhos aparecem, mas logo morrem, por não haver espaços para baterem suas asas.
Só fica um grande buraco na alma, que cada um enche como pode.
Assim, restava ao passarinho ficar pulando de um poleiro para outro, comer, beber, dormir e cantar.
O seu canto era o aluguel que pagava ao seu dono pelo gozo da segurança da gaiola.
Bem se lembrava do dia em que, enganado pelo alpiste, entrou no alçapão.
Alçapões são assim; tem sempre uma coisa apetitosa dentro.
Do alçapão para a gaiola, o caminho foi curto, através da Ponte dos Suspiros.
Há aquele famoso poema do Guerra Junqueiro, sobre o melro, o pássaro das risadas de cristal.
O velho cura, rancoroso, encontrara seu ninho e prendera seus filhotes na gaiola.
A mãe, desesperada com o destino dos filhos, e incapaz de abrir a portinha de ferro, traz no bico um galho de veneno. Meus filhos, a existência é boa só quando é livre.A liberdade é a lei. Prende-se a asa, mas a alma voa... Ó filhos, voemos pelo azul...! Comei...!
É certo que a mãe do passarinho nunca lera o poeta, pois o que ela disse ao filho, foi: Finalmente minhas orações foram respondidas. Você está seguro, pelo resto de sua vida. Nada há a temer.
Não é preciso se preocupar.
Acostuma-se.
Cante bonito. Agora posso morrer em paz.
Do seu pequeno espaço ele olhava os outros passarinhos.
Os bem-te-vis, atrás dos bichinhos; os sanhaços, entrando mamões adentro; os beija-flores com seu mágico bater de asas; os urubus nos seus vôos tranquilos da fundura do céu; as rolinhas arrulhando, fazendo amor. As pombas voando como flexas.
Ah! Os prudentes conselhos maternos não o tranquilizavam.
Ele queria ser como os outrospássaroslivres...Ah! se aquela maldita porta se abrisse.
Pois não é que, para surpresa sua, um dia o seu dono a esqueceu aberta?
Ele poderia agora realizar todos os seus sonhos. Estava livre, livre, livre!
Saiu. Voou para o galho mais próximo. Olhou para baixo. Puxa! Como era alto.
Sentiu um pouco de tontura.
Estava acostumado com o chão da gaiola, bem pertinho. Teve medo de cair.
Agachou-se no galho, para Ter mais firmeza. Viu uma outra árvore mais adiante.
Teve vontade de ir até la. Perguntou-se se suas asas aguentariam.
Elas não estavam acostumadas. O melhor seria não abusar, logo no primeiro dia.
Agarrou-se mais firmemente ainda. Neste momento um insetinho passou voando bem na frente do seu bico. Chegara a hora. Esticou o pescoço o mais que pôde, mas o insetinho não era bobo. Sumiu mostrando a língua.
__ Ei, você __ era uma passarinha. __ Vamos voar juntos até o quintal do vizinho. Há uma linda pimenteira, carregadinha de pimentas vermelhas.
Deliciosas. Apenas é preciso prestar atenção no gato, que anda por lá...
Só o nome gato lhe deu arrepio. Disse para a passarinha que não gostava de pimentas.
A passarinha procurou outro companheiro. Ele preferiu ficar com fome. Chegou o fim da tarde e, com ele a tristeza do crepúsculo. A noite se aproximava. Onde iria dormir?
Lembrou-se do prego amigo, na parede da cozinha, onde sua gaiola ficava dependurada.
Teve saudades dele. Teria de dormir num galho de árvore, sem proteção.
Gatos sobem em árvores?
Eles enxergam no escuro?
E era preciso não esquecer os gambás.
E tinha de pensar nos meninos com seus estilingues, no dia seguinte.
Tremeu de medo. Nunca imaginaria que a liberdade fosse tão complicada.
Somente podem gozar a liberdade aqueles que têm coragem. Ele não tinha.
Teve saudade da gaiola. Voltou. Felizmente a porta ainda estava aberta.
Neste momento chegou o dono. Vendo a porta aberta, disse:
___ Passarinho bobo. Não viu que a porta estava aberta.
 Deve estar meio cego.
Pois passarinho de verdade não fica em gaiola. Gosta mesmo é de voar.
1. Atividade inicial
Converse com as crianças se é possível um pássaro viver na gaiola, pergunte:
-  Como vivem os pássaros?
-  Qual é o seu hábitat natural?
-  Por que encontramos pássaros engaiolados?
Possibilidades de práticas educativas
2. Atividade relativa ao texto
Após o momento da escuta da história, questione as crianças:
• Como é ter uma vida de pássaro?
• Como era a vida dopássaro da história de Rubem Alves?
• Como ele foi aprisionado?
• Qual era a frase que estava na gaiola? E o que ela significa?
Será que um pássaro que viveu sempre na gaiola, conseguirá um dia viver livremente, como os pardais? Como as pombas?
Como os beija-flores?
• Por que o pássaro, que teve oportunidade de voar livremente,voltou para a gaiola?
Nessa história, é importante conversar com as crianças que às vezes nos deixamos ser aprisionadospela insegurança, pela falta de iniciativa.
 Se vivermos sempre do mesmo jeito, apenas com a mesma rotina, teremos dificuldade para superarmos os
problemas, e enfrentarmos novos desafios.
Assim como o pássaro que foi criado em cativeiro, teria realmente dificuldade de viver como pássaros que nascem ecrescem livremente.
Mas, é preciso ter coragem para enfrentar as dificuldades da vida.
Não podemos fugir dos problemas e nos esconder das dificuldades que aparecem.
Sugestões após a leitura:
Contação Oral
Narração escrita
Ficha de leitura
Personagem de sucata
Desenho da cena que mais chamou a atenção
Exemplo do produção de texto feito por alunos
O passarinho engaiolado
Era uma vez um passarinho engaiolado, que tinha tranquilidade e segurança. As pessoas, para sua segurança, vivem fechadas como se fossem gaiolas e isso é chato, não podemos brincar e não divertir com liberdade.
Alguns malvados furam os olhos dos pássaros engaiolados. Dizem que pássaro de olhos furados cantam melhor, talvez cegos eles se esqueçam que estão presos numa gaiola. Só que estas pessoas não vêem que também são cegas, só enxergam seu mundo, são egoístas.
O passarinho bem se lembrava do dia que, enganado pelo alpiste, entrou no alçapão. Na porta da gaiola tinha uma frase escrito:
“Deixai toda a esperança vós que entrais”. Mas passarinho não sabe ler.
Tem um poema que fala de um pássaro que comia as sementinhas que o padre semeava. O padre de vingança engaiolou os filhotes do pássaro, então, o pássaro trouxe um galho de veneno e disse aos seus filhotes:
_ Oh filhos, a existência só é boa quando é livre, oh filhos voemos pelo azul, comei !_ É certo que a mãe do passarinho engaiolado nunca leu o poema.
Um dia, o seu dono esqueceu a porta da gaiola aberta, finalmente estava livre, livre! Voou até a árvore mais próxima. Um inseto passou por ali, mas ele não conseguiu comê-lo.
Uma passarinha o convidou pra ir no quintal do vizinho, mas ele recusou. Não conseguia vencer a liberdade., voltou ao seu “Lar”.
Seu dono pensou: “Pássaro bobo. Não viu que a porta estava aberta”.
Fonte:

BIOGRAFIA
 
 
Rubem Alves nasceu no dia 15 de setembro de 1933, em Boa Esperança, sul de Minas Gerais, naquele tempo chamada de Dores da Boa Esperança. A cidade é conhecida pela serra imortalizada por Lamartine Babo e Francisco Alves na música "Serra da Boa Esperança".
A família mudou-se para o Rio de Janeiro, em 1945, onde, apesar de matriculado em bom colégio, sofria com a chacota de seus colegas que não perdoavam seu sotaque mineiro. Buscou refúgio na religião, pois vivia solitário, sem amigos. Teve aulas de piano, mas não teve o mesmo desempenho de seu conterrâneo, Nelson Freire. Foi bem sucedido no estudo de teologia e iniciou sua carreira dentro de sua igreja como pastor em cidade do interior de Minas.
No período de 1953 a 1957 estudou Teologia no Seminário Presbiteriano de Campinas (SP), tendo se transferido para Lavras (MG), em 1958, onde exerce as funções de pastor naquela comunidade até 1963.
Casou-se em 1959 e teve três filhos: Sérgio (1959), Marcos (1962) e Raquel (1975). Foi ela sua musa inspiradora na feitura de contos infantis.
Em 1963 foi estudar em Nova York, retornando ao Brasil no mês de maio de 1964 com o título de Mestre em Teologia pelo Union Theological Seminary. Denunciado pelas autoridades da Igreja Presbiteriana como subversivo, em 1968, foi perseguido pelo regime militar. Abandonou a igreja presbiteriana e retornou com a família para os Estados Unidos, fugindo das ameaças que recebia. Lá, torna-se Doutor em Filosofia (Ph.D.) pelo Princeton Theological Seminary.
Sua tese de doutoramento em teologia, “A Theology of Human Hope”, publicada em 1969 pela editora católica Corpus Books é, no seu entendimento, “um dos primeiros brotos daquilo que posteriormente recebeu o nome de Teoria da Libertação”.
De volta ao Brasil, por indicação do professor Paul Singer, conhecido economista, é contratado para dar aulas de Filosofia na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Rio Claro (SP).
Em 1971, foi professor-visitante no Union Theological Seminary.
Em 1973, transferiu-se para a Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP, como professor-adjunto na Faculdade de Educação.
No ano seguinte, 1974, ocupa o cargo de professor-titular de Filosofia no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), na UNICAMP.
É nomeado professor-titular na Faculdade de Educação da UNICAMP e, em 1979, professor livre-docente no IFCH daquela universidade. Convidado pela "Nobel Fundation", profere conferência intitulada "The Quest for Peace".
Na Universidade Estadual de Campinas foi eleito representante dos professores titulares junto ao Conselho Universitário, no período de 1980 a 1985, Diretor da Assessoria de Relações Internacionais de 1985 a 1988 e Diretor da Assessoria Especial para Assuntos de Ensino de 1983 a 1985.
No início da década de 80 torna-se psicanalista pela Sociedade Paulista de Psicanálise.
Em 1988, foi professor-visitante na Universidade de Birmingham, Inglaterra. Posteriormente, a convite da "Rockefeller Fundation" fez "residência" no "Bellagio Study Center", Itália.
Na literatura e a poesia encontrou a alegria que o manteve vivo nas horas más por que passou. Admirador de Adélia Prado, Guimarães Rosa, Manoel de Barros, Octávio Paz, Saramago, Nietzsche, T. S. Eliot, Camus, Santo Agostinho, Borges e Fernando Pessoa, entre outros, tornou-se autor de inúmeros livros, é colaborador em diversos jornais e revistas com crônicas de grande sucesso, em especial entre os vestibulandos.
Afirma que é “psicanalista, embora heterodoxo”, pois nela reside o fato de que acredita que no mais profundo do inconsciente mora a beleza.
Após se aposentar tornou-se proprietário de um restaurante na cidade de Campinas, onde deu vazão a seu amor pela cozinha. No local eram também ministrados cursos sobre cinema, pintura e literatura, além de contar com um ótimo trio com música ao vivo, sempre contando com “canjas” de alunos da Faculdade de Música da UNICAMP.
O autor é membro da Academia Campinense de Letras, professor-emérito da Unicamp e cidadão-honorário de Campinas, onde recebeu a medalha Carlos Gomes de contribuição à cultura.
Bibliografia:
Crônicas
As contas de vidro e o fio de nylon, Editora Ars Poética (São Paulo)
Navegando, Editora Ars Poética (São Paulo)
Teologia do cotidiano, Editora Olho D'Água (São Paulo)
A festa de Maria, Editora Papirus (Campinas)
Cenas da vida, Editora Papirus (Campinas)
Concerto para corpo e alma, Editora Papirus (Campinas)
E aí? - Cartas aos adolescentes e a seus pais, Editora Papirus (Campinas)
O quarto do mistério, Editora Papirus (Campinas)
O retorno eterno, Editora Papirus (Campinas)
Sobre o tempo e a eterna idade, Editora Papirus (Campinas)
Tempus fugit, Editora Paulus (São Paulo)
Livros Infantis
A menina, a gaiola e a bicicleta, Editora Cia das Letrinhas (SP)
A boneca de pano, Edições Loyola (SP)
A loja de brinquedos, Edições Loyola (SP)
A menina e a pantera negra, Edições Loyola (SP)
A menina e o pássaro encantado, Edições Loyola (SP)
A pipa e a flor, Edições Loyola (SP)
A porquinha de rabo esticadinho, Edições Loyola (SP)
A toupeira que queria ver o cometa, Edições Loyola (SP)
Estórias de bichos, Edições Loyola (SP)
Lagartixas e dinossauros, Edições Loyola (SP)
O escorpião e a rã, Edições Loyola (SP)
O flautista mágico, Edições Loyola (SP)
O gambá que não sabia sorrir, Edições Loyola (SP)
O gato que gostava de cenouras, Edições Loyola (SP)
O país dos dedos gordos, Edições Loyola (SP)
A árvore e a aranha, Edições Paulus (SP)
A libélula e a tartaruga, Edições Paulus (SP)
A montanha encantada dos gansos selvagens, Edições Paulus (SP)
A operação de Lili, Edições Paulus (SP)
A planície e o abismo, Edições Paulus (SP)
A selva e o mar, Edições Paulus (SP)
A volta do pássaro encantado, Edições Paulus (SP)
Como nasceu a alegria, Edições Paulus (SP)
O medo da sementinha, Edições Paulus (SP)
Os Morangos, Edições Paulus (SP)
O passarinho engaiolado, Editora Papirus (Campinas)
Vuelve, Pájaro Encantado, Sansueta Ediciones SA (Madrid, España)
Filosofia da Ciência e da Educação
A alegria de ensinar, Editora Ars Poética (SP)
Conversas com quem gosta de ensinar, Editora Ars Poética (SP)
Estórias de quem gosta de ensinar, Editora Ars Poética (SP)
Filosofia da Ciência, Editora Ars Poética (SP)
Entre a ciência e a sapiência, Edições Loyola (SP)
Filosofia da Religião
O enigma da religião (Campinas, Papirus)
L' enigma della religione (Roma, Borla)
O que é religião? (S. Paulo, Brasiliense)
What is religion? (Maryknoll, Orbis)
Was ist religion? (Zurich, Pendo)
Protestantismo e Repressão (S. Paulo, Ática)
Protestantism and Repression (Maryknoll, Orbis)
Dogmatismo e Tolerância (S. Paulo, Paulinas)
O suspiro dos oprimidos (S. Paulo, Paulinas)
Biografias
Gandhi: A Magia dos gestos poéticos (S. Paulo/Campinas, Olho D'Água/Speculum)
Teologia
A Theology of Human Hope (Washington, Corpus Books)
Christianisme, opium ou liberation? (Paris, Éditions du Cerf)
Teologia della speranza umana (Brescia, Queriniana)
Da Esperança (Campinas, Papirus)
Tomorrow's child (New York, Harper & Row)
Hijos del manana (Salamanca, Siguime)
Il figlio dei Domani (Brescia, Queriniana)
Teologia como juego (Buenos Aires, Tierra Nueva)
Variações sobre a vida e a morte (São Paulo, Paulinas)
Creio na ressurreição do corpo (Rio de Janeiro, CEDI)
Ich glaube an die Auferstehung des Leibes (Dusseldorf, Patmos VERLAG)
I believe in the resurrection of the body (Philadelphia, Fortress Press)
Je crois en la résurrection du corps (Paris, Éditions du Cerf)
Poesia, Profecia, Magia (Rio de Janeiro, CEDI)
Der Wind blühet wo er will (Dusseldorf, Patmos)
Pai nosso (Rio de Janeiro, CEDI)
Vater Unser (Dusseldorf, Patmos)
The Poet, the Warrior, the Prophet (London, SCM Press)
Parole da Mangiari (The Poet, the Warrior, the Prophet), Edizioni Qiqajon Comunitá di Bose (Itália)
Vídeos
O Símbolo
Visões do Paraíso (realizado para apresentação na ECO -92)
Conversando com quem gosta de ensinar
Dados extraídos de livros do autor e de sítios da Internet.
Visitem "A casa de Rubem Alves".

 



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Um comentário:

  1. Eu simplesmente achei esse blog incrível! Vc não me permitiria usar algumas gravuras? Meu blog não tem fim lucrativo
    Estou começando agora. Montando sozinha. bjos

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